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18 de abril de 2007
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Educação
O pior da turma

Economistas dizem que o Brasil vai mal na
educação por um motivo: falta pensar no futuro


Camila Antunes

 

Maira Soares/Folha Imagem
Escola pública: a qualidade do ensino é assunto secundário

Cinco décadas separam a educação brasileira da de países emergentes como a China e a Coréia. A comparação com os países ricos coloca o Brasil em situação ainda mais constrangedora: nesse caso, o atraso é de 120 anos. O que falta aos brasileiros é uma visão de longo prazo sobre o problema, afirmam os economistas Eduardo Giannetti da Fonseca e o irlandês Dan O'Brien, especialista em nações emergentes. A velha ineficácia do país em oferecer bom ensino será o ponto de partida para uma palestra que os dois economistas farão na próxima quinta-feira, a convite da Fundação Lemann (do ex-banqueiro Jorge Paulo Lemann), em São Paulo. Ao estudar as raízes do fracasso brasileiro, Giannetti detectou um padrão comum às autoridades que deram as diretrizes à educação ao longo dos séculos, nos vários níveis de governo: a mentalidade predominante sempre foi perseguir resultados imediatos aos investimentos na escola – sem focar em medidas cujos efeitos positivos pudessem se dar depois da troca de poder. Isso explica o fato de parte do orçamento para a educação ter se esvaído em obras. Diz Giannetti: "No Brasil, encara-se a educação como um problema de construção civil: as autoridades competem para saber quem mandou erguer a escola mais vistosa".

A experiência de países onde a educação funciona, segundo Dan O'Brien, reforça a idéia de que as escolhas brasileiras têm passado longe do que de fato importa a um bom ensino: metas acadêmicas, professores capazes de executá-las e um sistema preparado para cobrar os resultados. É um conjunto aparentemente simples, mas que só foi alcançado por países que, ao contrário do Brasil, souberam canalizar os recursos às (menos visíveis) questões pedagógicas – e esperar pelos resultados ao longo de décadas. Um bom exemplo, de acordo com O'Brien, vem de seu país de origem, a Irlanda. Na década de 70, quando os irlandeses atolavam num índice de analfabetismo de 35%, os líderes dos três maiores partidos políticos sentaram-se à mesa para estabelecer metas detalhadas a ser cumpridas em sala de aula nas décadas seguintes. O tal "pacto para o ensino", como ficou conhecido, sobreviveu a quatro trocas de presidente e alçou a Irlanda a modelo de boa educação. O Brasil, por sua vez, continua a ser lembrado por um mau motivo: é o pior da turma nas comparações internacionais.

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