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CONSUMO
Custava 1 200 reais,
agora sai por 399
Os
DVDs eram vendidos por uma fortuna.
O preço chegou a 500 reais. Os aparelhos
chineses custam ainda menos

Felipe Patury
J. Miranda
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O
mercado mundial de produtos eletrônicos opera por ondas. Houve
um tempo em que as pessoas consumiam equipamentos americanos e europeus,
donos de marcas como Philips, RCA e Telefunken. Os japoneses os
engoliram e conquistaram a supremacia com a Sony, Panasonic, Toshiba,
JVC. Mais recentemente, surgiram as coreanas Samsung e LG, que baratearam
as invenções japonesas. Está em curso a quarta
onda, de origem chinesa. Além de oferecerem mão-de-obra
barata, os fabricantes chineses se especializaram em produtos despojados
para conquistar mercados em todo o mundo. Um exemplo é o
aparelho de DVD que aparece na foto ao lado. Ele é produzido
pela empresa chinesa SVA, sigla de Shanghai Video & Audio, e
está sendo vendido pelo preço de referência
de 399 reais, 20% mais baixo que o cobrado pelos concorrentes. O
fabricante informa que já vendeu mais de 230.000 aparelhos
e projeta vender mais 400.000 neste ano. Embora esses números
não tenham sido auditados, entre os principais fabricantes
brasileiros já se diz que o DVD chinês disputa o primeiro
lugar em vendas.
É
fácil identificar o aparelho nas prateleiras. Ele é
menor que os aparelhos convencionais e, além disso, não
tem o display de cristal líquido que mostra a passagem das
cenas e o tempo do filme. Seria razoável defini-lo como uma
espécie de versão popular dos aparelhos de DVD. Um
dos argumentos que têm conquistado os consumidores é
que o SVA compra seus componentes vitais dos mesmos fabricantes
que fornecem para as marcas mais conhecidas. Até o começo
do ano passado não havia nenhuma empresa de eletroeletrônicos
com tecnologia chinesa no Brasil. No mês passado, metade dos
projetos aprovados pela Superintendência da Zona Franca de
Manaus envolvia empresas chinesas.
Selmy Yassuda
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Raul Junior
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| O
ministro do Desenvolvimento, Furlan, e Staub, dono da Gradiente:
fabricantes irritados com o desembarque dos chineses |
A
venda de DVDs no Brasil andou em marcha lenta por vários
anos. O mercado começou a se aquecer de 2000 para cá.
O lançamento de títulos em DVD superou os lançamentos
em VHS, e fabricantes nacionais, como a Semp Toshiba e a Gradiente,
começaram a lançar aparelhos a preços mais
acessíveis. O desembarque chinês produziu desentendimentos
entre os empresários brasileiros que atuam no setor de eletroeletrônicos
e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Eles alegam
que o mercado está parado e esperavam que o ministro usasse
de suas atribuições para barrar a entrada dos competidores
chineses. O mais crítico ao ministro é Eugênio
Staub. Sua empresa, a Gradiente, ajudou a popularizar o DVD no Brasil
e até a chegada da SVA produzia os aparelhos mais baratos
do mercado, vendidos a 499 reais. O estremecimento da relação
entre Staub e Furlan é assunto delicado em Brasília,
e o motivo é de natureza política. Num momento-chave
da corrida eleitoral, o empresário que apoiava José
Serra se bandeou para o lado do PT e ajudou a mitigar o clima de
desconfiança dos empresários em relação
a Lula. Chegou a aparecer no horário político dando
um depoimento em favor do candidato petista.
Uma estratégia que permite aos chineses conseguir redução
nos preços é terceirizar a produção.
A SVA contratou uma empresa brasileira chamada Flex para montar
seus aparelhos. Os chineses destinam o grosso dos investimentos
à promoção de vendas feita diretamente nas
lojas. Esse é um dos motivos de reclamação
dos empresários brasileiros. Eles argumentam que competem
em condições desiguais, uma vez que fizeram investimentos
pesados para construir fábricas no Brasil, enquanto os chineses
não estão gastando nada. No meio dessa batalha foi
desenterrada uma história que não enriquece o histórico
da Flex. Um dos donos da empresa, José Renato de Oliveira
Alves, foi preso em 1994 sob acusação de sonegação
fiscal. Na época, ele ocupava uma das diretorias mais importantes
da Suframa. Ele nega as acusações e por causa delas
gasta dinheiro com advogados para se defender. Para o consumidor,
essa disputa entre os fabricantes tem um lado positivo. Neste mês,
para não perder espaço, a Gradiente colocará
no mercado um aparelho mais barato destinado à competição
com os chineses.
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Os
sucessos do DVD
O DVD chegou ao Brasil em 1997. Durante os primeiros
anos, o mercado patinou por falta de filmes. O lançamento
de aparelhos mais baratos aqueceu as vendas. Há
pouco mais de um ano, o número de filmes em DVD
superou o de títulos em VHS. Atualmente, 70%
dos filmes alugados e mais de 95% dos vendidos são
em DVD. Os títulos abaixo integram a lista dos
dez mais pedidos para locação na rede
Blockbuster
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