Edição 1939 . 18 de janeiro de 2006

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CINEMA

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Nanny McPhee: as aventuras de uma babá mais que perfeita Irvine Welsh: os doidões estão de volta


Nanny McPhee – A Babá Encantada
(Nanny McPhee,
Inglaterra, 2005. Estréia nesta sexta-feira) – Nada menos do que dezessete babás já saíram correndo da casa do senhor Brown (Colin Firth), apavoradas com as traquinagens de seus sete filhos. Viúvo e sem dinheiro, ele precisa pôr a molecada em ordem ou perderá a mesada de sua tia rica, e com ela a casa e a guarda das crianças. Eis que a solução bate à sua porta: a babá McPhee (Emma Thompson, também autora do roteiro), que é danada de feia, mas incrivelmente eficiente – graças não só a seu dom para a autoridade, mas também ao auxílio de uma bengala mágica. Baseado numa série de livros infantis da inglesa Christianna Brand (um dos pseudônimos da escritora de mistério Mary Christianna Milne, morta em 1988), o filme perde força quando, no final, dá uma guinada para o romance. Mas não deixa de ser um bom programa para as férias. Veja cenas.

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O Sol: drama temperado com humor


O Sol de Cada Manhã
(The Weather Man,
Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira) – Separado da mulher, preocupado com os dois filhos e atormentado pelo que julga ser sua inferioridade intelectual, David Spritz (Nicolas Cage), homem do tempo de uma emissora de TV local, procura as respostas para seus fracassos no relacionamento com seu pai (Michael Caine) – um escritor de imenso prestígio, que ama o filho muito mais do que este é capaz de perceber. Equilibrado entre o drama e a comédia em tom sardônico, o filme é uma realização surpreendente do diretor americano Gore Verbinski – ele próprio mais conhecido até aqui por produções eficazes, mas sem grande estofo intelectual, como O Chamado e Piratas do Caribe. Veja cenas.

 

LIVROS

Pornô, de Irvine Welsh (tradução de Galera e Pellizzari; Rocco; 565 páginas; 62,50 reais) – Publicado em 1993 e levado para as telas três anos depois – com o ainda desconhecido Ewan McGregor à frente do elenco –, Trainspotting transformou-se imediatamente num livro cult. A obra relata, em linguagem ácida, o cotidiano de um grupo de viciados em heroína de Edimburgo. O escocês Irvine Welsh nunca conseguiu repetir o sucesso desse primeiro romance, mas Pornô, escrito quase dez anos depois, veio satisfazer os fãs de Renton, Spud e Sick Boy, os doidões de Trainspotting. A heroína já não é o tema central, mas Welsh não desistiu do submundo: dessa vez, seus heróis aparecem tentando a sorte no cinema – produzindo um filme pornográfico.

Amphitryon, de Ignacio Padilla (tradução de Rubia Prates Goldoni e Sérgio Molina; Companhia das Letras; 178 páginas; 34 reais) – Em aposta num jogo de xadrez, Thadeus Dreyer ganha um novo emprego e um novo nome, Viktor Kretzschmar. É um prêmio inestimável: com isso, Dreyer se livrará da convocação para lutar com o Exército austro-húngaro nas trincheiras da I Guerra Mundial – o perdedor irá em seu lugar. Esse estranho pacto está no centro de Amphitryon, romance do mexicano Ignacio Padilla, revelação da literatura latino-americana. O mistério da identidade de Dreyer/Kretzschmar cresce ao longo do livro, a ponto de envolver até o comandante nazista Adolf Eichmann, já na II Guerra. Leia trecho.

 

DISCOS

First Impressions of the Earth, The Strokes (Sony/BMG) – Expoente do novo rock americano, o quinteto The Strokes enfrenta sua prova de fogo nesse terceiro disco – e não faz feio. Há quatro anos, o grupo despontou com Is This It, álbum repleto de bons rocks que emulavam o punk dos anos 70. Room of Fire, lançado dois anos depois, se limitou a repetir a fórmula e foi recebido com frieza. Já First Impressions of the Earth mostra que os Strokes não são uma banda efêmera. Para produzir o disco, os roqueiros chamaram Dave Kahne, conhecido por trabalhos ao lado de Tony Bennett e do grupo pop The Bangles. Kahne amansou as guitarras dos Strokes e refinou seus arranjos – como se percebe na balada Ask Me Anything.

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Mozart por uma fera do violino  

Mozart: the Violin Concertos/Sinfonia Concertante, Anne-Sophie Mutter (Universal) – A violinista alemã tinha 13 anos quando foi descoberta pelo maestro Herbert von Karajan, que bancou sua primeira gravação: um disco contendo o terceiro e o quinto concertos para violino de Mozart. Trinta anos depois – e no embalo do 250º aniversário de nascimento do compositor austríaco –, ela retoma o repertório de estréia. Com uma novidade: além de tocar, assume a regência da London Philharmonic Orchestra. Os ingleses não têm a excelência da Filarmônica de Berlim, que acompanhou a violinista na estréia. Mas a interpretação de Anne-Sophie compensa: ela está mais emotiva, especialmente nas partes mais lentas da obra.

 

CLÁSSICO


A fama de Dom Quixote ultrapassa o livro do espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616). Mesmo os que não o leram conhecem o episódio em que o Cavaleiro da Triste Figura, em seu delírio, investe contra moinhos de vento que ele pensa serem gigantes. Para quem ainda não se debruçou sobre o clássico, eis um incentivo: uma ótima tradução da obra está chegando às livrarias. Com uma cuidadosa pesquisa do espanhol da época de Cervantes, a nova versão brasileira de O Engenhoso Fidalgo D. Quixote da Mancha (tradução de Carlos Nougué e José Luis Sánchez; Record; 570 páginas; 67,90 reais) tem o aval do Instituto Cervantes e da Comissão do IV Centenário do Quixote. Por enquanto, a publicação contempla só a primeira parte desse romance fundamental – a segunda ainda não tem data de lançamento. Leia trecho. Também acaba de chegar às livrarias uma excelente biografia do criador do Quixote. Cervantes (tradução de Rubia Prates Goldoni; 34; 384 páginas; 49 reais), do estudioso francês Jean Canavaggio, é um relato criterioso e bem documentado da vida do maior escritor espanhol de todos os tempos. Leia trecho.

 




Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Siciliano, Travessa, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Cultura; Brasília: Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Saraiva, Siciliano, Cultura; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Fnac, Siciliano, Submarino.
 
 
 
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