Edição 1807 . 18 de junho de 2003

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CONSUMO
Custava 1 200 reais,
agora sai por 399

Os DVDs eram vendidos por uma fortuna.
O preço chegou a 500 reais. Os aparelhos
chineses custam ainda menos


Felipe Patury

 
J. Miranda


  Dos arquivos de VEJA
Vale a pensa converter VHS para DVD? (14/5/2003)
A faixa preta do DVD (12/2/2003)

O mercado mundial de produtos eletrônicos opera por ondas. Houve um tempo em que as pessoas consumiam equipamentos americanos e europeus, donos de marcas como Philips, RCA e Telefunken. Os japoneses os engoliram e conquistaram a supremacia com a Sony, Panasonic, Toshiba, JVC. Mais recentemente, surgiram as coreanas Samsung e LG, que baratearam as invenções japonesas. Está em curso a quarta onda, de origem chinesa. Além de oferecerem mão-de-obra barata, os fabricantes chineses se especializaram em produtos despojados para conquistar mercados em todo o mundo. Um exemplo é o aparelho de DVD que aparece na foto ao lado. Ele é produzido pela empresa chinesa SVA, sigla de Shanghai Video & Audio, e está sendo vendido pelo preço de referência de 399 reais, 20% mais baixo que o cobrado pelos concorrentes. O fabricante informa que já vendeu mais de 230.000 aparelhos e projeta vender mais 400.000 neste ano. Embora esses números não tenham sido auditados, entre os principais fabricantes brasileiros já se diz que o DVD chinês disputa o primeiro lugar em vendas.

É fácil identificar o aparelho nas prateleiras. Ele é menor que os aparelhos convencionais e, além disso, não tem o display de cristal líquido que mostra a passagem das cenas e o tempo do filme. Seria razoável defini-lo como uma espécie de versão popular dos aparelhos de DVD. Um dos argumentos que têm conquistado os consumidores é que o SVA compra seus componentes vitais dos mesmos fabricantes que fornecem para as marcas mais conhecidas. Até o começo do ano passado não havia nenhuma empresa de eletroeletrônicos com tecnologia chinesa no Brasil. No mês passado, metade dos projetos aprovados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus envolvia empresas chinesas.

 
Selmy Yassuda
Raul Junior
O ministro do Desenvolvimento, Furlan, e Staub, dono da Gradiente: fabricantes irritados com o desembarque dos chineses

A venda de DVDs no Brasil andou em marcha lenta por vários anos. O mercado começou a se aquecer de 2000 para cá. O lançamento de títulos em DVD superou os lançamentos em VHS, e fabricantes nacionais, como a Semp Toshiba e a Gradiente, começaram a lançar aparelhos a preços mais acessíveis. O desembarque chinês produziu desentendimentos entre os empresários brasileiros que atuam no setor de eletroeletrônicos e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Eles alegam que o mercado está parado e esperavam que o ministro usasse de suas atribuições para barrar a entrada dos competidores chineses. O mais crítico ao ministro é Eugênio Staub. Sua empresa, a Gradiente, ajudou a popularizar o DVD no Brasil e até a chegada da SVA produzia os aparelhos mais baratos do mercado, vendidos a 499 reais. O estremecimento da relação entre Staub e Furlan é assunto delicado em Brasília, e o motivo é de natureza política. Num momento-chave da corrida eleitoral, o empresário que apoiava José Serra se bandeou para o lado do PT e ajudou a mitigar o clima de desconfiança dos empresários em relação a Lula. Chegou a aparecer no horário político dando um depoimento em favor do candidato petista.

Uma estratégia que permite aos chineses conseguir redução nos preços é terceirizar a produção. A SVA contratou uma empresa brasileira chamada Flex para montar seus aparelhos. Os chineses destinam o grosso dos investimentos à promoção de vendas feita diretamente nas lojas. Esse é um dos motivos de reclamação dos empresários brasileiros. Eles argumentam que competem em condições desiguais, uma vez que fizeram investimentos pesados para construir fábricas no Brasil, enquanto os chineses não estão gastando nada. No meio dessa batalha foi desenterrada uma história que não enriquece o histórico da Flex. Um dos donos da empresa, José Renato de Oliveira Alves, foi preso em 1994 sob acusação de sonegação fiscal. Na época, ele ocupava uma das diretorias mais importantes da Suframa. Ele nega as acusações e por causa delas gasta dinheiro com advogados para se defender. Para o consumidor, essa disputa entre os fabricantes tem um lado positivo. Neste mês, para não perder espaço, a Gradiente colocará no mercado um aparelho mais barato destinado à competição com os chineses.

 

Os sucessos do DVD

O DVD chegou ao Brasil em 1997. Durante os primeiros anos, o mercado patinou por falta de filmes. O lançamento de aparelhos mais baratos aqueceu as vendas. Há pouco mais de um ano, o número de filmes em DVD superou o de títulos em VHS. Atualmente, 70% dos filmes alugados e mais de 95% dos vendidos são em DVD. Os títulos abaixo integram a lista dos dez mais pedidos para locação na rede Blockbuster

 

 
 
 
 
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