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VEJA
Recomenda
CINEMA
Confidence
O Golpe Perfeito (Confidence, Estados Unidos/Canadá/Alemanha,
2003. Em cartaz a partir de sexta-feira) Jake (Edward Burns)
e sua trupe são golpistas consumados. O que não significa
que não cometam erros como roubar o senhor King (Dustin
Hoffman), um gângster notoriamente vingativo, ou recrutar
uma desconhecida (Rachel Weisz) para um golpe arriscado com o qual
pagarão a King a quantia devida. Existe também a possibilidade,
claro, de que nem tudo isso seja fruto de erro. Como Jake explica
em sua narração, o tipo de crime que ele pratica requer
o intelecto de um enxadrista, capaz de antever todos os movimentos
de uma partida antes mesmo que ela tenha começado. Dirigido
com mão firme e criatividade por James Foley, Confidence
tem justamente na frieza do roteiro e dos personagens
seu ponto mais envolvente.
LIVROS
Família,
de Natalia Ginzburg (tradução de Joana Angélica
D'Ávila Melo; José Olympio Editora; 142 páginas;
24 reais) A escritora italiana Natalia Ginzburg (1916-1991)
dedicou boa parte de sua obra a criticar, a partir de uma perspectiva
essencialmente intimista, códigos de conduta rígidos
que observava entre seus conterrâneos. Os dois contos de Família,
lançado originalmente em 1977, tratam da solidão.
No primeiro, um arquiteto e uma tradutora, namorados de adolescência,
encontram-se na tentativa de recuperar o amor passado. Burguesia,
o conto seguinte, mostra o drama da viúva Ilaria, que ganha
de presente um gato siamês e pensa que o animal irá
aplacar sua solidão. Um prenúncio de decepção
pesa sobre as duas histórias. Leia
trecho do livro.
Homens,
de Marilia Pacheco Fiorillo (Editora Arx; 120 páginas; 22
reais) Para quem deseja entender o que se passa na cabeça
das mulheres, a estréia literária de Marilia Pacheco
Fiorillo, colaboradora de VEJA, é uma aula deliciosa. Lançado
originalmente em 1994, Homens apresenta três histórias
em que as mulheres testam suas fórmulas de sedução.
No primeiro conto, uma aluna de caratê conquista o professor,
"um homem de verdade", e não um insípido espécime
da classe dos "sensíveis". O charme da narrativa está
na maneira como são descritas as estratégias adotadas
pela heroína, já que o tal professor é do tipo
estóico-oriental e fala pouquíssimas palavras em português.
O segundo conto narra uma história de amizade que termina
em sexo. O último transcorre em ritmo de fábula para
mostrar uma princesa e uma mulher de fechar o comércio às
voltas com um monstro e um asno.
Juan Esteves
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| D'Avila:
estudo sobre o papel das elites |
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Dona
Veridiana, de Luiz Felipe D'Avila (A Girafa; 471 páginas;
56 reais) Qual o papel das elites na condução
de um país? Essa pergunta está no centro do livro
de Luiz Felipe D'Avila, que é cientista político,
jornalista e diretor da Editora Abril. Em vez de abordar o seu tema
num ensaio teórico, o autor achou melhor fazê-lo narrando
a trajetória da família paulista Silva Prado, que
esteve entre as mais influentes do país do começo
do século XIX ao começo do século XX. A heroína
dessa saga é dona Veridiana (1825-1910), que por mais de
três décadas exerceu o comando de um núcleo
familiar que contava com empresários, estadistas e intelectuais
de sucesso. Veridiana conduziu negócios e foi mecenas das
artes e da cultura. Era uma mulher que não se curvava às
convenções. Separou-se do marido em meados da década
de 1870, para escândalo da sociedade paulista. Aos filhos,
contudo, dedicou imensos cuidados, educando-os para que zelassem
pelos interesses dos Prado e, ao mesmo tempo, fossem capazes de
exercer papéis de destaque na vida pública. "Veridiana",
escreve D'Avila, "intervinha de forma enérgica na vida dos
filhos quando eles davam sinais de que pretendiam trocar o papel
de líderes na comunidade pela reclusão confortável
da vida privada". Segundo o autor, a matriarca tinha no mais alto
teor o sentido de missão e liderança cívica
que caracteriza as boas elites e é isso que a torna
uma figura exemplar.
DVDs
Warner Bros
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| Turista:
o sentido de estar vivo |
O Turista Acidental (The Accidental Tourist, Estados
Unidos, 1988. Warner) Escrever guias de viagem para quem
odeia viajar é o ofício de Macon Leary (William Hurt),
um homem cuja incomunicabilidade se agravou ao ponto do mutismo
desde a morte de seu filho. Separado da mulher (Kathleen Turner),
Macon assiste, atônito, aos esforços da treinadora
de cães Muriel (Geena Davis) para entrar em sua vida. Nem
ele quer abrir espaço para um relacionamento, nem ela, menos
instruída e sofisticada, parece ser a candidata ideal. O
ideal, entretanto, tem muito pouco a ver com o sentido de estar
vivo, é o que argumenta esse filme do tempo em que Lawrence
Kasdan era um cineasta a ser apreciado, e não o diretor de
O Apanhador de Sonhos.
Greatest:
the DVD, Duran Duran (EMI) Poucos se beneficiaram
tanto da indústria do videoclipe quanto os ingleses do Duran
Duran. Surgido nos anos 80, num momento em que as gravadoras gastavam
fortunas para criar clipes, eles usaram e abusaram do recurso, filmando
em locais exóticos da África e da Ásia e fazendo
pose ao lado de modelos exuberantes. Musicalmente, o Duran Duran
não chegava a fazer feio: combinava o lado chique de grupos
como Roxy Music com a música funk. Greatest traz os
principais clipes gravados entre os anos 80 e 90 como o da
balada Save a Prayer , além das versões
sem censura dos vídeos de Girls on Film e The Chauffeur,
proibidas em diversos países porque muito eróticas.
DISCOS
Santa
Música, Erasmo Carlos (Indie Records) Parceiros
de longa data, Roberto e Erasmo Carlos têm seguido caminhos
distintos nos últimos anos. Roberto chora de saudade da mulher,
Maria Rita, morta em 1999, e recheia seus discos com odes à
amada. Erasmo experimenta novos parceiros, como Marisa Monte e Roberto
Frejat, e mantém-se fiel a sua imagem de roqueiro. O resultado
artístico dos discos de Erasmo tem superado o dos lançamentos
sorumbáticos de Roberto. Santa
Música foi composto inteiramente por Erasmo
e vai do funk às canções românticas,
passando pelo rock'n'roll. O destaque do disco é a dançante
Tim,
homenagem do Tremendão ao cantor e amigo Tim Maia.
Power
to Believe, King Crimson (BMG) Robert Fripp, guitarrista
e líder do King Crimson, costuma dizer que "faz música
para a cabeça, não para os pés". Traduzindo,
suas composições possuem harmonias tão ricas
que parecem ter sido criadas após um longo cálculo
matemático. O King Crimson surgiu na Inglaterra, em 1969,
e passou por diversas formações a atual inclui,
além de Fripp, o cantor e guitarrista Adrian Belew. Ex-integrante
das bandas de Frank Zappa e David Bowie, Belew atua como contraponto
das experimentações sonoras de Robert Fripp. É
ele quem tempera as intrincadas faixas instrumentais de Power
to Believe com baladas (Eyes Wide Open) e rocks para
encher a pista (Happy with What You Have to Be Happy With).
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