BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2004

18 de abril de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Millôr
Stephen Kanitz
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Auto-retrato: Jeb Bush
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Televisão
Pequeno príncipe, sempre

Sucesso da jovem guarda, o bom-moço Ronnie Von
se reinventa na TV e tem suas músicas redescobertas

Lailson Santos
Ronnie nos tempos de psicodelia (no detalhe) e em sua casa no Morumbi: "Minha estrela precisava de um polimento. Agora voltou a brilhar"


Na década de 60, o fluminense Ronnie Von era chamado de "pequeno príncipe". O apelido – que teria sido dado pela apresentadora Hebe Camargo – surgiu não apenas porque ele era rival de Roberto Carlos, o "rei" do iê-iê-iê, mas também porque era um rapaz muito bonzinho. Passadas quatro décadas, Ronnie Von, 62 anos, já não tem uma carreira musical. O bom-mocismo, no entanto, ainda lhe rende dividendos. De segunda a sexta, entre as 22 horas e a meia-noite, ele apresenta na TV Gazeta o programa Todo Seu. O sinal da Gazeta é transmitido quase que exclusivamente para São Paulo e a atração registra uma média de 2 pontos de audiência. Mas não faltam empresas dispostas a fazer merchandising com Ronnie Von, de tal forma que ele pode embolsar até 150 000 reais por mês. O apresentador é considerado um bom garoto-propaganda. Ele atrai um público formado, sobretudo, por mulheres de mais de 35 anos das classes A e B. Elas apreciam suas dicas de etiqueta, sua conversa sobre vinhos e gastronomia, seu "charme maduro" e sua polidez extrema. Quase rococó.

Ronnie Von tem raízes portuguesas. Seu nome real é Ronaldo Lindenberg Von Schilgen Cintra Nogueira. Seu pai era diplomata e trazia para o filho, do exterior, novidades musicais. Diz a lenda que a vitrola de Ronnie tocou o primeiro disco dos Beatles a chegar ao Brasil. "Todo mundo ia lá em casa para ouvir as obras-primas", conta ele. Foi com a versão de uma música dos Beatles, Meu Bem, que a carreira do rapaz deslanchou, em 1966. A gíria não existia na época, mas durante algum tempo Ronnie Von foi mais "descolado" que a turma da jovem guarda. Ele ganhou um programa na TV Record, O Pequeno Mundo de Ronnie Von, cuja banda de apoio era formada por dois cabeludos e uma moça sardenta – os irmãos Batista e Rita Lee, que em breve fundariam os Mutantes. Em 1967, o poeta Vinicius de Moraes, também diplomata e amigo de sua família, lhe ofereceu a canção Por Você, aproveitada na trilha sonora do filme Garota de Ipanema. No mesmo ano ele gravou seu segundo disco, radical e psicodélico, no qual cantava em meio a ruídos e arranjos do maestro vanguardista Damiano Cozzella. Foi um desastre comercial, que fez mal a Ronnie Von. Dali em diante ele se agarrou a um repertório convencional. No fim dos anos 70, rasgava o coração em pérolas como Tranquei a Vida e Cachoeira. Virou brega, e assim ficou.

A estréia de Todo Seu, dois anos atrás, representou para Ronnie Von a chegada de uma nova fase de bonança. "O Emerson Fittipaldi me disse certa vez que a estrela da gente nunca apaga. No máximo, ela precisa ser polida. A minha voltou a brilhar", diz ele. Não é só o dinheiro no bolso. Ronnie Von voltou a desfrutar um certo prestígio nos meios musicais, por dois motivos. Primeiro, seu programa é visto como uma boa plataforma para divulgar artistas de música brasileira. "Eu me apresentei no programa dele e tive uma resposta ótima. Consegui meu emprego atual", diz a cantora Ana Cañas, titular do microfone de uma das casas noturnas mais caras de São Paulo. Além disso, a gravadora Universal resolveu reeditar os três discos do cantor. Há todo um time de jovens roqueiros que regrava as velhas músicas de Ronnie, com espírito meio jocoso, meio de homenagem. O filho mais novo do apresentador, por sinal, é roqueiro. Leonardo, de 18 anos, nasceu no terceiro casamento de Ronnie Von. Sua mãe, Cristina, é onze anos mais nova que Ronnie e gritava histericamente pelo "pequeno príncipe" nos tempos do iê-iê-iê. Segundo ela, o marido não gostou muito de ter filho guitarrista. "Eles brigaram um pouco. Ronnie só aceitou a banda depois que Leonardo prometeu fazer uma faculdade." Leonardo prefere o Kiss aos discos do pai.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |