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TELEVISÃO
Se
todos fossem iguais...
Barato
e com ótima audiência,
A Grande Família é o programa
dos sonhos dos executivos da Globo

Ricardo
Valladares
Divulgação
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| Os
Silva: cotidiano da classe média e humor popularesco, mas sem
apelações |
Quando
pôs A Grande Família no ar, no começo
de 2001, a Rede Globo não tinha maiores pretensões.
Foram programados apenas doze episódios da série,
remake de um humorístico que fez sucesso nos anos 70 com
histórias sobre uma família do subúrbio carioca.
Os principais atores do elenco, Marco Nanini e Marieta Severo, só
toparam participar porque o compromisso era de curto prazo. Passados
dois anos, A Grande Família continua em exibição
porque seu sucesso é formidável. Em sua terceira temporada,
alcançou a média de 40 pontos de audiência,
a melhor da TV brasileira no horário das 21h30. Toda quinta-feira,
62% dos televisores ligados no país sintonizam o programa,
que realiza o sonho de qualquer diretor de emissora: atrai espectadores
de todas as classes sociais e de todas as faixas etárias.
Famílias inteiras assistem à Grande Família.
Há tempos não se via nada assim. "Para completar,
o seriado não é caro. Cada episódio custa os
mesmos 200.000 reais de um capítulo
de novela. Estamos eufóricos, é a fórmula ideal",
diz um executivo da Globo.
O
original de A Grande Família tinha texto de Oduvaldo
Viana Filho, o Vianinha, nome importante nos primórdios da
TV brasileira. Para reformular o seriado, a Globo contratou o roteirista
Cláudio Paiva, que já havia trabalhado no dominical
Sai de Baixo, e pediu que ele retomasse velhas histórias
de Vianinha. "A premissa ainda era boa, mas tivemos de fazer muitos
ajustes. A personagem Nenê, por exemplo, era uma dona-de-casa
que mal abria a boca. E havia um filho politizado que resolvemos
eliminar", conta Paiva. Na primeira temporada, o programa alcançou
22 pontos no Ibope, apenas o suficiente para não ser extinto.
Na segunda, os episódios passaram a ter enredo inédito
e a popularidade aumentou. Uma mudança de horário
deu o impulso final à audiência. "Antigamente íamos
ao ar depois do policial Linha Direta. Não tinha clima.
Acabava o tiroteio e entrava aquela música do quais-quais-quais-quais",
diz Paiva, referindo-se ao célebre tema musical do seriado.
Não
é difícil entender o sucesso de A Grande Família.
A série lida com temas próximos ao cotidiano da
classe média e da classe média baixa e emprega uma
fórmula de humor popularesca, mas não grosseira. A
atriz Marieta Severo arrisca uma explicação adicional
para a simpatia que o programa desperta. "Os personagens são
todos malandros, mas não são maus. Eles querem se
dar bem, sem no entanto prejudicar o vizinho", diz ela. Outro trunfo,
finalmente, está no elenco, que mistura veteranos como Rogério
Cardoso (o avô Florêncio) e jovens como Guta Stresser
(a espevitada Bebel). "O clima das gravações é
ótimo", conta Cláudio Paiva, que testemunhou enormes
trombadas de egos nos bastidores do Sai de Baixo. No caso
de A Grande Família, até um ator notoriamente
ansioso para aparecer como Pedro Cardoso (o taxista Agostinho) tem
se mantido tranqüilo. Nos próximos episódios,
a trama deve girar em torno de Bebel, que será demitida do
emprego. Mas ocupação não vai faltar para a
família Silva. Ela deve ganhar até um filme, no ano
que vem.
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