Sabor
de alecrim
Filha de imigrantes portugueses, a canadense
Nelly
Furtado é a nova sensação da música
pop
Sérgio
Martins
Eric Johnson/Dream Works Records
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| Nelly:
influência de Tom Jobim e show com berimbau |
É
compreensível que, depois do imbróglio da vaca
louca, qualquer produto vindo do Canadá seja visto
com desconfiança pelos brasileiros. Mas existem motivos,
digamos, especiais para prestar atenção em Whoa,
Nelly!, disco de estréia da cantora Nelly Furtado.
Para começar, a moça é uma canadense
atípica. Filha de portugueses dos Açores que
emigraram para o Canadá nos anos 60, Nelly aprendeu
a cantar na língua dos pais. "Eu participava de festivais
de música organizados pela colônia portuguesa",
diz ela, que fez seu primeiro "show" aos 4 anos. Nelly é
também fã de bossa nova, em especial de Tom
Jobim. Para completar, ao contrário de suas conterrâneas
mais famosas, as estridentes Alanis Morissette e Celine Dion,
ela gosta de interpretar suas músicas de maneira contida.
Whoa,
Nelly! tem feito ótima carreira no mercado internacional.
Só nos Estados Unidos, já vendeu 500.000 cópias.
As rádios européias se renderam a I'm Like
a Bird, uma canção pop feita sob medida
para a petizada dançar. Nelly, que ostenta atributos
estéticos indiscutíveis, está sendo saudada
como a "Christina Aguilera com cérebro". Ela compôs
todas as faixas de seu CD, toca diversos instrumentos e costuma
mostrar bom conhecimento musical. Entre os artistas de qualidade
citados pela moça como influências estão
o roqueiro americano Beck e o astro paquistanês Nusrat
Fateh Ali Khan. Nelly ainda recheia suas apresentações
com insólitos solos de berimbau.
O disco confirma boa parte das qualidades de Nelly. É
pena, para o público brasileiro, que as únicas
faixas em português sejam Scared of You e o fado
(sim, fado) Onde Estás. Maior rigor na escolha
das composições não faria mal. Quatro
delas são excelentes. O restante aproveita, com melhores
resultados, a receita milionária de artistas como Britney
Spears: a diluição de soul music e hip hop.
Nelly, porém, é uma estrela realmente promissora.
Tanto que acaba de ser convidada para abrir algumas apresentações
da turnê americana do grupo de rock U2. Mais "cabeça",
impossível.
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