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Sexo A
atração está no cheiro
Estudo explica como os sexos se atraem e reforça a tese da origem
biológica do homossexualismo  Rosana
Zakabi
Os processos que
resultam na atração sexual são um permanente desafio para
a ciência. Nos animais, sabe-se que ela é conseqüência
da ação dos feromônios, componentes químicos liberados
pelo corpo que atraem o sexo oposto pelo odor. A existência dos feromônios
nos seres humanos é uma questão controversa. Agora, uma nova pesquisa,
uma das muitas que têm se beneficiado das novas tecnologias de rastreamento
fotográfico do cérebro, conclui que a atração sexual
nos seres humanos também se regula pelos feromônios. O estudo foi
divulgado na semana passada por uma equipe de médicos do Instituto Karolinska,
em Estocolmo. Eles monitoraram o cérebro de 36 voluntários usando
um aparelho de ressonância magnética. Os homens, ao sentir o cheiro
de amostras do hormônio estrógeno, extraído da urina das mulheres,
apresentaram um aumento de atividade no hipotálamo região
do cérebro associada às emoções e aos impulsos sexuais.
Nas mulheres, a mesma região foi ativada quando elas sentiram o odor do
hormônio testosterona, retirado pelos cientistas do suor masculino. Um estudo
semelhante já havia sido feito pela mesma equipe médica anos atrás.
A novidade, desta vez, foi a inclusão de um terceiro grupo, o dos homossexuais
masculinos. O resultado surpreendeu os pesquisadores. A reação do
cérebro dos integrantes desse grupo ao serem expostos aos odores foi exatamente
a mesma das mulheres. O estudo também foi feito com lésbicas, mas,
segundo a médica Ivanka Savic, coordenadora da pesquisa, os dados nesse
caso ainda não são conclusivos.
Nos animais, os feromônios operam prodígios. Através deles,
o cachorro consegue identificar a presença de uma cadela no cio a quilômetros
de distância. Nos seres humanos, os feromônios, embora também
detectados pelas células olfativas, seriam totalmente inodoros, o que tornaria
mais difícil registrar sua presença. A explicação
evolucionista reza que, desde que a espécie humana se tornou bípede
e deixou de farejar suas presas junto ao chão, seu olfato foi se reduzindo
gradativamente em favor de uma visão aguçada mais útil
para a caça quando se está na posição ereta. Em razão
desse processo, hoje o homem tem 5 milhões de células olfativas
contra 200 milhões do cachorro e 80 milhões do gato. Assim,
ele teria menos capacidade para absorver os feromônios secretados pelo sexo
oposto. Em contrapartida, vários estudos, como o recém-divulgado
pelos médicos suecos, já evidenciaram a importância dos feromônios
na aproximação sexual entre homens e mulheres. Um deles, desenvolvido
há seis meses pela bióloga Joan Friebely, da Universidade Harvard,
e pela médica Susan Rako, de Newton, Massachusetts, acenou com uma possibilidade
fantástica para a indústria de perfumes. A pesquisa provou que uma
substância extraída do suor de mulheres jovens é capaz de
aumentar a atração dos homens por mulheres mais velhas quando aplicada
na pele destas. O estudo sueco também
adiciona novo combustível a uma das questões mais controvertidas
do estudo do comportamento a natureza da homossexualidade. Seria ela determinada
por fatores biológicos ou adquirida ao longo da vida? De acordo com a pesquisa,
o cérebro dos gays é diferente do cérebro dos heterossexuais.
"O que ainda não sabemos é se essa diferença é a causa
da orientação sexual ou conseqüência dela", diz a médica
Ivanka Savic. Um estudo semelhante feito pelo neurocientista inglês Simon
LeVay também sugere que o hipotálamo é ativado de acordo
com a orientação sexual. Alguns estudiosos acreditam que existe
um forte componente genético na homossexualidade devido à incidência
do fenômeno em irmãos gêmeos. Entre gêmeos não
univitelinos, ou seja, gerados por óvulos diferentes, quando um deles é
homossexual há 22% de chance de que o outro também o seja. No caso
de gêmeos univitelinos, essa possibilidade sobe para 52%. Várias
pesquisas anteriores associam o homossexualismo a questões biológicas,
mas os cientistas nunca chegaram a um consenso sobre o assunto. Um estudo feito
pela Universidade de Pádua, na Itália, no fim do ano passado, sugere
que o cromossomo X, que os garotos sempre herdam de suas mães, é
o grande responsável pelo homossexualismo. A idéia já havia
sido defendida em 1993 pelo geneticista americano Dean Hamer, mas foi contestada
logo depois por outros especialistas.
Outro estudo, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos,
sugere que a quantidade de hormônios à qual os fetos são expostos
no útero da mãe pode influenciar em sua futura orientação
sexual. Segundo essa pesquisa, os hormônios influenciam na formação
dos dedos das mãos, ainda antes de a criança vir ao mundo. Um bom
método para comprovar essa influência é observar o comprimento
dos dedos de uma pessoa. Nas mulheres heterossexuais, os dedos indicador e anular
têm praticamente o mesmo tamanho. Já as lésbicas, segundo
o psicólogo Marc Breedlove, autor da pesquisa, têm o dedo indicador
mais curto, como os homens. Entre os homens, segundo Breedlove, não há
relação entre o tamanho dos dedos e a sexualidade. O próprio
pesquisador recomenda cautela no uso desse critério. "Não há
gene que force uma pessoa a ser homo ou heterossexual. São muitos os fatores
psicológicos e sociais, além dos biológicos, que moldam a
preferência sexual", ele diz. |