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Edição 2004

18 de abril de 2007
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Cartas

 

"Há tanta ternura na imagem dessa capa que me causa inveja essa inconsciência do que está por vir."
Ivani Mandelli
Santo André, SP

 

Aquecimento global

Nós, simples mortais, nos sentimos impotentes ante esse terrível desequilíbrio ambiental. Que dizer dos magníficos animais que aparecem na capa? Essa é a mais bela e dramática reportagem já exibida por VEJA ("A fronteira final", 11 de abril). Senti-me comovida e ao mesmo tempo angustiada com o seu desenrolar. Confiamos na habilidade e inteligência do homem, que contribuiu para o aquecimento global, para agora descobrir uma maneira de estancar o derretimento do gelo polar.
Ana Marisa de Oliveira Costa
Dourados, MS  

Gostaria de parabenizá-los pela reportagem sobre o aquecimento global, seus efeitos nos pólos e as conseqüências de tais efeitos. A informação e a divulgação do conhecimento já produzido são de vital importância para que se desenvolvam ações visando a reduzir emissões. A Comissão Mista Especial do Congresso Nacional para Mudanças Climáticas, da qual tenho a honra de ser presidente, tem trabalhado fortemente em busca de soluções legislativas para o problema do aquecimento global, bem como vem fiscalizando e monitorando as ações desenvolvidas pelo governo e por outras instituições engajadas nessa luta. Acredito que, por meio do bom trabalho que a imprensa vem realizando, juntamente com a sociedade e o governo focados em ações mitigadoras, poderemos obter um resultado positivo diante dessa situação que assola o planeta e que muito pode afetar nosso país.
Eduardo Gomes
Deputado federal (PSDB-TO) e presidente da Comissão Mista Especial para as Mudanças Climáticas
Brasília, DF  

Muito oportuna a reportagem, tratando o assunto com riqueza nos textos e ilustrações. O aquecimento global não pode ser negligenciado por nossa sociedade, assim como as demais questões ambientais, mas o alarmismo exagerado com o qual essas questões vêm sendo comumente veiculadas não trará nenhum resultado prático. As observações de Okky de Souza em sua reportagem ("Todo mundo quer ajudar a refrescar o planeta") foram magníficas. Parabenizo o jornalista pela abordagem lúcida e objetiva com que a matéria foi conduzida. Juntamente com artigos científicos sobre esse tema, levarei a reportagem de VEJA à sala de aula para discussão, como já tenho feito com outras matérias publicadas na revista.
Antonio Carlos Beaumord
Professor de ecologia e avaliação de impactos ambientais
Universidade do Vale do Itajaí
Itajaí, SC  

Tenho utilizado essa revista em sala de aula há muito tempo, mas ultimamente mais que nunca, pois a questão ambiental jamais foi tão debatida e nunca foi tão fácil ser professora de geografia. Sempre que sai uma reportagem como essa, aparecem em sala vários alunos com a revista e a utilizamos como base de trabalhos e debates. VEJA tem sido um grande recurso didático para a geografia. Continuem sendo sérios!
Penha Maria Simonato Tosato
Castelo, ES  

Por várias vezes vi na revista VEJA fotos de admiráveis ursos-polares. São meus animais preferidos! Magníficos, sobrevivem em condições extremas e têm todo o meu respeito. Mas durarão pouco entre nós... Não bastasse a acentuada redução anual na camada do gelo, o governo canadense continua a liberar a matança de focas, fonte de alimento essencial aos ursos. Mas o que eu realmente gostaria de dizer é que a capa de VEJA desta semana é uma das fotos de animais mais desoladoras que já vi.
Sérgio Trés
Brasília, DF  

Por um lado comemoramos a venda recorde de automóveis no Brasil e invejamos o crescimento de Índia e China, por outro devemos ver esses fatos como agravantes do efeito estufa. Como vamos conciliar esses desafios? A economia mundial precisa de crescimento constante, que provavelmente em algum momento não será mais possível. Quais são as conseqüências em um mundo com população crescente, mesmo que à força de calor e falta de água?
Sérgio Marchió

Mineiros, GO

 

Tarso Genro

Excelente a entrevista com o ministro Tarso Genro (Amarelas, 11 de abril). O jornalista Otávio Cabral fez as perguntas certas, que a maioria dos brasileiros gostaria de fazer. Havia muito tempo não lia uma entrevista na qual uma autoridade estivesse sempre "encurralada" pelas perguntas do entrevistador! Parabéns.
Porfirio Junior
Santa Cruz do Capibaribe, PE  

O novo ministro da Justiça do governo Lula se revelou um homem muito inteligente e sensato, bem diferente da Matilde "Racial" e do Waldir "Aéreo" Pires. Gostei de tudo o que ele disse em relação à defesa da democracia e ao não-aparelhamento das instituições, em especial da Polícia Federal. Confesso que fiquei bastante aliviado. Resta saber se Tarso Genro não estava com uma das mãos fazendo figa.
José Antonio Rodrigues Agostinho
Maringá, PR  

Precavendo-me da inocência infantil, apiedo-me da simplista estratégia do ministro Tarso Genro ao asseverar que "não há mais nenhum grupo no PT que defenda um projeto socialista compatível com a supressão das liberdades, com uma visão de dominação de classes, de estado classista". Para não desacreditar do palavreado do ministro, uma de duas hipóteses me ocorre: ou sua excelência foi acometido de abrupta amnésia, ou a falácia da "refundação" do PT transformou o partido na nova Ordem dos Petistas Franciscano-Carmelitas Arrependidos.
Geraldo Duarte

Fortaleza, CE  

É incrível a mudança pela qual o PT vem passando. Serão verdadeiros os sentimentos e as palavras de nosso novo ministro da Justiça? Ele afirma ter nascido leninista, ter se desenvolvido "mandelista" e se encontrado em Bobbio. Oxalá nosso renovado pensador consiga colocar em prática seus mais novos fundamentos políticos. Ou quem sabe não se trata de discurso, como tantos outros, para arregimentar simpatizantes, objetivando uma futura virada de mesa rumo a mais uma reeleição?
Valter Vicenzi
Caxias do Sul, RS  

O senhor Tarso Genro, atualmente ministro da Justiça, faz afirmativas que soam como retóricas, ou mesmo levianas, ao dizer que não há risco para isso ou chance para aquilo, quando perguntado pelo repórter sobre assuntos que preocupam a sociedade. Ele, como o povo brasileiro, sabe que está ministro por interesses de determinado esquema; que ele é, apenas, o porta-voz desse esquema; e que acontecerá nesse ministério o que esse esquema quiser... Por isso, a possibilidade de a Polícia Federal tornar-se um instrumento de perseguição política ou outros atos semelhantes existe! E essa será a "espada de Dâmocles" que pairará sobre a cabeça da oposição e/ou dos adversários políticos do esquema montado para apoiar o governo Lula.
João Márcio de Carvalho Rios
Lavras, MG

 

Crise aérea

Lendo a reportagem "Voando às escuras" (11 de abril), sobre o caos aéreo, senti-me envergonhada com as atitudes tomadas pelo presidente Lula. A cada dia que passa esse senhor demonstra mais e mais sua incapacidade para comandar o destino da nação. Atitudes rápidas, pulso firme e coerência parecem não fazer parte do dia-a-dia do senhor Lula. Como cidadã brasileira, faço a mesma pergunta que fez aquela turista argentina: Onde estão "a ordem e o progresso" que são o lema de nossa bandeira?
Jane Fernandes da Silva Morucci
São Paulo, SP  

Em relação ao quadro "A letargia diante do caos", que ilustra a reportagem "Voando às escuras", a TAM reafirma que os problemas relativos ao período de 20 a 24 de dezembro refletiram uma conjunção de fatores, como divulgado sucessivas vezes por executivos da empresa: vôos alternados em função da meteorologia, manutenção corretiva em seis aeronaves em localidades distintas e quedas sucessivas de sistema de check-in no Aeroporto Tom Jobim/Galeão. O relatório de auditoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), realizado com o objetivo de aprofundar a análise anteriormente feita pela própria agência para apurar fatos daquela ocasião, ratifica as explicações fornecidas pela empresa. A TAM recebeu os técnicos da Anac com transparência em todas as áreas solicitadas, durante os últimos dois meses, e acredita que as conclusões do relatório esclarecem quaisquer dúvidas em relação aos fatos noticiados.
Anahi Guedes
Gerente de comunicação corporativa da TAM
São Paulo, SP  

Ótima a reportagem "O jogo sujo que assusta os pilotos" (11 de abril). Voar no espaço aéreo brasileiro virou uma tormenta e atividade de risco, ainda mais quando deparamos com a informação de que controladores de vôo passaram a lançar mão da sabotagem como forma de demonstrar insatisfação com suas condições de trabalho. Todas as categorias profissionais têm direito de reivindicar melhorias, garantias e aumento de salário. O que não é aceitável é esse tipo de jogo sujo que tem sido relatado por pilotos de companhias aéreas nacionais e estrangeiras, que recebem informações falsas na cabine de comando. Como passageiro, digo que esse tipo de transgressão é muito grave e condenável e deveria ser apurado com seriedade pelas autoridades brasileiras.
Flávio de Mattos Boechat Poubel
Niterói, RJ  

Aos amotinados, a nossa compaixão. Que respondam por seus crimes e que se lhes dê a baixa. Que se faça esse "favor" ao Sistema de Proteção ao Vôo (SPV), aos seus usuários, à Força Aérea e a eles mesmos. O Brasil agradece. Gerações de controladores de vôo que antecederam os amotinados também choram, mas por razões nobres, ao vê-los desonrar o legado da abnegação, moldada na ética e no brio do soldado controlador de vôo. Cabe, no entanto, reconhecer as nossas mazelas gerenciais. Onde estavam, por exemplo, os "chefes" do sargento Edleuzo enquanto ele se dedicava ao associativismo classista, atividade vedada aos militares? O que, com toda a certeza, fazia com prejuízo da atividade para a qual era pago. Em favor dele e dos ingênuos que o seguiram conceda-se a atenuante de estarem rezando pela cartilha do "comandante-em-chefe" e, lembrando Sun Tzu, não cabe punição só ao soldado quando a falta decorre da tibieza e da inépcia dos chefes.
Aberaldo Luiz Raffs Machado
Major da reserva da FAB
Florianópolis, SC  

Como militar que sou, é lamentável ver a situação do sargento Edleuzo Souza Cavalcante. O único crime desse militar foi lutar por melhores condições de trabalho e por uma remuneração digna da responsabilidade que ele e seus colegas possuem. O engraçado é que as reivindicações de toda a classe dos militares/controladores já vêm de anos, sendo que os ministros da Aeronáutica nunca deram a atenção necessária a elas. Agora, quando se trata de punir seus subordinados, o ministro da Aeronáutica é rápido, recorrendo até ao presidente da República.
Joel Specht
Porto Alegre, RS  

Sou controlador de tráfego aéreo – por sinal, estou na foto em que aparecem os "amotinados de Manaus" – e escrevo para mostrar minha indignação. Vamos ser justos e publicar um relato da classe. Vocês estão marginalizando uma classe de profissionais na qual 99% adoram o que fazem, mas estão querendo cair fora.
Lisandro Koyama
Por e-mail

 

Cantoras brasileiras

É bom ter uma reportagem como "A nação das cantoras" (11 de abril) e ver a evolução e a renovação com as espetaculares intérpretes. Recentemente fiquei surpreso com Thaís Gulin. Não via nada igual havia muito tempo.
Washington Fiuza
São Paulo, SP

Não acho correto classificar Elis Regina, a maior cantora do Brasil, somente com a característica de interpretação emocional. Na visão de muitos críticos, Elis privilegiava exageradamente a técnica, buscando a perfeição. Até mesmo quando cantava com fortes doses de emoção, tinha uma técnica insuperável!
Ronaldo Spagnuolo
Belo Horizonte, MG

 

Desmatamento no Acre

Sempre citei o Acre como exemplo de responsabilidade com a floresta. Lembro-me da polêmica de 2003, quando o ex-governador Jorge Viana garantiu que os números que tinha em mãos provavam que, com ele no governo, o desmatamento em seu estado só diminuiu. Foi fácil acreditar nele, pois o Inpe também garantia que o desmatamento estava em queda no "governo da floresta". Na semana passada, VEJA reapresentou o caso com solidez inabalável ("E agora, Viana?", 11 de abril). Fiz questão de acessar o site do Imazon. Definitivamente, o "governo da floresta" falhou no seu objetivo. Olhando o gráfico que mostra as taxas anuais de desmatamento, é evidente o impacto da primeira notícia publicada por vocês, em 2003. Espero que os políticos acreanos parem de negar o que é fato e cuidem melhor da floresta que os elegeu.
Daniel Pires da Costa Jr.
Barcelona, Espanha

 

Açaí

Muito boa a reportagem sobre os negócios com o açaí no mercado americano ("O açaí na trilha do kiwi", 11 de abril). Somos especialistas em frutas amazônicas e temos acompanhado o crescimento da demanda americana a partir de 2004. Nosso maior obstáculo é a falta de empresas comprometidas com padrões internacionais de higiene alimentar e qualidade de processamento, o que obriga as empresas americanas a iniciar o seu próprio processamento no Brasil. Alia-se a isso a total ignorância por parte dos consumidores brasileiros sobre a perecibilidade do fruto e seu processo de produção. Os brasileiros dão prioridade a produtos de preço baixo e não àqueles de qualidade. Assim, são vendidos produtos não pasteurizados no mercado nacional. Precisamos mudar nossa percepção sobre as frutas da Amazônia, principalmente o açaí.
Fernanda Stefani

Gerente-geral da Brasil Earth Fruits
Belém, PA

 

População

O Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná (Sinpacel) gostaria de parabenizar VEJA pela excelente e oportuna reportagem "Eles querem desmiscigenar o Brasil" (4 de abril). Os direitos dos proprietários de terras que investem e trabalham vêm sendo sistematicamente ameaçados, gerando insegurança, desestímulo e incredulidade diante de atos tão abusivos. Estamos certos de que o país necessita de uma reforma agrária adequada, mas não podemos concordar com atos inconstitucionais, invasões e desrespeito à justiça e à ordem constituída.
Odair Ceschin
Presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná
Curitiba, PR

 

CORREÇÃO: Quem recebe, após vinte anos de trabalho, 300 reais a mais que um novato em fase de estágio é um controlador de vôo, e não um instrutor, como informou o quadro "Tensão na torre", da reportagem "O estopim do motim" (11 de abril).

 

 

QUESTÃO DE BOM SENSO

A Assembléia Legislativa do estado de Mato Grosso enviou uma moção de congratulação à redação de VEJA, parabenizando o editor da revista, Roberto Civita, pela publicação da reportagem "Made in Paraguai" (14 de março). Para o autor da carta, o deputado José Riva, do Partido Progressista, a denúncia do jornalista José Edward, sobre a tentativa da Funai de demarcar uma área de Santa Catarina para índios paraguaios, foi "um ato de muita coragem". "No nosso estado temos exemplos diversos de ações da Funai que contrariam o bom senso", destacou o deputado. Sobre o quadro "O vale-tudo da Funai", que cita a ampliação duvidosa das regiões de Mato Grosso ocupadas pelas etnias caiabi, xavante e chiquitano, o deputado Riva disse que "existe uma vontade da Funai de proteger os índios mesmo onde eles nem sequer existem, além de transformar em indígenas aqueles que não o são". Assim, ele sugere que a sociedade se mobilize e debata a questão de forma séria, como merece ser tratada.



AOS ''VICIADOS'' EM E-MAIL

Compulsão por e-mails foi o assunto em destaque na reportagem "A doença da conexão" (28 de março). As informações apresentadas por VEJA chamaram a atenção da professora Rosa Maria Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática (NPPI), na clínica psicológica da Faculdade de Psicologia da PUC-SP. "Desde 1995, o NPPI vem se dedicando ao estudo dos efeitos gerados pelo uso das novas tecnologias sobre o cotidiano humano. Nosso grupo de psicólogos oferece uma modalidade pioneira de orientação psicológica via e-mail, especialmente dirigida às pessoas que apresentam dificuldades derivadas do uso da informática, dentre as quais se destacam as várias formas de emprego patológico desses recursos, podendo elas ser caracterizadas como dependência ou uso compulsivo (vício), fobias, ou ainda stress e ansiedade pela imposição do uso profissional dos computadores e das novas tecnologias em geral", informou a professora Rosa. O serviço é realizado gratuitamente e aberto à população. Orientações e informações específicas do trabalho no NPPI estão em http://www.pucsp.br/nppi/



OS TIROS QUE CALARAM PAULO BRANDÃO

 

O leitor Paulo Brandão Cavalcanti Neto, advogado no Recife, Pernambuco, informou à redação que, em uma recente decisão unânime, o Tribunal de Justiça da Paraíba determinou que o governo indenize sua família em 400 000 reais pela responsabilidade do estado no assassinato de seu pai, o jornalista e empresário Paulo Brandão Cavalcanti Filho, em dezembro de 1984. Na época, o caso teve grande repercussão na mídia pela suspeita de envolvimento do ex-governador Wilson Braga no crime, já que o empresário foi executado pouco depois de o jornal Correio da Paraíba, de sua propriedade, publicar denúncia de irregularidades administrativas no governo paraibano. VEJA publicou algumas reportagens sobre o caso – uma delas, em dezembro de 1985, quando o laudo da Polícia Federal indicou que os 34 tiros que executaram Paulo Brandão saíram de uma metralhadora da Secretaria de Segurança Pública do estado da Paraíba. A arma estava sob a guarda do então chefe da Casa Militar, coronel Alencar, anos depois condenado pelo crime com outros três policiais militares. A íntegra da decisão está no site do Tribunal de Justiça do estado da Paraíba (www.tj.pb.gov.br).

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