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Auto-retrato Jeb
Bush John Ellis Bush é neto de um
senador, filho de um ex-presidente e irmão do atual presidente americano.
Jeb, como é conhecido, terminou em janeiro seu segundo mandato como governador
da Flórida. Aos 54 anos, ele visita o Brasil nesta semana para um debate
na condição de co-presidente da Comissão Interamericana de
Etanol. Ele falou à repórter Denise Dweck. COM
SUA BAIXA POPULARIDADE, GEORGE W. BUSH ESTÁ DESPERDIÇANDO O LEGADO
POLÍTICO DA FAMÍLIA BUSH? Ele não desperdiçou
nada. O presidente Bush está servindo os Estados Unidos com honra, corajosamente,
e a história vai tratá-lo de forma justa. Preocupar-se com pesquisas
de opinião é a última coisa que ele deve fazer. Estou orgulhoso
do meu irmão. O SENHOR
DIZ QUE NÃO QUER CONCORRER À PRESIDÊNCIA EM 2008. POR QUÊ?
Não é a hora certa para eu concorrer a alguma coisa. Nunca tratei
desse assunto, pois não queria prejudicar meu trabalho como governador.
Terminei meu mandato recentemente e estou muito feliz no setor privado. Estou
aproveitando bastante a minha casa em Miami, que adoro. O
SENHOR VÊ CONEXÃO ENTRE O ANTIAMERICANISMO NA AMÉRICA LATINA
E A POUCA ATENÇÃO DADA PELO GOVERNO BUSH À REGIÃO?
A América Latina não foi ignorada. Depois dos atentados de 11 de
setembro havia uma razão legítima para que a América Latina
recebesse menor atenção. Somos um país em guerra. O atual
esforço de diplomacia pessoal feito pelo presidente americano pode ajudar
a reduzir a percepção negativa entre os latino-americanos. A viagem
do presidente à América Latina mereceu reportagens positivas na
região. Não foram tão positivas nos Estados Unidos porque
a mídia americana é um tanto hostil ao presidente. Bush seria criticado
mesmo se encontrasse a cura do câncer. HUGO
CHAVEZ JÁ CHAMOU SEU IRMÃO DE "DIABO" E DE COISAS PIORES. COMO ELE
REAGE A ESSES INSULTOS? O presidente dos Estados Unidos não dá
importância a insultos pessoais. HA
12 MILHÕES DE IMIGRANTES CLANDESTINOS NOS ESTADOS UNIDOS, MUITOS DELES
BRASILEIROS. COMO TIRÁ-LOS DA ILEGALIDADE? Uma anistia total não
é apropriado. Há muitas pessoas na fila para entrar em nosso país
por meios legais. Em essência, as pessoas que entram ilegalmente nos Estados
Unidos são como aquelas que furam fila no cinema. É uma questão
de igualdade e justiça. Por outro lado, é legítimo criar
um caminho para a pessoa merecer a cidadania. Pagar impostos, por exemplo. Também
precisamos de um programa de trabalhadores temporários. A pessoa viria
para trabalhar e voltaria para seu país de origem ao fim de determinado
período. POR QUE O SENHOR
DECIDIU PARTICIPAR DA COMISSÃO INTERAMERICANA DE ETANOL? Por três
razões. Uma é o potencial que a iniciativa tem para melhorar as
relações entre o Brasil e os Estados Unidos. A segunda é
a preocupação com a economia e a segurança nacional pelo
fato de os Estados Unidos serem dependentes de fontes de energia de lugares cada
vez menos confiáveis, seja pela instabilidade, seja pela oposição
política aos Estados Unidos. A terceira razão é a preocupação
crescente com o ambiente. Fui governador de um estado que passou por oito furacões
em dois anos, em 2004 e 2005. Naquela época, ficou claro que nós
estávamos muito dependentes de fontes de energia de fora da Flórida,
e era necessária uma nova estratégia. É
MELHOR SER DEPENDENTE DE PRODUTORES DE ETANOL QUE DE PETRÓLEO?
Com certeza. Mas não precisamos ser dependentes. A beleza do etanol é
que, no lugar de haver apenas algumas companhias de petróleo nacionais
ou líderes de países tomando decisões sobre a produção,
o que pode ter impacto na segurança nacional de nosso país, estamos
falando de milhares de fazendeiros que produzem álcool. Correríamos
menos risco ao produzir nosso combustível. E, observando o continente americano,
prefiro receber energia do Brasil a receber da Venezuela. |