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ARQUEOLOGIA
Será
Nefertiti?
Pesquisadores
acreditam ter achado
a múmia da famosa rainha do Egito
Divulgação
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| A
múmia mutilada: identificação com provas
circunstanciais |
Um
busto antigo, exposto no Museu Egípcio de Berlim, não
deixa dúvida sobre a beleza de Nefertiti, rainha no tempo
dos faraós. Só a falta de uma íris destoa no
conjunto harmonioso diz a lenda que a imagem foi deixada
intencionalmente incompleta para que a formosura da rainha não
causasse inveja às deusas. Nefertiti morreu jovem, há
3.300 anos, e seu corpo desapareceu sem
deixar traços. Pelo menos até agora. Uma equipe de
arqueólogos ingleses acredita que uma múmia encontrada
há mais de 100 anos numa tumba secundária ao lado
de uma câmara real no Vale dos Reis é a da rainha famosa.
Os restos estão em estado deplorável, sem identificação,
com as bandagens removidas, o braço direito arrancado e dois
rombos, um no peito e outro na boca (estragos provavelmente feitos
por ladrões de tumbas). Mas os traços do rosto e do
pescoço conservam certa elegância, se é que
se pode falar assim de uma múmia.
As
provas reunidas para a identificação são intrigantes,
mas circunstanciais. O indício mais importante é o
braço arrancado. Está torcido e com a mão crispada,
como se segurasse o cetro real isso só ocorre com
múmias de faraós e rainhas. Há marcas de uma
faixa na cabeça e o crânio foi raspado. Seria para
acomodar melhor a grande coroa que usava? Há também
dois furos para brincos no lóbulo da orelha esquerda. "Entre
todas as imagens de mulheres egípcias que eu conheço,
apenas duas exibiam esse tipo de perfuração: a de
Nefertiti e a de uma de suas filhas", diz a arqueóloga inglesa
Joann Fletcher, da Universidade de York, responsável pela
identificação. Nefertiti foi uma rainha especial.
Ela tinha 12 anos quando se tornou a esposa principal de Amenófis
IV, que subiu ao trono em 1353 a.C. Seu reinado durou dezessete
anos e foi tempestuoso. O faraó aboliu o sistema politeísta
e tornou oficial uma nova religião, com base na adoração
de Aton, o deus-sol. Até trocou o próprio nome para
Akhenaton "aquele que serve a Aton". A rainha ocupava lugar
de destaque na nova liturgia mas alguma coisa aconteceu no
12º ano do reinado e ela sumiu dos registros. Pode ter morrido
ou, como acreditam alguns estudiosos, se tornado co-regente e até
mesmo faraó por um curto tempo, depois da morte do marido.
O
certo é que um novo faraó restaurou a antiga religião
e mandou apagar o nome de Nefertiti e o de seu marido da história
egípcia. Seus corpos foram retirados da tumba e sumiram.
Fletcher conhecia a tal múmia de fotografia e só no
ano passado teve autorização do governo egípcio
para entrar na tumba e examiná-la de perto. Muitos egiptólogos
põem em dúvida a identificação. Zahi
Hawas, diretor de Antiguidades do Egito e uma voz respeitada nesses
assuntos, argumenta que os sucessores e inimigos de
Akhenaton não permitiriam que o corpo da rainha continuasse
no Vale dos Reis, privativo da realeza. Será mesmo Nefertiti?
"Nós nunca teremos 100% de certeza", admitiu Fletcher, numa
entrevista à revista Time. "A múmia nunca vai
se levantar e nos dizer quem ela é."
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