Um Longo Caminho (Riding Alone for Thousands
of Miles, China/Japão, 2006. Sony) O velho Takata não
vê seu filho há anos, por causa de um desentendimento. Quando recebe
a notícia de que ele está à morte, decide fazer um último
gesto de reconciliação: ir à China filmar uma ópera
de máscaras pela qual o moço é apaixonado. Mas o japonês
Takata não fala a língua, o cantor que ele deve gravar está
preso e a burocracia para visitá-lo na prisão é terrível.
Austero ao ponto da incomunicabilidade, Takata sente, porém, que a viagem
o está transformando, no contato com o espírito gregário
e ruidoso dos chineses. Hoje mais conhecido por épicos de artes marciais
como Herói e O Clã das Adagas Voadoras, o diretor
Zhang Yimou faz aqui um retorno às suas origens dramáticas
não tão bem-sucedido quanto os anteriores, mas ainda assim belo
e envolvente. Veja
cenas.
DISCOS
Divulgação
The
Fratellis: seguidores muito fiéis do britpop
Costello Music, The Fratellis (Universal)
Surgido na cidade de Glasgow, esse trio escocês tirou seu nome de
uma produção de Steven Spielberg: os Fratellis eram os mafiosos
que importunavam a garotada no filme Goonies. Mas a referência pára
por aqui. Jon (guitarra e vocais), Mince (bateria) e Barry (baixo) são
crias do britpop, movimento liderado por grupos como Blur e Oasis no início
da década passada. Dessas bandas, os Fratellis imitam desde o jeito petulante
e a dicção arrastada (Jon é adepto da escola Liam Gallagher
de mastigação de palavras) até as guitarras no último
volume. Costello Music, disco de estréia do trio, foi considerado
um dos melhores lançamentos de 2006. Boa parte dessa adoração
se deve às letras bem-humoradas, como as de Henrietta e Ole Black'n'Blue
Eyes.
Divulgação
Guillemots:
toque brasileirinho
Trough
the Windowpane, Guillemots (Universal) Esse é o disco de
estréia do grupo londrino Guillemots, depois de uma série de EPs.
Fyfe Dangerfield, pianista, vocalista e líder da banda, usa de sua formação
como instrumentista erudito para criar canções que vão do
lirismo do R.E.M. ao experimentalismo da cantora islandesa Björk. Com um
toque de brasilidade, provavelmente trazido pelo guitarrista MC Lord Magrão,
que é paulistano de origem. Duas faixas têm referência direta
ao país. Trains to Brazil é um protesto contra o assassinato
do brasileiro Jean Charles de Menezes numa estação de metrô
de Londres. São Paulo é um épico de doze minutos que
termina num sambinha com sotaque gringo.
LIVROS
Corrida
do Membro, de Ubiratan Muarrek (Objetiva; 256 páginas; 32,90 reais)
Imagine o seriado Sex and the City feito sob a ótica dos
homens. Obra de estréia do jornalista e publicitário Ubiratan Muarrek,
Corrida do Membro é mais ou menos isto: um retrato humorístico
do que se poderia chamar de mercado sexual contemporâneo. O cenário
do romance inclui todos aqueles lugares em que os homens buscam aventuras eróticas:
bares, restaurantes da moda, festas, hotéis com exóticos motivos
tropicais e até sites de pornografia na internet. O anti-herói
da história é Gerard. Recém-divorciado, ele busca usufruir
sua nova liberdade, mas só consegue experiências desconcertantes
com mulheres esquisitas. Em tempo: a expressão "corrida do membro" diz
respeito a uma posição sexual descrita no Kama Sutra na qual
o domínio é da mulher.
O
Mar, de John Banville (tradução de Maria Helena Rouanet;
Nova Fronteira; 224 páginas; 29,90 reais) O mar que dá título
ao livro está presente na cidadezinha litorânea em que o protagonista,
o historiador da arte Max Morden, passou um verão na infância e à
qual retorna depois que sua mulher, Anna, morre de câncer. Mas o mar funciona,
sobretudo, como uma metáfora da memória, que nesse romance também
se movimenta em ondas, à medida que Max relembra, por exemplo, sua relação
com a família rica que conheceu numa temporada de praia, quando menino.
A narrativa às vezes transita do presente para o passado de uma frase para
outra, feito que Banville realiza com grande apuro estilístico. O Mar
ganhou o prestigiado Man Booker Prize de 2005 e o prêmio foi
merecido. Leia
trecho.
"VEJA publicou em sua edição de
número 1 944, com data de 22 de fevereiro de 2006, um texto intitulado
'O mais vendido', no qual consta a informação de que o jornalista
Leonardo Attuch, editor das revistas IstoÉ Dinheiro e Dinheiro
Rural, estaria devendo satisfações às autoridades policiais.
Em um episódio pretérito, a respeito do 'caso Kroll', o nome do
jornalista foi citado como autor de determinadas reportagens, mas ele jamais foi
denunciado ou indiciado pelas autoridades que investigaram tal assunto. O livro
publicado por ele, intitulado A CPI que Abalou o Brasil, editado pelo selo
Futura, do grupo Siciliano, teve seu volume de vendas alterado, o que mereceu
sua exclusão da lista de 'Mais Vendidos' da revista VEJA. O relato da Siciliano
exime o jornalista Leonardo Attuch do episódio. O jornalista também
jamais foi indiciado pela Polícia Federal ou por qualquer outra autoridade
policial pela prática de qualquer tipo de delito."