Longe
de casa
Proibida
na Itália, a bisteca
florentina
reencarna nos EUA
Joe Oppedisano
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| À
mesa no Tuscan Steak: o caro prato da moda |
Fulminada pela doença da vaca louca, a bistecca fiorentina,
patrimônio da Toscana, teve sua morte (temporária)
decretada no começo do mês. Posto em um caixão
cercado de flores, um naco de carne crua de 25 quilos desfilou
pelas ruas da cidade de Panzano, ao som dos versos da Divina
Comédia, de Dante, outro patrimônio toscano.
O enterro foi promovido por donos de açougues e restaurantes
para prantear a decisão do governo italiano de remover
o prato dos mais suscetíveis à doença,
que se dissemina principalmente nas peças de carne
com osso dos cardápios nacionais até
o fim do ano. Por ironia do destino e dos chefs de cozinha,
a deliciosa bisteca grelhada saiu da mesa dos italianos exatamente
no momento em que atinge o patamar mais alto de seu prestígio
internacional: tornou-se o prato da moda em Nova York.
Elevada à categoria de estrela dos restaurantes italianos
de Manhattan, a bisteca florentina virou um prato tão
falado entre os ricos e famosos de Nova York que ganhou um
restaurante batizado com seu nome: o Tuscan Steak, inaugurado
há três meses, na Terceira Avenida, por Jeffrey
Chodorow e Ian Schrager, dupla de sócios em hotéis
e restaurantes descolados e exclusivos mundo afora. A peça
de resistência, claro, é o T-bone steak (um desvio
da tradicional bisteca que arrepia os puristas) à moda
florentina. O segredo da carne é ficar marinando de
véspera no azeite de oliva temperado com sal, pimenta,
alho, salsa e manjericão antes de ir para a grelha.
Uma porção para dois, acompanhada de purê
de batata-doce ao amaretto, sai por cerca de 70 dólares.
O restaurante serve em média 4.000 porções
por mês, em uma casa de dois andares em tons de vinho,
marrons e dourados, com piso de mármore e um gigantesco
pôster hiper-realista retratando um muro de pedra toscano.
"Comida em Nova York é entretenimento. Não só
a cozinha, mas também a decoração, tem
de ser de primeira", ensina Chodorow.
Em janeiro, a dupla abriu mais um Tuscan Steak, no hotel de
Schrager em Londres, o St. Martin's Lane, com idêntico
sucesso. Esperta, encontrou um meio de burlar o pânico
da vaca louca, que corre à solta na Europa: toda a
carne é importada do Texas. Em Londres, um Florentine
T-bone steak custa o equivalente a indigestos 120 dólares.
No Brasil, o prato, em versão bem mais modesta, pesa
muito menos no bolso. Na Cantina do Piero, em São Paulo,
acompanhada de brócolis e batata corada, uma bisteca
à fiorentina custa 18,50 reais.
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