Um dos mais bem-sucedidos
estadistas da história, Augusto reinou por prósperos
e tranqüilos 41 anos, foi o primeiro imperador de Roma
e o único considerado um deus por seus compatriotas ainda
em vida. Ele morreu pacificamente, aos 76 anos, em 14 d.C. Suas
últimas palavras: "Eu cumpri bem o meu papel?".
Todos os impostos devidos ao imperador podiam ser pagos com
o que se ganhava em apenas dois dias de trabalho. Já
o pomposo rei que ilustra esta página, James II, da Inglaterra,
ficou apenas três tumultuados anos no trono, de 1685 a
1688, deposto e exilado pelo movimento conhecido como Revolução
Gloriosa, que pôs fim à monarquia absolutista e
ao poder do rei de criar impostos sem o consentimento do Parlamento.
Os súditos de James II chegavam a trabalhar oito meses
do ano para pagar impostos. O Brasil é uma república,
uma democracia política exemplar, mas os brasileiros
devem obrigações a um "rei imposto",
para o qual trabalham cinco dos doze meses do ano sem receber
muito em troca.
Na semana passada,
a Câmara dos Deputados deu ainda mais poder a esse rei
ao aprovar a criação de um novo imposto do cheque,
a CSS, sigla de contribuição social para a saúde.
Se chegar a vigorar, a CSS terá alíquota de 0,1%
(a da CPMF, o imposto do cheque derrubado gloriosamente pelo
Senado no ano passado, era de 0,38%). A CSS deverá aumentar
em 11 bilhões de reais a receita do governo com impostos.
Mais uma vez as esperanças dos brasileiros estão
nas mãos do Senado, que precisa ratificar a decisão
da Câmara. Aos senadores caberá a defesa dos cidadãos
contra o apetite insaciável do governo de cada vez mais
arrecadação, quando deveria estar administrando
melhor o muito que já recolhe. Nos quatro primeiros meses
deste ano, sem a CPMF, a arrecadação do governo
foi de 223,2 bilhões de reais um aumento de 12,5%
em relação ao mesmo período do ano passado.
No fim de 2008 serão 30 bilhões a mais do que
em 2007. Uma reportagem desta edição de VEJA discute
os motivos dos governistas para tentar raspar ainda mais o tacho
das economias dos lares brasileiros e dá as razões
pelas quais isso é um acinte. O rei imposto brasileiro
está mais, muito mais, para James II do que para Augusto.