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Edição 2004

18 de abril de 2007
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Saúde
Lá, não

Comitê desaprova o Arcoxia no mercado americano

Por 20 votos a 1, um comitê de especialistas da FDA, a agência americana de controle de remédios, declarou-se contrário à aprovação do antiinflamatório Arcoxia, do laboratório Merck Sharp & Dohme. A decisão praticamente significa o veto à venda do medicamento nos Estados Unidos. Desde que outro antiinflamatório, o Vioxx, foi retirado do mercado pelo próprio fabricante, em 2004, a FDA está sob pressão, acusada de negligência. Um estudo associou o consumo do Vioxx a um aumento nos riscos de infartos e derrames. Como o Arcoxia pertence à mesma classe dos inibidores da enzima COX-2, isso pesou na decisão dos especialistas americanos. Segundo o comitê, a liberação do Arcoxia poderia causar 30.000 infartos por ano nos Estados Unidos. Para que um remédio de uma classe já existente receba o aval da FDA, é preciso que ele se mostre mais seguro ou eficaz do que seus primos-irmãos. Não é o caso do Arcoxia, de acordo com os especialistas da agência americana. O Arcoxia é indicado, principalmente, para osteoartrite, artrite reumatóide e dores agudas e crônicas. Lançado no início desta década, é vendido em 63 países. No Brasil, ele lidera a lista dos antiinflamatórios mais prescritos pelos médicos. O fato de o comitê da FDA ser contra a aprovação do Arcoxia não quer dizer que o remédio seja mais perigoso do que os outros antiinflamatórios à venda – inclusive os de outras classes. Os estudos comparativos mostram que todos eles comportam alguns perigos. Se há uma conclusão a tirar dos episódios do Vioxx e, agora, do Arcoxia, é que antiinflamatório não é para ser ingerido como água com açúcar. "Esse tipo de remédio só deve ser consumido em casos muito específicos", diz o reumatologista Daniel Feldman, da Universidade Federal de São Paulo.

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