Forças Armadas

Sombra do porão

Entidades pedem demissão
de general envolvido com tortura

Aos 57 anos de idade o general-de-brigada Ricardo Agnese Fayad ocupa um posto importante, porém discreto, na hierarquia do Exército. Médico pediatra, ele comanda desde o início do ano a diretoria de saúde, que administra os hospitais mantidos pelo Exército. Na semana passada, sua nomeação chamou a atenção de entidades dos direitos humanos e Fayad foi levado a um reencontro com o passado. Algumas dessas entidades enviaram cartas ao presidente Fernando Henrique Cardoso acusando o general de ter colaborado com a tortura durante o regime militar e exigindo sua demissão. Entre 1970 e 1974, Fayad era visto dando expediente no quartel do DOI-Codi da Rua Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, onde funcionava um dos principais centros de tortura de presos políticos na cidade. Segundo os acusadores, seu trabalho era examinar os presos nos intervalos dos interrogatórios, para dizer se tinham condições físicas de suportar novas sessões de tortura.

"Ele era um covarde", diz o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio, Luiz Tenório, que conheceu Fayad na faculdade e o reencontrou anos depois, quando estava preso no quartel e foi examinado pelo antigo colega (veja quadro ao lado). Em 1994, no ano que foi promovido a general-de-brigada, Fayad foi denunciado pelo Grupo Tortura Nunca Mais e teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio. Fayad recorreu ao Conselho Federal e perdeu. A briga foi para a Justiça federal, Fayad ganhou em primeira instância e então quem recorreu foi o Conselho Federal de Medicina. Enquanto a disputa continua, o Ministério do Exército e o Palácio do Planalto avisam que, até sair a sentença definitiva contra Fayad, ele será mantido no cargo.




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