Imagem da Semana
As noivas continuam vindo
De rosto coberto e
manto negro, noiva muçulmana é
um retrato do desejo universal de fantasia e beleza

Vilma Gryzinski
Tara Todras-Whitehill/AP
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De onde vem a força
imbatível do vestido de noiva? A roupa branca e festiva
tem um apelo universal. Mesmo em culturas nas quais, em tese,
ela não se encaixa, as mulheres acham um jeitinho de
adaptá-la. A foto acima, de um casamento na Faixa de
Gaza na semana passada, é um exemplo. Por cima do vestido,
a noiva usou um manto negro e um capuz branco escondendo o
rosto, como exige o costume muçulmano mais tradicional.
No estranho efeito final, misturam-se a fantasia de princesa
inerente a todo traje de núpcias e a submissão
ao imperativo religioso do encobrimento público do
corpo feminino. Fantasia de princesa não é força
de expressão. Os historiadores da moda remetem a disseminação
global do vestido de noiva ao casamento da rainha Vitória
da Inglaterra, em 1840. Baixinha e com modestos dotes estéticos,
ela queria impressionar seu príncipe alemão,
Albert, a quem descreveu como "excessivamente bonito",
e usou o repertório completo: vestido de cetim branco
de ombros de fora, brincos faiscantes, véu de renda
e grinalda de flor de laranjeira. Ah, sim, e um certo Império
Britânico. O pacote atravessou o tempo praticamente
incólume, com pequenos aperfeiçoamentos, como
o dia da noiva, o bronzeamento artificial e o modelo tomara-que-caia.
Os mais tradicionalistas excluiriam da lista o chá
de calcinha (em que as amigas presenteiam a noiva com as menores
roupas de baixo existentes no mercado), a despedida de solteira
com show de strippers malhadões e, suprema forma de
perversão, o vídeo com os mais infinitesimais
detalhes da vida dela. Se o arquétipo universal de
beleza, feminilidade e fertilidade que as noivas reverberam
sobrevive a isso, brancas e radiantes elas continuarão
a vir.