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Edição 2104

18 de março de 2009
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As noivas continuam vindo

De rosto coberto e manto negro, noiva muçulmana é
um retrato do desejo universal de fantasia e beleza


Vilma Gryzinski


Tara Todras-Whitehill/AP

De onde vem a força imbatível do vestido de noiva? A roupa branca e festiva tem um apelo universal. Mesmo em culturas nas quais, em tese, ela não se encaixa, as mulheres acham um jeitinho de adaptá-la. A foto acima, de um casamento na Faixa de Gaza na semana passada, é um exemplo. Por cima do vestido, a noiva usou um manto negro e um capuz branco escondendo o rosto, como exige o costume muçulmano mais tradicional. No estranho efeito final, misturam-se a fantasia de princesa inerente a todo traje de núpcias e a submissão ao imperativo religioso do encobrimento público do corpo feminino. Fantasia de princesa não é força de expressão. Os historiadores da moda remetem a disseminação global do vestido de noiva ao casamento da rainha Vitória da Inglaterra, em 1840. Baixinha e com modestos dotes estéticos, ela queria impressionar seu príncipe alemão, Albert, a quem descreveu como "excessivamente bonito", e usou o repertório completo: vestido de cetim branco de ombros de fora, brincos faiscantes, véu de renda e grinalda de flor de laranjeira. Ah, sim, e um certo Império Britânico. O pacote atravessou o tempo praticamente incólume, com pequenos aperfeiçoamentos, como o dia da noiva, o bronzeamento artificial e o modelo tomara-que-caia. Os mais tradicionalistas excluiriam da lista o chá de calcinha (em que as amigas presenteiam a noiva com as menores roupas de baixo existentes no mercado), a despedida de solteira com show de strippers malhadões e, suprema forma de perversão, o vídeo com os mais infinitesimais detalhes da vida dela. Se o arquétipo universal de beleza, feminilidade e fertilidade que as noivas reverberam sobrevive a isso, brancas e radiantes elas continuarão a vir.



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