Carta ao Leitor
Jarbas conta tudo
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Cristiano
Mariz

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| Indignação
A Cabral, o senador Jarbas
Vasconcelos disse que o PMDB se ocupa principalmente de
"manipulação de licitações,
contratações dirigidas e corrupção
em geral" |
É enorme
o peso que tem em um processo judicial o depoimento de uma
testemunha ocular. Esse tipo de relato, quando dado de boa-fé
e sem inconsistências, é decisivo na formação
do veredicto. Na política, os testemunhos de personagens
com intimidade com os fatos que revelam são igualmente
poderosos. O processo que culminou com o impeachment do presidente
da República Fernando Collor, em 1992, começou
com um desses depoimentos, a espantosa entrevista que seu
irmão concedeu a VEJA em maio daquele ano e que foi
estampada na capa com a chamada "Pedro Collor conta tudo".
A Carta ao Leitor daquela edição tinha o título
"Depoimento que não se pode ignorar". Não
foi. Dezenove semanas depois das revelações
do irmão a VEJA, Collor deixava a Presidência.
As Páginas Amarelas desta semana trazem um conjunto
de revelações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos
ao repórter Otávio Cabral, 37 anos, quatro dos
quais na sucursal de Brasília. Elas constituem um depoimento
que também não se pode ignorar.
Com 43 anos de política
dedicados primeiro ao antigo MDB e depois ao PMDB, duas vezes
governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos relata com a
eloquência das testemunhas oculares que seu partido,
hoje detentor das presidências do Senado e da Câmara,
é uma agremiação que se move apenas por
"manipulação de licitações,
contratações dirigidas e corrupção
em geral". A entrevista de Jarbas Vasconcelos a VEJA
não deixa muitas opções a seus colegas
de partido e, por consequência, ao Congresso: processam
o senador por falta de decoro parlamentar, imolam-se em praça
pública ou vestem a carapuça e começam
a mudar seu comportamento. O Brasil precisa acompanhar muito
de perto o desenrolar do depoimento do senador a VEJA. Ele
tem tudo para ser o motor de um profundo e histórico
processo de limpeza da vida pública brasileira.