Edição 1807 . 18 de junho de 2003

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TELEVISÃO
Se todos fossem iguais...

Barato e com ótima audiência,
A Grande Família é o programa
dos sonhos dos executivos da Globo


Ricardo Valladares

 
Divulgação
Os Silva: cotidiano da classe média e humor popularesco, mas sem apelações

Quando pôs A Grande Família no ar, no começo de 2001, a Rede Globo não tinha maiores pretensões. Foram programados apenas doze episódios da série, remake de um humorístico que fez sucesso nos anos 70 com histórias sobre uma família do subúrbio carioca. Os principais atores do elenco, Marco Nanini e Marieta Severo, só toparam participar porque o compromisso era de curto prazo. Passados dois anos, A Grande Família continua em exibição porque seu sucesso é formidável. Em sua terceira temporada, alcançou a média de 40 pontos de audiência, a melhor da TV brasileira no horário das 21h30. Toda quinta-feira, 62% dos televisores ligados no país sintonizam o programa, que realiza o sonho de qualquer diretor de emissora: atrai espectadores de todas as classes sociais e de todas as faixas etárias. Famílias inteiras assistem à Grande Família. Há tempos não se via nada assim. "Para completar, o seriado não é caro. Cada episódio custa os mesmos 200.000 reais de um capítulo de novela. Estamos eufóricos, é a fórmula ideal", diz um executivo da Globo.

O original de A Grande Família tinha texto de Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, nome importante nos primórdios da TV brasileira. Para reformular o seriado, a Globo contratou o roteirista Cláudio Paiva, que já havia trabalhado no dominical Sai de Baixo, e pediu que ele retomasse velhas histórias de Vianinha. "A premissa ainda era boa, mas tivemos de fazer muitos ajustes. A personagem Nenê, por exemplo, era uma dona-de-casa que mal abria a boca. E havia um filho politizado que resolvemos eliminar", conta Paiva. Na primeira temporada, o programa alcançou 22 pontos no Ibope, apenas o suficiente para não ser extinto. Na segunda, os episódios passaram a ter enredo inédito e a popularidade aumentou. Uma mudança de horário deu o impulso final à audiência. "Antigamente íamos ao ar depois do policial Linha Direta. Não tinha clima. Acabava o tiroteio e entrava aquela música do quais-quais-quais-quais", diz Paiva, referindo-se ao célebre tema musical do seriado.

Não é difícil entender o sucesso de A Grande Família. A série lida com temas próximos ao cotidiano da classe média e da classe média baixa e emprega uma fórmula de humor popularesca, mas não grosseira. A atriz Marieta Severo arrisca uma explicação adicional para a simpatia que o programa desperta. "Os personagens são todos malandros, mas não são maus. Eles querem se dar bem, sem no entanto prejudicar o vizinho", diz ela. Outro trunfo, finalmente, está no elenco, que mistura veteranos como Rogério Cardoso (o avô Florêncio) e jovens como Guta Stresser (a espevitada Bebel). "O clima das gravações é ótimo", conta Cláudio Paiva, que testemunhou enormes trombadas de egos nos bastidores do Sai de Baixo. No caso de A Grande Família, até um ator notoriamente ansioso para aparecer como Pedro Cardoso (o taxista Agostinho) tem se mantido tranqüilo. Nos próximos episódios, a trama deve girar em torno de Bebel, que será demitida do emprego. Mas ocupação não vai faltar para a família Silva. Ela deve ganhar até um filme, no ano que vem.

 
 
 
 
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