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Segura o Tchan

O grupo baiano tenta driblar a
decadência
com um disco de funk

Sérgio Martins

 
Divulgação
Os dançarinos do Tchan: o tapinha que dói

Os grupos de axé music não sabem mais o que fazer para conter a galopante queda de popularidade desse gênero musical. Os baianos do É o Tchan são os novos desesperados da praça. Em O Funk do Tchan, seu mais recente lançamento, eles decidiram explorar a moda do funk carioca. Reinterpretam à sua moda gemas da grosseria, como Cerol na Mão (aquela do "vou mostrar que sou tigrão..."), Dança da Motinha ("as popozuda perde (sic) a linha...") e Kawasaki (com os versos "pode vir, meu bem, de Kawasaki e dinheiro no bolso..."). O disco tem duas novidades. Primeiro, a produção do DJ Memê, que no meio artístico tem fama de salvar carreiras crepusculares. A outra é que os vocais das, por assim dizer, canções também ficaram a cargo dos dançarinos Sheila Mello, Scheila Carvalho e Jacaré. Já o Compadre Washington (compadre não de VEJA, fique claro) continua a desempenhar seu papel de dono da banda – ou seja, não canta, não dança e se limita a responder às perguntas sobre seu namoro com Scheila Carvalho.

Os responsáveis pelo É o Tchan não associam o disco funk à derrocada do axé. Segundo eles, o álbum faz parte de um projeto especial que o grupo desenvolve com sua gravadora, a Universal. "No próximo ano lançaremos um CD de forró", diz Cal Adam, empresário do grupo, citando outro gênero musical que substituiu o axé no gosto popular. Mas a verdade é que o Tchan já viveu dias melhores. A canção O Funk do Tchan tem pouca execução até nas rádios de Salvador – na terça-feira passada tocou seis vezes, contra 33 do primeiro colocado, o sambista Jorge Aragão. As vendas de discos do grupo também não param de cair. O lançamento anterior dos baianos, Tchan.com.br, vendeu 500.000 unidades – número modesto se comparado aos 2,7 milhões de CDs de É o Tchan do Brasil, de 1997. O que tem segurado o grupo é a média de shows, que não baixou tanto: 170 no ano passado, contra os 200 de 1997, quando estava no auge. O Tchan tem aparecido em todos os programas de televisão para divulgar sua virada funk. Gravou recentemente uma apresentação especial para o Sabadão, de Gugu Liberato. Caso a onda popozuda dê mesmo errado, eles têm uma carta na manga: um disco ao vivo de sucessos antigos, estratégia normalmente usada para resgatar artistas em decadência.

 

   
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