Sede da Procuradoria-Geral do Trabalho
custará
130 milhões de reais e já tem irregularidade
Julia Duailibi
Ana Araujo
As obras em curso e a maquete
do prédio: você paga outra vez
No início
da década, o país assistiu à novela do
superfaturamento das obras do Tribunal Regional do Trabalho
em São Paulo. Nela, o protagonista era um juiz corrupto
com apelido de chanchada, o "Lalau", e o fio condutor, o desvio
de uma centena de milhões de reais. Na semana passada,
uma história parecida começou a tomar corpo
em Brasília. A Procuradoria-Geral do Trabalho pediu
à Procuradoria-Geral da República a abertura
de investigação criminal para apurar "prática
delituosa" e "erros na execução de contratos"
relativos à construção de sua própria
sede. "Por sermos procuradores, temos de ser duplamente mais
zelosos com a aplicação dos recursos públicos",
declarou a procuradora-geral do Trabalho, Sandra Lia Simón.
Esse zelo deveria ter alcançado o período anterior
ao lançamento das fundações do prédio.
Trata-se, afinal
de contas, de outro elefante branco pago com o dinheiro do
contribuinte: uma construção que, orçada
inicialmente em cerca de 20 milhões de reais, custará
130 milhões de reais ao Erário. Ela terá
56 000 metros quadrados e abrigará, a princípio,
476 funcionários. Não, não falta um zero
nesse número. A nova sede da Procuradoria do Trabalho
terá uma densidade demográfica equivalente à
do Palácio de Versalhes de Luís XVI e Maria
Antonieta. Como não há guilhotina no Brasil
para os representantes do estado perdulário, o valor
do metro quadrado construído 2.320 reais
é mais caro que o de gigantescos empreendimentos de
luxo prestes a ser erguidos em São Paulo, como o Shopping
Vila Olímpia.
Ed Ferreira/AE
Lalau, o pau para toda obra
do TRT em São Paulo: a farra com o dinheiro público é
uma história sem fim
A Versalhes dos
procuradores exibirá a forma modernosa de um autorama.
Contará com oito andares, três deles subsolos
de garagem, vagas para 664 carros, três auditórios,
nove elevadores, câmara frigorífica, cozinha
industrial e pisos de granito. É claro que uma gastança
dessas despertaria o apetite dos corruptos. De acordo com
investigações internas da Procuradoria do Trabalho,
há indícios de compras superfaturadas e de emissão
de notas fiscais referentes a serviços não prestados.
Dos três contratos firmados para a execução
da obra, dois têm digitais suspeitas: o da MHA Engenharia,
responsável pela fiscalização da obra,
e o da Delta Construções, vencedora da licitação
para executar o projeto. A Delta já foi acusada de
irregularidade em contratos com o Ministério dos Transportes
e chegou a apresentar documentos falsos para participar da
licitação da Operação Tapa-Buraco
realizada no ano passado nas rodovias federais. O desvio de
conduta é tão flagrante que dois funcionários
da Procuradoria do Trabalho, responsáveis pelo departamento
de obras, foram exonerados de seus cargos há quinze
dias. Agora só falta descobrir se há um Lalau
nesse angu.