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Ministério
Fim
dos boatos
O
ministro dos Transportes,
Anderson Adauto, desta vez
vai mesmo deixar o governo

Alexandre Oltramari
Valterci Santos/Gazeta do Povo/AE
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Fabio Motta/AE
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| Adauto:
saída honrosa depois de uma gestão marcada por confusões e desavenças
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O
vice- presidente José Alencar: padrinho |
Desde
que assumiu o cargo de ministro dos Transportes, há pouco
mais de um ano, o mineiro Anderson Adauto vive com o pescoço
à mostra. Os boatos sobre sua demissão são
tão recorrentes que ele desenvolveu uma técnica própria
para conferir a veracidade das informações. Sempre
que as notícias surgem, Anderson arruma um jeito de falar
com o presidente Lula sobre qualquer assunto e, assim, sentir o
pulso do chefe. Se restar alguma dúvida, também telefona
para o vice, José Alencar, seu padrinho no ministério.
Há cerca de um mês, durante as negociações
da reforma ministerial, a história se repetiu pela enésima
vez. A saída de Adauto era dada como certa. O ministro foi
ao presidente e também falou com o vice. Estava tudo tranqüilo.
Satisfeito e se sentindo prestigiado, Adauto elaborou um plano emergencial
de recuperação das estradas destruídas pelas
chuvas e imaginava que poderia tocá-lo calmamente. Na semana
passada, porém, boatos sobre sua demissão ressurgiram,
desta vez até com o nome do provável sucessor, o que
era inédito. Adauto resolveu mudar de tática e fazer
um teste mais ousado. Pediu ao presidente a cabeça do secretário
executivo do ministério, o petista Keiji Kanashiro, desafeto
a quem acusa de tentar desestabilizá-lo. Deu certo. Ele saiu
da reunião demitido do cargo de ministro.
A
saída de Anderson Adauto do governo será anunciada
nos próximos dias. Será um fim de uma turbulenta gestão
que conseguiu desagradar a praticamente todo mundo. Ele foi indicado
pelas mãos de José Alencar. Seu partido, o PL, queria
outra pessoa e sempre se alinhou com a turma que falava mal do ministro
nos bastidores do governo. As lideranças petistas consideravam
Adauto um problema para a imagem de Lula. E Lula achava a performance
do subordinado um problema para o governo, tantas foram as confusões
em que se envolveu. No início do ano passado, Adauto teve
de demitir dois assessores acusados de desviar dinheiro da prefeitura
de Iturama, no interior de Minas Gerais. Em seguida, um subordinado
acusou-o de alterar a ordem dos pagamentos para beneficiar uma empreiteira.
O último barulho partiu do diretor-geral do Departamento
Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, José Coutinho.
Ele acusou o ministro de gastar 32,3 milhões de reais dos
recursos para recuperar estradas com despesas menos importantes.
Até agora, é preciso registrar, nada se provou contra
o ministro. Mas o fato é que as denúncias, uma após
outra, acabaram fragilizando sua permanência no governo. Adauto
só não perdeu o emprego na reforma ministerial porque
o governo não queria entregar o ministério ao PMDB.
O
último compromisso oficial de Adauto como ministro acontece
nesta quinta-feira, 19, quando ele participa com o presidente Lula
da inauguração de uma estrada nas proximidades de
Uberaba, em Minas Gerais. Não é obra do acaso. Adauto
estuda a possibilidade de se candidatar à prefeitura da cidade.
Sua saída honrosa, negociada entre Lula e o vice Alencar,
incluiu, além da inauguração, a demissão
de José Coutinho, o diretor que levantou suspeitas sobre
o ministro. Apesar das trapalhadas de Adauto à frente do
Ministério dos Transportes, a pasta continuará nas
mãos do partido do vice, o PL. Na semana passada, havia três
candidatos ao cargo. O favorito é o prefeito de Manaus, Alfredo
Nascimento. Ele já recebeu um convite formal do ministro-chefe
da Casa Civil, José Dirceu. Ficou de pensar no caso.
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