Por
20 votos a 1, um comitê de especialistas da FDA, a agência americana
de controle de remédios, declarou-se contrário à aprovação
do antiinflamatório Arcoxia, do laboratório Merck Sharp & Dohme.
A decisão praticamente significa o veto à venda do medicamento nos
Estados Unidos. Desde que outro antiinflamatório, o Vioxx, foi retirado
do mercado pelo próprio fabricante, em 2004, a FDA está sob pressão,
acusada de negligência. Um estudo associou o consumo do Vioxx a um aumento
nos riscos de infartos e derrames. Como o Arcoxia pertence à mesma classe
dos inibidores da enzima COX-2, isso pesou na decisão dos especialistas
americanos. Segundo o comitê, a liberação do Arcoxia poderia
causar 30.000 infartos por ano nos Estados Unidos. Para que um remédio
de uma classe já existente receba o aval da FDA, é preciso que ele
se mostre mais seguro ou eficaz do que seus primos-irmãos. Não é
o caso do Arcoxia, de acordo com os especialistas da agência americana.
O Arcoxia é indicado, principalmente, para osteoartrite, artrite reumatóide
e dores agudas e crônicas. Lançado no início desta década,
é vendido em 63 países. No Brasil, ele lidera a lista dos antiinflamatórios
mais prescritos pelos médicos. O fato de o comitê da FDA ser contra
a aprovação do Arcoxia não quer dizer que o remédio
seja mais perigoso do que os outros antiinflamatórios à venda
inclusive os de outras classes. Os estudos comparativos mostram que todos eles
comportam alguns perigos. Se há uma conclusão a tirar dos episódios
do Vioxx e, agora, do Arcoxia, é que antiinflamatório não
é para ser ingerido como água com açúcar. "Esse tipo
de remédio só deve ser consumido em casos muito específicos",
diz o reumatologista Daniel Feldman, da Universidade Federal de São Paulo.