Fórmulas
do baú
A
Natura relança remédios naturais
dos velhos tempos

Chá
de porangaba: nova, só a embalagem |
De
olho em um mercado que movimenta 500 milhões de dólares
por ano no Brasil e 22 bilhões no mundo todo, a empresa
de cosméticos Natura resolveu diversificar: comprou
o laboratório carioca Flora Medicinal, fundado em 1912
e que nos bons tempos chegou a ter 300 fórmulas no
catálogo e a exportar para diversos países,
e está lançando uma linha de medicamentos fitoterápicos,
à base de plantas medicinais. Nada de grandes novidades,
no entanto. Ao contrário, a estratégia da empresa
é recuperar fórmulas de sessenta, setenta anos
atrás. Até o fim deste ano, pretende pôr
no mercado cerca de 100 medicamentos, alguns só repaginados
caso do chá de porangaba, diurético que
atualmente se usa a torto e a direito na convicção
de que ajuda a perder peso , outros recuperados do fundo
do baú, como o Amenoflora, um sucesso da primeira metade
do século passado no tratamento da menopausa.
A nova investida nas muito procuradas prateleiras de fitoterápicos
põe mais lenha na preocupação dos médicos
com sua reputação de fórmulas inofensivas,
que podem ser consumidas sem maiores cuidados. "Existe uma
idéia errada de que tudo que é natural faz bem.
Mas alguns medicamentos fitoterápicos, se tomados na
dose errada, fazem mal", alerta Vicente Oliveira Ferro, professor
da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade
de São Paulo. Além disso, acrescenta, algumas
plantas não têm todas as propriedades estudadas
e outras carecem de eficácia comprovada cientificamente.
As advertências habitualmente caem em ouvidos moucos.
Tomar "um chazinho" para males variados é um hábito
entranhado na cultura nacional que, ao invés de arrefecer
com os avanços da indústria farmacêutica,
resiste e até se expande. É com esse apelo que
a Natura conta para ressuscitar o catálogo quase ingênuo
da velha Flora Medicinal.
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