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Indefinível incerto
inexato vago emaranhado
Há mais
de uma década escrevendo na imprensa, sempre me disseram,
os que me disseram, que me admiravam, os que me admiravam,
mas não me entendiam (quase todos). Admirado, no sentido
de perplexo, procurei, centenas de vezes, descobrir quem eu
era e o que fazia neste perfeito mundo profissional de vocês
todos. Aqui vão algumas dessas tentativas de auto-entendimento.
Ou autotapeação.
Cego descrevendo
o arco-íris.
Professor de catolicismo
protestante pela sinagoga islamita do Meyer.
Catedrático
de retífica intelectual irracional e comprometida.
O exato.
O que saltou da
barca, de noite, em alto-mar
Professor de espeleologia
de superfície.
Professor de martíni
seco duplo pela universidade abstêmia do Meyer.
Professor de bico-de-pena
a óleo.
Escritor de capa
e espada sem capa nem espada.
Eclesiástico
sem batina, especialista em herética.
Surdo crítico
musical.
Conseqüência
em busca de causa.
Único humorista
subliminar do mundo.
Anodominereverteribus.
Medalha de ouro
no concurso para ele mesmo.
Professor de reticências
afirmativas pela universidade definitiva do Meyer.
Catedrático
em pureza virginal nos motéis de Brasília.
Tato em busca de
sensações.
Cão simbólico,
buldogue ocasional.
Professor de covardia
recíproca e intemerata.
Dito, o bem-amado.
Anjo distraído
passeando em Sodoma.
Mente sã,
em camisa-de-força.
Anêmico doando
sangue.
Coração
a serviço do fígado.
Cientista tirando
cara ou coroa.
Sherlock Holmes
seguindo as pegadas de um passarinho.
Escravo escravocrata.
Expulso de Emanuel
Vão Gôgo e Milton Viola por incompetência
onomástica.
O que regressou
de onde nunca esteve.
Último envidraçado
vizinho da pedreira.
ONG financiada
pelo mensalão.
Professor de geriatria
bem moça pela universidade gagá do Meyer.
Um lídimo
a soldo da contrafação.
Um rato que afunda
com o navio.
Um extinto muito
vivo.
Recato completamente
nu, na Playboy.
Linha
curva em busca de paralela.
Foz bancando nascente.
Matéria
em busca de prospecção.
Professor de esquizofrenia
heróica pela universidade panfletária do Meyer.
Reta em ziguezague.
Um indício
à cata do detetive.
Vatel servindo
média.
Antropófago
vegetariano.
ENFIM UM ESCRITOR
SEM ESTILO!
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