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Nova realidade

Demissão em massa anunciada pelo Yahoo!
mostra que a vida mudou no Vale do Silício

Joana Calmon

 
AP
Mercado imobiliário: preços em queda

Direto de sua base localizada no Vale do Silício, na Califórnia, a diretoria do Yahoo! anunciou na semana passada um corte de 420 pessoas – o equivalente a 12% do quadro de funcionários da empresa. A primeira demissão em massa da história do megaportal mostra que os tempos mudaram muito na região dos Estados Unidos famosa por concentrar os quartéis-generais das principais companhias de tecnologia do mundo. Até meados do ano passado, graças à febre digital, brotavam em média sessenta empregos por semana no lugar. Hoje, o cenário é bem diferente. Nenhum outro local sente tanto os efeitos do chamado estouro da bolha especulativa que inflou exageradamente o preço e a expectativa sobre os resultados das empresas on-line. Desde o começo do ano, mais de 6.000 vagas foram eliminadas no Vale do Silício. E o ritmo da degola tende a aumentar. Companhias como Compaq, 3Com e Cisco Systems anunciaram que vão diminuir drasticamente seu quadro até o fim do ano. Somente a Cisco, a maior empregadora da região, deve colocar na rua até dezembro nada menos que 8.000 pessoas.

A crise trouxe ao cotidiano da região algumas cenas antes impensáveis. Filas de desempregados, por exemplo. Elas se concentram em locais como a Brass Ring, uma espécie de feira de oportunidades. Os reflexos da fase de vacas magras também atingiram em cheio o mercado imobiliário do Vale do Silício. Até meados do ano passado, esse era outro setor inchado pelos reflexos da bolha especulativa. Uma residência de três dormitórios atingia cotações de 2 milhões de dólares. Agora os preços começaram a cair, e a oferta cresce num ritmo muito superior ao da procura. No mês passado, o número de casas à venda era três vezes maior que há um ano. Com o enxugamento das companhias, o mercado da sublocação também cresceu, a ponto de facilitar a vida de quem ainda acredita no potencial de negócios da região.

Os que vivem ali há mais tempo sabem que os investimentos no Vale do Silício seguem no mesmo trilho de uma montanha-russa e já se acostumaram aos solavancos. Por volta de 1985, em meio a uma crise enfrentada pelos fabricantes de computadores pessoais, o lugar chegou a ser chamado de Vale da Morte por muitos profetas respeitados do mundo tecnológico. A região não só sobreviveu como, anos mais tarde, viria a experimentar uma nova fase de prosperidade com o boom de negócios da internet. "O capital de risco está concentrado no Vale do Silício e não vai sair de lá", afirma Sílvio Meira, professor de informática da Universidade Federal de Pernambuco. "Quando os investidores percebem que o potencial de retorno alto de um segmento está se esgotando, partem imediatamente para outro", completa. Especula-se que a próxima bolha da região ocorrerá em torno dos negócios ligados à área da biotecnologia. No presente, porém, a única certeza que se tem é de que há pelo menos um ramo comercial com lucro garantido no Vale do Silício – o de empresas de mudança. Nunca seus serviços foram tão requisitados como agora. E para onde os aventureiros desiludidos estão indo? Chicago, Atlanta e Dallas, cidades onde a maioria das empresas ainda se sustenta na base de cimento e tijolo da boa e velha economia.

 

   
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