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Leitor
O sigilo das investigações,
no caso das escutas, dá margem a pensarmos em mais
uma pizza. Está na hora de os inquéritos e processos
no Brasil serem cristalinos e transparentes. Quanto ao delegado
Protógenes Queiroz ("Sem limites", 11 de
março), espero sinceramente que a Polícia Federal
não seja corporativista, que o Ministério Público
faça realmente seu papel e que a Justiça, depois
do devido processo legal, o demita, a bem do serviço
público. Enfim, uma bela
e corajosa reportagem, que assusta pela desmedida destemperança
do servidor e nos transporta a um submundo de interesses,
razão pela qual o senhor delegado escondeu diversas
informações reservadas em seu recôndito
privado. A soberba, a arrogância e uma dose de espírito
justiceiro fazem com que meras investigações
sejam alçadas a uma condição de tomada
do mérito. Pelo que sabemos, quem julga é o
Judiciário, e não a parte mofada da polícia
do doutor Protógenes. O delegado Protógenes
Queiroz não investigou por vontade própria todas
as pessoas que VEJA citou. Certamente existe alguém
bastante poderoso por trás de toda a bandalheira. Estaria realmente
mentindo o delegado quando afirmou que as investigações
eram autorizadas pelo presidente? Parece que nada que possa
eventualmente desabonar o Planalto, seus ocupantes e seus
eventuais sucessores merece análise ou, pelo menos,
o critério da "dúvida". A imagem assustadora
da sombra do delegado Protógenes projetada no teto
remete, inegavelmente, a Nosferatu, obra-prima do cineasta
alemão F.W. Murnau. Tomara que essa referência
também traga uma esperança: a de que o estado
policial que ameaça se instalar no Brasil desapareça
ao ser exposto à luz, assim como o abominável
vampiro do filme.
A moderna tecnologia,
quando bem usada, pode servir para evitar problemas. Como
no caso da escuta eletrônica. Infelizmente, há
o abuso praticado sem que se encontrem explicações
lógicas, como no caso das denúncias contra o
delegado Protógenes. Esses fatos precisam ser efetivamente
apurados e, se efetivamente comprovados, que se apliquem as
punições devidas. Esclareço
que no dia 11 de junho de 2008 participei de reunião
com o colega e amigo Nélio Machado exclusivamente no
meu escritório. Não o acompanhei para jantar
no Restaurante Original Shundi, onde, aliás, jamais
estive. Daí a falsidade da informação
do delegado Protógenes, contida em trecho do Relatório
de Inteligência Policial, cuja imagem foi reproduzida
na página 91. Trata-se de mais um devaneio do referido
delegado da Polícia Federal. "A pirotecnia
promovida pelo delegado Protógenes Queiroz e sua canhestra
atuação durante o caso Satiagraha evidenciam
como ele se deixou contaminar pela ideologia justiceira e
transformou a operação em uma espécie
de espetáculo circense de péssimo gosto."
Bolsa-baderna Em relação
à matéria publicada por VEJA na edição
2103 ("Bolsa-baderna", 11 de março), quero
deixar claro que não emiti juízo sobre os homicídios
que ocorreram em Pernambuco imputados a integrantes do MST.
O que afirmei foi que a reforma agrária ainda está
em andamento no país e que as ações do
MST, em diferentes momentos, são feitas de maneira
mais arrojada. Respondia, assim, a uma pergunta genérica
sobre o crescimento da violência por parte dos movimentos
sociais. A violência no campo, seja originária
das ações dos sem-terra, seja de grileiros ou
de jagunços, deve ser combatida sem trégua pelas
autoridades policiais e judiciais. Jamais partiria do Ministério
da Justiça qualquer condescendência em relação
a qualquer tipo de homicídio.
Fernando Collor Lembro-me muito
bem de que Fernando Collor foi derrubado pela força
do povo, e hoje leio que ele ganhou um cargo no Senado para
cuidar do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), e, o pior, com a bênção do nosso
presidente Lula. Político realmente não tem
memória e esquece tudo rápido demais. Só
que o povo brasileiro nunca esquece. Que vergonha! ("Minha
gente!", 11 de março) Não vi nenhum
articulista escrever que o verdadeiro e principal culpado
do retorno do ex-presidente ao Senado foi o povo. Agora não
adianta ficar procurando justificar o que Lula disse, se Ideli
perdeu, que Mercadante achou a aliança espúria
ou se Renan articulou. Outro detalhe: a oposição
que não existe ficou quietinha. Em Brasília,
em matéria de política, todos são cúmplices.
Jarbas Vasconcelos O PMDB tenta calar
a verdade, mas afunda mais a cada tentativa. Com o seu silêncio,
com o afastamento injusto de Jarbas Vasconcelos da Comissão
de Constituição e Justiça e, agora, com
a tentativa de espionar criminosamente o senador e seus próximos,
o partido comprova a própria culpa ("O contra-ataque
da corrupção", 11 de março).
Aborto e excomunhão Manifestamos total
apoio aos médicos do Cisam no Recife, representados
pelo doutor Rivaldo Albuquerque, no atendimento humano, ético
e correto dado à criança grávida de gêmeos
depois de violentada por seu padrasto. É espantosa
a manifestação do arcebispo de Olinda e Recife,
dom José Cardoso Sobrinho: ela é perversa e
má. Contrapõe-se à lei vigente, desrespeita
o risco de vida da criança envolvida e só reflete
certa benevolência quando poupa o estuprador. É
difícil entender a lógica desse "pastor"
de almas! Sou católico,
mas fiquei indignado com a atitude do arcebispo dom José
Cardoso Sobrinho ao excomungar a equipe médica que
realizou o aborto da menina estuprada pelo padrasto (Datas,
11 de março). Na essência do catolicismo, a Igreja
deveria se preocupar em amparar a menina de 9 anos agredida
na sua infância por um monstro e seguidamente repudiar
a atitude de uma pessoa que faz tal atrocidade com uma criança.
Mas acredito que a atitude do arcebispo reflita a dificuldade
de a Igreja atacar tal forma de perversidade, pelo fato de
não conseguir conter dentro de sua própria instituição
atitudes como essa. Que paradoxo: excomunga-se
o médico que salvou a vida da menina, mas não
o estuprador. É por isso que as igrejas evangélicas
proliferam como epidemia neste país. Esse radicalismo
e ignorância científica, que não cabem
no século XXI e abalam mais uma vez os frágeis
alicerces da Igreja Católica, nocauteada pela onda
de pedofilia do seu clero... Gostaria muito de ser excomungado,
mas pelo papa. Dá mais ibope!
Diogo Mainardi Parabéns
ao Diogo por mais uma aula de realidade sobre este país
da maravilhas ("A inteligência brasileira",
11 de março). Precisamos fazer com que todos o leiam,
para impedir que inventem o terceiro mandato. Na atividade de
exploração de petróleo, a Petrobras,
como qualquer empresa do ramo, conta também com a contratação
de fornecedores especializados. Esses importantes parceiros
atuam, entretanto, como prestadores de serviços, cabendo
à Petrobras a gestão do processo e a responsabilidade
pelos resultados. Assim, não restam dúvidas
quanto à efetiva participação dos profissionais
brasileiros, que já contam com o respeito da comunidade
internacional. No mínimo,
foi de muito mau gosto a referência que o Diogo Mainardi
fez ao nosso Santos Dumont. Devia ter mais respeito, ou pelo
menos ter se informado melhor. O "avião"
que os Wright inventaram em 1903 só alçava voo
deslizando sobre longos e bem lubrificados trilhos e impulsionado
por uma enorme catapulta. Não podia ir a lugar nenhum,
pois deveria voltar sempre ao local de origem, onde ficavam
os trilhos e a catapulta. É só olhar as fotos
tiradas mesmo depois de 1906, quando os Wright faziam exibições
com o seu "avião", para constatar que ele
não tinha rodas. Usava uma espécie de "sapata".
Além disso, os irmãos fizeram os testes em segredo,
sem testemunhas, e nada saiu na imprensa internacional, nem
mesmo na grande mídia americana. Empacotaram tudo,
tentaram registrar uma patente e vender o "invento",
primeiro para o governo americano e depois para governos europeus.
Tudo sem sucesso. Santos Dumont, ao contrário, em 1906,
decolou com o seu "mais pesado que o ar" pelos seus
próprios meios, podendo pousar em qualquer lugar e
decolar novamente. Tudo amplamente testemunhado e fotografado.
É o verdadeiro pai da aviação. Achei
também infeliz a comparação feita entre
Santos Dumont e o político Al Gore, que quando fala
de aquecimento global não passa de um demagogo mal
informado ou de muita má-fé.
Lya Luft Sensatas, como sempre,
as palavras da escritora gaúcha no artigo "No
paraíso da transgressão" (11 de março).
Mas de que adianta bater os punhos contra o muro intransponível
da corrupção e da impunidade? Ele nunca virá
abaixo se a sociedade civil não se movimentar para
a proclamação de uma nova Carta Magna, elaborada
não por políticos no poder, mas por uma Assembleia
Constituinte composta de cidadãos honestos e competentes,
imbuídos de um alto espírito cívico e
dispostos a trabalhar gratuitamente. Concordo plenamente
com as sábias palavras de Lya Luft e ainda acrescento
que a moral é algo inerente ao ser humano. Porém,
muitas pessoas a desconsideram pelo fato de que é mais
fácil ser imoral, enquanto a conta bancária
aumenta. Em relação à impunidade, não
podemos reclamar, pois a aceitamos de forma pacífica.
O Brasil e a crise Excelente a reportagem
"Dez razões para otimismo" (4 de março).
Acredito numa manutenção ferrenha de nosso sistema
econômico, no intuito de atravessarmos a crise
e, consequentemente, promovermos um crescimento sustentável
generalizado. Contrariando o mantra
de palanque de que a oposição e a mídia
torcem para que o Brasil quebre, VEJA elenca dez razões
para o país se manter otimista diante da crise, com
dados corroborados por organismos internacionais. Esquece
o governo que a chapa estaria bem mais quente se o governo
anterior (com forte oposição do petismo) não
tivesse adotado política de austeridade fiscal (Lei
de Responsabilidade Fiscal), câmbio flutuante, Proer
(criticado na época por gente do atual governo).
PT versus PMDB A impressão
que tenho é que a entrevista com o senador Jarbas Vasconcelos
(Amarelas, 18 de fevereiro) destampou a lata do lixo. O mau
cheiro é tanto que parece, pela reportagem "Cargos,
cargos e mais cargos" (4 de março), sobre a disputa
do fundo Real Grandeza, que os ratos do PT e do PMDB estão,
finalmente, se comendo. Que assim seja. Acompanhando a dinâmica
do governo na "gestão PT-PMDB", passei a
ver os dois partidos como vírus, parasitas que de modo
geral usam o Brasil como hospedeiro, extraindo os recursos
que deveriam ser do povo. Uma diferença: os vírus
o fazem instintivamente por sobrevivência. Os servidores "bandeirolas
vermelhas" (apaniguados do PT) precisam tomar muito cuidado
com o "Lobão mau" (do PMDB). Desculpem-me
a vulgaridade e, sobretudo, se fiz uma comparação
degradante (para o conto infantil, evidentemente), mas ao
ler essa triste reportagem veio-me imediatamente à
cabeça a famosa história de Chapeuzinho Vermelho.
Se isso é uma disputa entre partidos aliados, eu nem
quero imaginar quando estiverem novamente em lados opostos
da novela política brasileira.
Cotas raciais O sistema de cotas
poderá aumentar ainda mais a discriminação
(Uma segunda opinião", 4 de março). Como
confiar em um médico ou engenheiro que entrou na universidade
de maneira facilitada? Como foi a sua base educacional? O
trabalho que tem de ser feito é na base. É preciso
tornar possível que todos, independentemente de raça,
tenham acesso à educação de primeiro
nível para então chegar à universidade
por competência. Aliás, não deveria faltar
universidade para quem quer estudar.
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