|
|
MÚSICA
A
vitória do botequim
Sabe
aquele cantor de barzinho?
Pois agora ele virou artista de luxo

Sérgio Martins
Claudio Rossi
 |
FENÔMENO
MINEIRO
Emmerson Nogueira aprendeu o ofício em Belo Horizonte,
capital do "couvert artístico": ele já
vendeu 300000 CDs |
O botequim
sempre foi o melhor amigo do cantor brasileiro. Nesse ambiente,
aspirantes põem à prova os seus dotes e carreiras
de sucesso eventualmente são gestadas. No botequim, impera
a camaradagem. Se o artista é ruim, o cliente simplesmente
aumenta o volume da conversa com os amigos e se concentra nos rissoles
e no chope. Se o artista agrada, cria-se aquele clima de "agora
todo mundo junto": as pessoas deixam a inibição de
lado e soltam a voz nas músicas preferidas. Também
existe uma estética dos botequins. Ela tem a ver, em primeiro
lugar, com a repetição. O melhor repertório
para um barzinho é formado por clássicos do pop e
da MPB que os fregueses conhecem de cor e salteado. Em segundo lugar
vem o despojamento. Palco pequeno não comporta exageros:
é tudo na base do banquinho e do violão. Subestimar
o poder da estética do botequim é um erro. Quando
um músico famoso anuncia um "projeto acústico", por
exemplo, ele apenas está dizendo, com palavras sofisticadas,
que vai regravar seus hits como se estivesse tocando num bar. A
galera adora. Alguns dos discos mais vendidos no Brasil nos últimos
anos nasceram assim. Agora, as gravadoras exploram um novo fenômeno:
cantores que, depois de dominar à perfeição
a arte de apresentar-se em botecos, criam discos que reproduzem
fielmente seus shows. É o caso de Emmerson Nogueira, Alex
Cohen e Danni Carlos.
Nogueira
tem a história de maior sucesso. O que ele faz? Versões
no estilo boteco de hits internacionais como Forever Young,
do Alphaville, e Hotel California, dos Eagles. Elas estão
registradas na série Versão Acústica,
que vendeu mais de 100.000 cópias
de cada um de seus três CDs. Muitos nomes consagrados da música
brasileira têm ficado longe dessa marca com seus discos. Nogueira
tem 30 anos. Nascido no interior de Minas Gerais, mudou-se para
Belo Horizonte na adolescência para tentar a sorte na música.
Encontrou um ambiente propício: Belo Horizonte é a
capital da música ao vivo tem um bar com "couvert
artístico" para cada 160 habitantes. "Comecei a me destacar
porque dava um toque autoral às composições
alheias", diz Nogueira. Hoje, o cantor já tem cacife para
se apresentar em espaços maiores. Há um mês
lotou o Credicard Hall, célebre casa de shows de São
Paulo. Mas os grandes palcos não significam mudança
de estilo: Emmerson Nogueira saiu do boteco, mas o boteco não
saiu de dentro dele.
Divulgação
 |
A
TOPA-TUDO
Danni Carlos já foi cantora de churrascaria no seriado
Carga Pesada. Agora quer fazer turnê |
Em
trajetória ascendente vem, ainda, o carioca Alex Cohen, de
32 anos. Além de dominar um vasto repertório de covers,
ele sabe animar uma platéia. Caiu no gosto dos freqüentadores
de bares da Barra da Tijuca, bairro emergente do Rio de Janeiro.
Seu show mistura música e variedades. "Criei o momento gay,
no qual imito Elton John e George Michael, e o momento 'embromation',
com canções em inglês fajuto", orgulha-se Cohen.
Decidido a conferir seu poder de fogo, o músico começou
recentemente a aventurar-se para além da Barra da Tijuca.
Já alugou a tradicional casa noturna Canecão
e conseguiu lotá-la. "Ele é um autêntico showman",
derrama-se Max Pierre, diretor artístico da gravadora Universal,
que acaba de lançar Alex Cohen no pacote de CD e DVD Ao
Vivo.
Aderir
à estética do botequim tornou-se tábua de salvação
para artistas que tinham ambições maiores, mas não
conseguem deslanchar. O caso mais curioso é o da cantora
Danni Carlos. Ela queria ser roqueira e entoar suas próprias
músicas, mas é no projeto Rock'n'Road Acústico
que está se dando bem. Os discos trazem gemas do rock
no formato voz e violão. Agora Danni pretende fazer uma turnê
pelos bares da vida. Ela, que também é atriz e já
interpretou uma cantora de churrascaria no seriado Carga Pesada,
da Rede Globo, anuncia: toca em qualquer barzinho que se disponha
a contratá-la.
|