A estrela sobe

Bruno Barreto ganha indicação para o Oscar e
diz que não volta ao Brasil, onde o sucesso "ofende"

Okky de Souza

Fotos: Vantoev Pereira Junior
Duas cenas de O que É Isso Companheiro? e Bruno (abaixo): 1 milhão de dólares para promover o filme em 48 cidades americanas

 

Igor Vishnyakov

Até a semana passada, o cineasta carioca Bruno Barreto tinha em sua carreira doze longas-metragens e um momento de glória Dona Flor e Seus Dois Maridos, que dirigiu e lançou em 1976, é o filme nacional de maior bilheteria em todos os tempos, com 10,7 milhões de espectadores. Na manhã de terça-feira, em poucos minutos, esse currículo de Bruno triplicou de estatura. Quando o presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, Robert Rehme, e a atriz Geena Davis anunciaram os candidatos ao Oscar de 1998, em Los Angeles, Bruno se tornou o quarto diretor brasileiro a receber indicação para o prêmio mais cobiçado do mundo dos espetáculos. Disputando vaga com 44 produções de outros países, seu O que É Isso Companheiro?, exibido no Brasil no ano passado, foi um dos cinco escolhidos para concorrer na categoria de melhor filme estrangeiro. Há apenas dois anos, Fábio Barreto, irmão de Bruno, conseguiu o mesmo feito com seu O Quatrilho. Antes disso, o Brasil só esteve no Oscar com O Beijo da Mulher Aranha, de Hector Babenco (candidato a melhor filme em 1986), que deu o prêmio de melhor ator a William Hurt, e com O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, que disputou melhor filme estrangeiro em 1962. Nenhuma dessas produções conseguiu trazer a estatueta para casa.

Desta vez pode ser diferente. Assim como os membros da Academia de Hollywood, o público americano também gostou de O que É Isso Companheiro? O filme, rebatizado de Four Days in September (Quatro Dias em Setembro), entrou em cartaz, há três semanas, em nove cidades do país. Numa pesquisa feita nas portas dos cinemas pela Miramax, a distribuidora do filme nos Estados Unidos, 75% dos espectadores o consideraram "excelente" ou "muito bom". Com a indicação ao Oscar, a Miramax prepara agora chumbo grosso em matéria de distribuição e publicidade. O que É Isso Companheiro? será relançado e colocado em 48 cidades americanas. Um milhão de dólares será gasto para atrair o público. Nunca um filme brasileiro recebeu tamanha promoção na terra do cinema. Todo esse barulho, é claro, chegará aos ouvidos dos 143 membros da academia que irão escolher o melhor filme estrangeiro do ano.

Acordo pré-nupcial Publicidade à parte, a obra de Bruno Barreto, que há oito anos mora nos Estados Unidos, tem características que provocam empatia com o espectador americano. Ela é baseada no livro homônimo e autobiográfico do deputado federal e ex-terrorista Fernando Gabeira. Conta a história do seqüestro do embaixador americano no Brasil Charles Elbrick, em 1969, pela luta armada que combatia o regime militar. Muitas cenas do filme são faladas em inglês e o personagem principal é interpretado magistralmente, aliás por um ator americano, Alan Arkin. Pouca gente em Hollywood se arrisca a fazer previsões seguras sobre quem deve levar outros Oscar que não o de melhor filme. Mas há de se convir que O que É Isso Companheiro? reúne o melhor conjunto de trunfos entre as cinco produções que concorrem em sua categoria os outros indicados são o holandês Character, o alemão Beyond Silence, o russo The Thief e o espanhol Segredos do Coração. "Este é o melhor filme de Bruno Barreto até hoje. É muito emocionante, amei", disse a VEJA na semana retrasada o cineasta Steven Spielberg. O diretor de Parque dos Dinossauros é amigo íntimo de Bruno desde que este se casou com sua ex-mulher, a atriz Amy Irving, que no divórcio recebeu 112 milhões de dólares por conta de um acordo pré-nupcial.

"Acho que o meu filme é bom, a história tem uma solução não maniqueísta e reflete um problema comum a todas as culturas: o conflito entre ideologia e idealismo", teoriza Bruno Barreto, que completará 43 anos uma semana antes da festa do Oscar. Entre as produções nacionais, O que É Isso Companheiro? foi o terceiro filme mais assistido no Brasil no ano passado. Com 270.000 ingressos vendidos, ficou atrás apenas de Guerra de Canudos e Pequeno Dicionário Amoroso. Causou também muito bate-boca. Ex-militantes das organizações terroristas o acusaram de apresentar uma trama simpática às forças de repressão, através de um torturador que tem crises de consciência. Reclamaram também de fusões de personagens da vida real, simplesmente para obter efeito dramático, e de uma suposta hipervalorização do papel de Fernando Gabeira no seqüestro do embaixador. Mas o filme não é uma reconstituição histórica, e sim uma obra de ficção baseada em fatos reais. Como tal, é ótima diversão. Embora já disponível em vídeo, na sexta-feira passada O que É Isso Companheiro? reestrearia em circuito nacional, para aproveitar a publicidade em torno de sua indicação para o Oscar. A reestréia é um ótimo negócio. Para ter uma idéia, O Quatrilho foi visto por 623.000 espectadores em sua carreira normal. Quando voltou aos cinemas, já indicado para disputar a estatueta, atraiu mais 495.000 pessoas. O deputado Gabeira também deverá engordar a conta bancária com o sucesso de Bruno em Hollywood. Para ceder os direitos sobre seu livro para as telas, ele recebeu inicialmente 16.000 reais. Com o filme em cartaz, embolsa de 3% a 5% do lucro nas bilheterias, dependendo do tamanho do sucesso.

Ronaldinho Bruno Barreto se prepara para uma indicação ao Oscar há muito tempo, mais precisamente desde os 11 anos de idade, quando pegou uma câmara emprestada e filmou o curta-metragem Os Três Amigos Não Se Separam. Outros cinco seriam rodados a seguir, até o primeiro longa, Tati, a Garota, lançado com sucesso de público quando o diretor tinha apenas 17 anos. A precocidade não é de espantar quando se considera que Bruno é membro do clã Barreto, cujos patriarcas, o casal Luiz Carlos e Lucy, possuem desde os anos 60 a mais bem azeitada máquina de produção cinematográfica e também de lobby nessa área do país. Especialmente em Hollywood, o casal não brinca em serviço. Desde outubro do ano passado, os dois vivem na ponte aérea BrasilEstados Unidos para promover O que É Isso Companheiro?, em feiras de cinema e exibições especiais. Também oferecem jantares para pessoas influentes que indiretamente podem ajudar a divulgar o filme. Fora isso, no final de 1997 contrataram em Los Angeles os serviços do lobista Tony Angelloti para divulgar o filme na imprensa e no colégio eleitoral da academia. Um profissional desse tipo, em Hollywood, costuma cobrar entre 10.000 e 15.000 dólares pelo serviço. "O Barretão é uma mistura de Glauber Rocha com Assis Chateaubriand", define o cineasta Arnaldo Jabor. "No cinema novo ele produziu mais de sessenta filmes, naquele ambiente que misturava heroísmo e charlatanismo", completa. Independentemente dessa trajetória, a família Barreto já é um fenômeno abrigar dois cineastas que ganharam indicações ao Oscar equivale a ter um time onde brilham Romário e Ronaldinho.


Acima, com a mulher, Amy, e o filho Gabriel. Ao lado, os demais membros do clã Barreto, Luiz Carlos, Fábio e Lucy
Fotos: Paulo Jares e Igor Vishnyakov  

Pornochanchadas Além de Dona Flor, Bruno Barreto fez outros filmes de sucesso em sua carreira, como A Estrela Sobe e Romance da Empregada. Alguns não deram tão certo, como Gabriela (com Marcelo Mastroianni e Sonia Braga). Também não colecionou sucessos com os três filmes que realizou nos Estados Unidos desde que se mudou para lá, depois de emplacar o convite para dirigir um filme modesto, A Show of Force (Assassinato sob Duas Bandeiras), thriller político ambientado em Porto Rico. A produção mais bem-sucedida de sua fase americana foi até agora Carried Away (Atos de Amor), uma delicada história de um fazendeiro idoso (Dennis Hopper) que descobre o amor e o sexo através de uma jovem. Bruno tem declarado que, em sua carreira americana, não está mirando no "cinemão", nos filmes campeões de bilheteria, repletos de efeitos especiais. Seu objetivo são filmes de orçamento mais modesto, que sejam vistos por platéias menores porém interessadas em produções de perfil alternativo. Bruno não se importa com o juízo que fazem dele os cineastas brasileiros mais esnobes, que costumam dizer que seu cinema é muito certinho e linear. "Isso é melhor que tentar imitar aquele pessoal que fazia filme no Brasil com o objetivo de mostrar para os críticos franceses", ele rebate. "A melhor parte das sessões era a entrevista coletiva com o diretor."

Mesmo que Bruno Barreto não abocanhe a estatueta do Oscar na cerimônia a ser realizada no dia 23 de março, a simples indicação para o prêmio vai ajudá-lo bastante a entrar no mercado americano. Esse, afinal, é o sonho de todo cineasta, seja brasileiro, iraniano ou chinês, embora muitos não o admitam publicamente. Os Estados Unidos são o único país do mundo onde funciona uma indústria de cinema, um negócio que movimenta anualmente bilhões de dólares, emprega um exército de gente e atrai milhares de investidores. No resto do mundo, hoje, só se produzem filmes com a ajuda de incentivos oficiais. Na França, o dinheiro para fazer cinema vem das taxas e impostos cobrados pela exibição de filmes estrangeiros na TV e nas telas. Na Inglaterra, o governo repassa uma fatia dos lucros das loterias para os cineastas. No Brasil, o número de filmes produzidos cresceu em proporção geométrica nos últimos anos graças à Lei do Audiovisual, que permite às empresas ou às pessoas físicas descontar do imposto de renda o dinheiro investido na indústria cinematográfica. Embora esse incentivo tenha sido reduzido pelo pacote fiscal baixado pelo governo no final do ano passado, ele tem sido a principal fonte de recurso dos diretores nacionais.

O cinema brasileiro vem ganhando terreno, embora ainda esteja muito distante dos dias de fausto da década de 70 e início da década de 80. Naquele período, chegava-se a produzir 100 filmes por ano, muitos deles seguindo o gênero popular das pornochanchadas. Entre 1990 e 1992 foram realizados em média cinco filmes por ano. Entre 1995 e 1997, esse número subiu para vinte. De 35% a 50% dos ingressos vendidos nos anos 70 eram para filmes nacionais. A cifra chegou praticamente ao zero estatístico na virada da década de 90, para alcançar 5% no ano passado. As 270.000 pessoas que viram O que É Isso Companheiro? representam pouco diante do público que acorreu aos cinemas do país para ver Coração Valente (1,1 milhão de espectadores), Forrest Gump (1,4 milhão) ou Parque dos Dinossauros (2,6 milhões). Mesmo assim, é um público equivalente ao que assiste aos filmes de Woody Allen ou ao que viu Los Angeles, Cidade Proibida, candidato a nove Oscar neste ano. Na época de ouro do cinema nacional, os ingressos eram também muito mais baratos custavam o equivalente a 1,1 dólar, contra uma média, hoje, de 5 dólares. Isso fez com que a arrecadação nas bilheterias aumentasse nos últimos tempos, embora o número de ingressos vendidos para filmes nacionais tenha despencado de 46 milhões, em 1982, para 2,6 milhões, no ano passado.

Bruno filmando
seu primeiro curtas
aos 11 anos

Trator Mesmo contando com mais recursos, os cineastas brasileiros ainda se confrontam com uma enorme dificuldade: produzir um filme no Brasil custa muito caro, bem mais, proporcionalmente, do que nos Estados Unidos. "Depois do Plano Collor, quando o cinema nacional praticamente acabou, muitos técnicos migraram para a publicidade e para a TV", nota o diretor Walter Salles Jr. Como ganham salários muito maiores nessas frentes de atuação, recusam-se a baixar os cachês para fazer filmes. Para ter uma idéia, um eletricista-chefe cobra hoje, para trabalhar num set de filmagem, cerca de 1.500 reais por semana. A produtora Lucy Barreto queixa-se também da falta de boa vontade das prefeituras, que cobram fortunas para permitir a utilização de locais públicos como locações de filmagem. A administração do trenzinho do Corcovado, no Rio, por exemplo, cobrou 800 reais por hora para a produção de O que É Isso Companheiro? Já a Flumitrens, empresa que toma conta dos trens cariocas, pediu 16.000 reais por dia para que suas instalações fossem usadas como cenário. Bem a seu estilo de trator sob um manto de simpatia, Lucy foi aos gabinetes da prefeitura para se queixar da exploração. Conseguiu reduzir os preços.

Bruno Barreto diz que, embora pretenda filmar novamente no Brasil, não voltará a morar no país "de jeito nenhum". Atualmente, em Nova York, ele está em fase de finalização de seu 13º longa-metragem, que tem o título provisório de One Tough Cop (Um Tira Durão). Versa sobre a história verídica de um policial que se recusa a perseguir um mafioso que é seu amigo de infância. Pela primeira vez, trabalhou com um roteiro que lhe foi enviado por um agente evidentemente, uma prova de prestígio em Hollywood. Com a indicação para o Oscar, o novo filme acaba de ganhar um bom empurrão. Bruno parece ter bons motivos para não pensar em voltar ao Brasil. Em Nova York, ele e Amy moram numa espaçosa casa de cinco andares a meia quadra do Central Park. Antes deles, viveu ali o diretor Elia Kazan. Bem em frente à casa, numa cobertura de janelas redondas, morou James Dean. Eles se apressam em informar que nenhuma dessas curiosidades influiu em sua escolha do imóvel. Com o casal moram seu filho Gabriel, de 7 anos, que é a cara do pai, e Max, 12 anos, fruto da união de Amy com Steven Spielberg. "Formamos um time muito bom", diz Amy, que toma aulas de português duas vezes por semana e fala com sotaque carregado. Amy também cuida da parte financeira e contratual dos negócios com mais desenvoltura do que o marido.

Bruno escolheu um bom momento para tentar a carreira em Hollywood. Nunca a terra do cinema importou tantos diretores estrangeiros para suas produções. Entre os executivos da indústria, a explicação é uma só: o cinema americano está precisando de idéias novas, vindas de gente não viciada nas cartilhas dos grandes estúdios. Nos últimos anos, diretores como o inglês Kenneth Branagh (Frankenstein de Mary Shelley), o holandês Paul Verhoven (Robocop) e até o chinês John Woo, com seus filmes repletos de pancadaria, entre muitos outros, trouxeram novas abordagens para os gêneros prediletos da indústria americana. Bruno já provou que sabe fazer cinema de boa qualidade. Resta agora explorar suas oportunidades, como a indicação ao Oscar.

Com reportagem de Marcelo Camacho e Neuza Sanches

"Fui humilhado em Hollywood"

Em sua casa em Nova York, depois de receber a notícia da indicação para o Oscar, Bruno Barreto deu a seguinte entrevista a VEJA:

Veja 1998 entrará para a história como o ano em que Bruno Barreto tem mais chances de ganhar um Oscar do que Steven Spielberg. Este pode ser um resumo do enredo?

Bruno Só mesmo vinte anos de análise nas costas para admitir isso. Estou feliz: fui indicado para o Oscar e o Steve, não. Isso tem um sabor especial. Sofri muito com a imagem falsa de garotão precoce que se casou com atriz milionária e vive como um reizinho nos Estados Unidos, soberbamente recusando ou escolhendo projetos. A Amy tem sido a grande razão emocional para eu morar nos Estados Unidos, mas do ponto de vista profissional nosso relacionamento complicou muito as coisas para mim. Chegamos a pensar seriamente em anunciar uma separação fictícia para ver se a onda parava. Como em Hollywood o que vale são as aparências, os problemas se resolveriam.

Veja Que tipo de problemas você enfrentou em Hollywood?

Bruno De todo tipo. Um diretor de Hollywood tem de ser alguém capaz de enfrentar egos everestianos e, ao mesmo tempo, ser capaz de entender e cumprir um orçamento. Atores são monstros. Eles vêm com tudo: podem chamá-lo de imaturo, de estrangeiro, vale qualquer coisa. A única coisa, porém, que conta na indústria cinematográfica é entregar o filme pronto. Para ser diretor, deve-se deixar o ego em casa antes de ir para o trabalho. Fui humilhado pelo Dennis Hopper diversas vezes durante as filmagens de Atos de Amor, mas consegui fazer o filme dentro do prazo, sem estourar o orçamento.

Veja Humilhação não é uma palavra muito forte?

Bruno Não. Fui humilhado publicamente. O Dennis chegou a mandar que eu calasse a boca e sentasse enquanto discutíamos uma cena diante de toda a equipe. Se tivesse todo o orçamento do mundo, pararia a filmagem e ficaria uma semana discutindo com ele. Mas, como estávamos gastando 75.000 dólares por dia de filmagem e o saco de recursos tinha fundo, simplesmente obedeci. O resultado foi que a equipe e a indústria passaram a me respeitar como um diretor capaz de passar por cima de conflitos e concluir os projetos.

Veja Sua amizade com Dennis Hopper azedou?

Bruno Completamente. Ele ficou louco de raiva porque, na edição final do filme, deixei de fora duas cenas dele. O Dennis ligou para os diretores do estúdio, argumentou, reclamou, chorou mas não levou. Depois das filmagens de O que É Isso Companheiro? minhas relações com o Alan Arkin também ficaram horrorosas. Cortei uma cena final, quando ele, depois de libertado, conversa em português com o motorista do táxi. A cena é linda, mas àquela altura do filme não teria função.

Veja Você voltaria a trabalhar no Brasil?

Bruno Posso filmar no Brasil. Morar, nunca mais. No Brasil o sucesso ofende. O sujeito é gênio ou imbecil. Não existe a figura do profissional. Companheiro está fazendo sucesso junto a um público mais exigente porque é um filme brasileiro sem mocinho e bandido muito definidos. O grande público americano só entende um filme se tiver os bons e os maus, tudo bem separadinho. Lembro-me de que, logo que casei com a Amy, costumava contar histórias para embalar o Max, filho dela com o Spielberg. O Max sempre me interrompia querendo saber quem era o bom e quem era o mau da história. Eu pensava: "Esse garoto só pode ser mesmo filho do Spielberg". O Steve é o americano típico. Aquele sujeito que veste terno e gravata, mas mete um boné de beisebol na cabeça.

Eurípedes Alcântara

 

Afundando a concorrência

Titanic, capa de
VEJA em janeiro:
catorze indicações
para o Oscar

Tema de capa de VEJA na edição de 14 de janeiro, Titanic, dirigido por James Cameron, é o grande favorito da festa do Oscar deste ano. Com catorze indicações, equiparou-se ao recordista de todos os tempos, A Malvada, clássico dirigido por Joseph Mankiewicz e estrelado por Bette Davis em 1950. Só faltou que Leonardo di Caprio emplacasse a 15ª indicação, como melhor ator, para o filme ser o recordista de todos os tempos. Contrariando as expectativas, o jovem galã de Hollywood perdeu para o novato Matt Damon e os veteranos Peter Fonda, Robert Duvall, Dustin Hoffman e Jack Nicholson, que estabeleceu uma marca jamais igualada ao receber a sua 11ª indicação. Além de se igualar a A Malvada, Titanic entrará para os compêndios de cinema por uma outra razão: pela primeira vez na história do Oscar, um filme teve duas atrizes indicadas, a inglesa Kate Winslet na categoria principal e a americana Gloria Stuart como coadjuvante. Ambas interpretam a mesma personagem, na juventude e na velhice. O maior concorrente de Titanic na noite do Oscar deverá ser LA Confidential, que concorre a nove estatuetas.




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