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PREVIDÊNCIA
Não,
não e não
Bancada
evangélica descobre que pode
ser esmagada com a reforma política e,
com fervor religioso, luta para sobreviver

Maurício
Lima
Na
semana passada, a comissão de parlamentares que estuda a
reforma política, destinada a colocar alguma ordem no caótico
universo partidário do país, teve de adiar seus planos.
A comissão, com 38 membros, pretendia votar um princípio
central da reforma: ampliar, de um para dois anos, o período
em que um parlamentar é obrigado a estar filiado ao partido
pelo qual pretende concorrer na eleição seguinte.
A decisão acabou adiada devido ao esforço militante
de uma bancada aguerrida e, é claro, multipartidária.
Trata-se da bancada dos evangélicos, que reúne 57
parlamentares, distribuídos em seis legendas diferentes.
Os evangélicos, até agora, têm sido o principal
obstáculo ao avanço da reforma partidária.
Eles perceberam que a reforma pode feri-los de morte, já
que deve diminuir o ímpeto do troca-troca de partidos e evitar
o clientelismo dois pecados dos quais os evangélicos
são praticantes contumazes. O líder da bancada é
o Bispo Rodrigues (PL-RJ), para quem fidelidade partidária
é como casamento. "Se até os casados descumprem o
sagrado compromisso do matrimônio, por que os políticos
têm de cumprir o matrimônio com o partido?", diz.
Na realidade, a bancada está preocupada com seu futuro. Além
de ampliar o prazo de fidelidade partidária, a reforma pretende
criar o instituto da chamada "lista fechada". Ou seja: o eleitor
passa a votar na legenda, e não mais no candidato a vereador
ou a deputado estadual ou federal. E cabe ao partido distribuir
os votos que recebe aos candidatos da lista. Assim, caso o partido
só tenha votos para eleger um único candidato, o eleito
será o primeiro nome da lista. Se a legenda tem votos para
eleger cinco, os beneficiados serão os cinco primeiros da
lista, e assim por diante. Juntando a fidelidade partidária
à lista fechada, cria-se um quadro adverso aos evangélicos
a valorização do partido em detrimento do candidato.
De eleição em eleição, a bancada dos
evangélicos vem aumentando sua presença no Congresso
Nacional. Na legislatura passada, eram pouco mais de 45 deputados,
e nenhum senador. Agora, são 55 deputados e dois senadores,
Marcelo Crivella e Magno Malta. O crescimento se dá por cima
dos muros que separam os partidos.
A atuação dos evangélicos tem sido sempre suprapartidária.
Hoje seus 57 parlamentares estão concentrados em duas legendas,
o PL e o PTB, mas há filiados distribuídos pelo PMDB,
PSDB, PFL e PP. A cada eleição, a cúpula dos
evangélicos se debruça sobre o mapa eleitoral do país,
estuda as regiões em que eles têm mais chances de sucesso
e despacha um candidato para aquele colégio eleitoral
onde o candidato se filiará ao partido que estiver disponível.
O deputado Philemon Rodrigues, por exemplo, ganhou três mandatos
em Minas Gerais. Na eleição passada, entregou legenda
e domicílio eleitoral a um colega, o deputado João
Paulo Silva, e candidatou-se pelo PTB da Paraíba. Os dois
foram eleitos. Com a fidelidade partidária ampliada para
dois anos, esse jogo fica mais difícil. Com a lista fechada,
pior ainda. Afinal, que partido dará ao evangélico
recém-chegado à legenda o primeiro lugar na lista
fechada?
Desde que o Palácio do Planalto e os líderes partidários
concordaram com uma proposta mínima de reforma política,
três semanas atrás, a bancada evangélica passou
a militar com fervor religioso. Num primeiro movimento, os evangélicos
se empenharam em ocupar o maior número de cadeiras na comissão
que estuda o assunto no Congresso. Dos 38 membros da comissão,
emplacaram oito quatro filiados ao PL, dois ao PMDB e dois
ao PTB. Na rotina de trabalho, eles têm uma tática
clara: jogar toda e qualquer decisão para as calendas gregas,
manobra em que o deputado Lincoln Portela (PL-MG) é craque.
Para tanto, vivem pedindo vista aos projetos e apartes aos colegas
e sempre se inscrevem para falar. Na semana passada, conseguiram
adiar a votação sobre a fidelidade partidária.
Em outra tática protelatória, estão agora pedindo
que, antes de o assunto ser votado, a comissão ouça
a opinião dos presidentes de todos os partidos do país.
São 27 legendas. Se a exigência for aceita, a comissão
terá reuniões exatamente como deseja a bancada evangélica:
inconclusivas e intermináveis.
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Segura
na mão de Deus
Os
evangélicos
ignoram partidos,
mas são muito
disciplinados na
hora de obedecer às
suas igrejas
Ana Araújo
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Orlando Brito
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| Bispo
Rodrigues: cérebro por trás da bancada
evangélica |
Philemon:
pela igreja, trocou de partido e de Estado |
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