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CINEMA
Mais
é menos
É
pena: Por um Fio mostra que a
fase "minimalista" do diretor Joel
Schumacher durou pouco e já acabou

Isabela
Boscov
Divulgação
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| Farrell:
seu cachê já anda pela casa dos 10 milhões de dólares |
Velhos
hábitos custam a morrer. Depois de ser massacrado por causa
dos exageros histéricos de Batman & Robin, o diretor
Joel Schumacher entrou numa espécie de retiro cinematográfico.
Saiu dele acreditando-se renovado. Inspirado pelos cineastas do
movimento dinamarquês Dogma, Schumacher decidiu explorar o
caminho mais virtuoso da modéstia. Fez o pequeno Ninguém
É Perfeito, com Robert De Niro, e o drama de guerra Tigerland,
rodado em apenas 28 dias, com a câmera na mão e um
novato incrivelmente promissor à frente dela o irlandês
Colin Farrell, que custeou a própria passagem aérea
para ir encontrar o diretor (e pedir-lhe o emprego) durante uma
visita deste a Londres. Ambos colheram elogios rasgados por Tigerland,
razão pela qual resolveram reeditar a parceria em Por
um Fio (Phone Boothe, Estados Unidos, 2003), que
estréia nesta sexta-feira no país. À primeira
vista, esse misto de drama e suspense honra todas as premissas da
nova fase de Schumacher: foi filmado em meros dez dias, numa rua
do centro de Los Angeles (fazendo-se passar por Nova York), não
tem efeitos especiais e, à época da filmagem, no fim
de 2000, também não tinha um astro situação
que Farrell, cujo cachê anda agora pela casa dos 10 milhões
de dólares, já reverteu. Seu enredo também
sugeria um tipo de cinema cru e urgente, ao estilo dos anos 70:
ao entrar numa cabine telefônica, Stu Shepard, um agente de
celebridades, se vê sob a mira de um franco-atirador. Se cortar
a ligação ou não atender às exigências
do desconhecido, levará um tiro. O resultado, porém,
não tem nada de urgente. Ao contrário, ele demonstra
que o instinto de Schumacher para o sensacional e o sensacionalista
já levou a melhor de novo.
Farrell,
é verdade, se desdobra no papel de Stu, um tipo muito ambicioso
e medianamente inescrupuloso razão pela qual o atirador
o escolheu como alvo. Stu não pode sair da cabine, não
pode revelar a ninguém o motivo pelo qual está lá
e, portanto, não pode se defender quando o atirador mata
um transeunte e a culpa recai sobre ele. A cada minuto o
filme se passa em tempo real a situação se
complica e envolve mais gente: a mulher de Stu, uma jovem atriz
que ele pretendia conquistar, o policial que se encarrega de organizar
o caos e negociar com Stu. O que o atirador quer é que Stu
confesse publicamente, e da forma mais humilhante possível,
os seus pecadilhos. E o que o diretor quer é fazer uma versão
de Um Dia de Cão mas à sua moda. O que
inclui muitos cortes, grandes doses de sentimentalismo e a escolha
de Kiefer Sutherland, um ator sem nenhuma sutileza, para dar voz
ao franco-atirador. Schumacher sempre teve talento para manipular
e envolver a platéia tanto talento, aliás,
que não consegue abrir mão dele nem quando está
de posse de uma boa história, que dispensa o seu arsenal
de truques. Tivesse ele confiado mais em Farrell e no seu roteiro,
Por um Fio faria jus à sua pretensão, de ser
um retrato da hostilidade urbana. Da maneira como ficou, a única
coisa que se pode depreender do filme é que Schumacher e
seu circo estão de volta a Hollywood.
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