Edição 1841 . 18 de fevereiro de 2004

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Ministério
Fim dos boatos

O ministro dos Transportes,
Anderson Adauto, desta vez
vai mesmo deixar o governo


Alexandre Oltramari


Valterci Santos/Gazeta do Povo/AE
Fabio Motta/AE
Adauto: saída honrosa depois de uma gestão marcada por confusões e desavenças O vice- presidente José Alencar: padrinho

Desde que assumiu o cargo de ministro dos Transportes, há pouco mais de um ano, o mineiro Anderson Adauto vive com o pescoço à mostra. Os boatos sobre sua demissão são tão recorrentes que ele desenvolveu uma técnica própria para conferir a veracidade das informações. Sempre que as notícias surgem, Anderson arruma um jeito de falar com o presidente Lula sobre qualquer assunto e, assim, sentir o pulso do chefe. Se restar alguma dúvida, também telefona para o vice, José Alencar, seu padrinho no ministério. Há cerca de um mês, durante as negociações da reforma ministerial, a história se repetiu pela enésima vez. A saída de Adauto era dada como certa. O ministro foi ao presidente e também falou com o vice. Estava tudo tranqüilo. Satisfeito e se sentindo prestigiado, Adauto elaborou um plano emergencial de recuperação das estradas destruídas pelas chuvas e imaginava que poderia tocá-lo calmamente. Na semana passada, porém, boatos sobre sua demissão ressurgiram, desta vez até com o nome do provável sucessor, o que era inédito. Adauto resolveu mudar de tática e fazer um teste mais ousado. Pediu ao presidente a cabeça do secretário executivo do ministério, o petista Keiji Kanashiro, desafeto a quem acusa de tentar desestabilizá-lo. Deu certo. Ele saiu da reunião demitido do cargo de ministro.

A saída de Anderson Adauto do governo será anunciada nos próximos dias. Será um fim de uma turbulenta gestão que conseguiu desagradar a praticamente todo mundo. Ele foi indicado pelas mãos de José Alencar. Seu partido, o PL, queria outra pessoa e sempre se alinhou com a turma que falava mal do ministro nos bastidores do governo. As lideranças petistas consideravam Adauto um problema para a imagem de Lula. E Lula achava a performance do subordinado um problema para o governo, tantas foram as confusões em que se envolveu. No início do ano passado, Adauto teve de demitir dois assessores acusados de desviar dinheiro da prefeitura de Iturama, no interior de Minas Gerais. Em seguida, um subordinado acusou-o de alterar a ordem dos pagamentos para beneficiar uma empreiteira. O último barulho partiu do diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, José Coutinho. Ele acusou o ministro de gastar 32,3 milhões de reais dos recursos para recuperar estradas com despesas menos importantes. Até agora, é preciso registrar, nada se provou contra o ministro. Mas o fato é que as denúncias, uma após outra, acabaram fragilizando sua permanência no governo. Adauto só não perdeu o emprego na reforma ministerial porque o governo não queria entregar o ministério ao PMDB.

O último compromisso oficial de Adauto como ministro acontece nesta quinta-feira, 19, quando ele participa com o presidente Lula da inauguração de uma estrada nas proximidades de Uberaba, em Minas Gerais. Não é obra do acaso. Adauto estuda a possibilidade de se candidatar à prefeitura da cidade. Sua saída honrosa, negociada entre Lula e o vice Alencar, incluiu, além da inauguração, a demissão de José Coutinho, o diretor que levantou suspeitas sobre o ministro. Apesar das trapalhadas de Adauto à frente do Ministério dos Transportes, a pasta continuará nas mãos do partido do vice, o PL. Na semana passada, havia três candidatos ao cargo. O favorito é o prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento. Ele já recebeu um convite formal do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Ficou de pensar no caso.

 
 
 
 
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