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Edição 2104

18 de março de 2009
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Economia
Bilionários, mas nem tanto

Com a crise de 2008, o mundo perdeu bilionários e
a fortuna dos que permanecem no clube encolheu.
É o que mostra o novo ranking da revista Forbes


Cíntia Borsato

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O tradicional ranking dos bilionários da revista Forbes, divulgado na semana passada, mostra que a crise fez encolher a fortuna dos homens mais ricos do planeta – e não foi pouco. Juntos, eles perderam nada menos do que 2 trilhões de dólares, o equivalente ao PIB da Itália. O clube dos endinheirados também perdeu centenas de sócios. A lista, que reunia 1 125 bilionários em 2008, agora traz 793 nomes, 30% a menos. Uma redução no número de bilionários não ocorria desde 2003, quando o levantamento da Forbes espelhava os efeitos da crise desencadeada pela bolha da internet. O que o atual ranking mostra são os estragos da crise financeira sobre fortunas como a do megainvestidor Warren Buffett, que neste ano foi suplantado por Bill Gates no posto de o homem mais rico do mundo. Com a queda de 50% no valor das ações de sua holding, Buffett ficou 25 bilhões de dólares mais pobre. É curioso observar que Gates, mesmo vendo subtraídos 18 bilhões de dólares de seu patrimônio, ainda conseguiu recuperar o topo do ranking, que havia ocupado por treze anos. O patamar pós-crise, no entanto, é outro. Para se ter uma ideia, com os 40 bilhões de dólares que tem hoje, o fundador da Microsoft estaria apenas em sétimo lugar na lista do ano passado.

Há treze brasileiros no ranking da Forbes, uma baixa de cinco nomes em relação a 2008. Dez deles são de São Paulo, a nona cidade com maior número de bilionários no mundo. Ainda de acordo com o levantamento, a maior fortuna do país é a do empresário Eike Batista, amealhada com negócios na área de mineração. Em seguida vêm o banqueiro Joseph Safra e o investidor Jorge Paulo Lemann. Com seus 7,5 bilhões de dólares (900 milhões de dólares a mais do que no ano anterior), Eike figura entre os raros exemplos de aumento do patrimônio. Apenas 44 bilionários conseguiram o feito. No caso de Eike, entre um ranking e outro ele lançou três novas empresas na bolsa e ainda vendeu uma delas, por bom preço, antes da crise. Quem ficou para trás foi o empresário Antônio Ermírio de Moraes – o campeão entre os brasileiros no ano passado, atualmente na sexta posição. Ermírio perdeu 7,2 bilhões de dólares.

Entre os países emergentes, a Rússia foi aquele onde o número de bilionários mais despencou: 55 dos 87 que haviam aparecido no ranking anterior ficaram de fora. Daí Moscou ter deixado de ser a cidade com a maior concentração de bilionários, título conquistado em 2008, que agora é de Nova York. O empresário russo Oleg Derispaska, que estava entre os dez mais ricos do mundo, passou a ocupar a 164ª posição. O novo ranking também não favorece a Índia. Antes, os indianos estavam representados com 53 nomes. Sobraram 24. Parte disso se explica pela enorme desvalorização das moedas da Rússia e da Índia diante do dólar. O rublo, por exemplo, caiu 50%. Como a conta das fortunas é feita em dólar, tais países saem em desvantagem. Some-se a isso uma queda violenta no mercado de ações – na Rússia, ela foi de 68% –, e o resultado é o que se vê no ranking da Forbes.



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