No
lugar errado
Sociedade
Anônima confirma o
talento
de Cazé. Imagine o que ele faria no
horário do Faustão
Fotos divulgação
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| Cazé:
ele bateu o Show do Milhão e pode render muito
mais |
Cazé
Peçanha é o animador certo no lugar errado.
À frente do programa Sociedade Anônima,
da Rede Globo, ele reúne qualidades que havia muito
tempo andavam em falta nos domingos da emissora: é
engraçado, inteligente e, acima de tudo, sente prazer
no que faz. O problema é que nem sempre o Sociedade
Anônima faz jus a ele. Primeiro, porque o programa
é exibido às 23h40, um horário proibitivo
para quem pega cedo no batente no dia seguinte. Segundo, algumas
brincadeiras não funcionam. Cazé tem de fazer
milagres com uma platéia contratada, que não
entende suas piadas. Mesmo assim, Sociedade Anônima
tem tido um ibope razoável. No ar há duas semanas,
ele bateu o Show do Milhão, de Silvio Santos,
em uma disputa apertadíssima: 16 pontos contra 15.
A Globo bem que poderia manter Cazé aos domingos, mas
em outro horário: no lugar do combalido programa de
Fausto Silva.
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| Fausto
Silva: há mais de três anos perdendo para Gugu |
A
idéia pode parecer absurda, mas só à
primeira vista. Quando contratou Fausto Silva, em 1988, o
apresentador pilotava o Perdidos na Noite, na Rede
Bandeirantes. Era uma atração tosca, que misturava
musicais com shows rasteiros de humor. Num lance de ousadia,
a Globo apostou na irreverência de Fausto. Entregou
a seus cuidados as tardes de domingo, para disputar audiência
com o Programa Silvio Santos, então líder
absoluto no horário. Deu certo. Fausto bateu Silvio
e dominou a audiência por oito anos, até começar
a perder a primeira colocação para Gugu Liberato,
em 1997. Cazé também se destacou na MTV graças
à sua irreverência. Contratado pela Globo no
final de 1999, ficou na geladeira até estrear, em abril
deste ano.
Antes de ganhar o formato de lançamento, Sociedade
Anônima teve dez versões. A demora da estréia
incomodou a direção da Globo. A princípio,
ela instalou Cazé e sua trupe num confortável
flat no Itaim, bairro nobre de São Paulo. Insatisfeita
com os primeiros pilotos, a emissora despejou a turma numa
casa na Rua Treze de Maio, no centro decadente da cidade.
"Agora que a gente está dando audiência, eles
começaram a nos mimar de novo", diz um integrante da
produção, que pediu para não ser identificado.
É certo que a linguagem de Sociedade Anônima
ainda é considerada um tanto avançada para os
padrões da emissora. O programa é uma mistureba
de show de calouros moderninho, matérias com pessoas
que trabalham em profissões pouco rotineiras (como
a do profissional que faz a manutenção do bonde
do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro)
e cultura inútil. Cazé exagera, ainda, nas gracinhas
com anônimos. No programa deste domingo, ele deverá
fundar, a título de brincadeira, a Irmandade Subliminar
da Purificação do Anônimo, uma piada que
só ele e seus amigos entenderão. Com algumas
adaptações, no entanto, o animador pode dar
uma sacudida nas tardes dominicais da Globo. E representar
uma economia. Enquanto Fausto Silva embolsa 1 milhão
de reais por mês entre salário e merchandising,
os ganhos de Cazé ficam na casa dos 30.000 mensais.
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