Edição 1939 . 18 de janeiro de 2006

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Radar

Lauro Jardim (ljardim@abril.com.br)

GOVERNO

Nicho eleitoral
A estratégia de comunicação do Palácio do Planalto é centrar as baterias nas classes C, D e E – para não deixar que elas pulem do barco lulista. É para essa turma que Lula vai falar preferencialmente. O governo desistiu, pelo menos por ora, da classe média para cima.

Canivetes e flores tropicais
Você sabia que os seguranças da Presidência também defendem o poder à base de canivete? Pois é, o Palácio do Planalto determinou a compra de 144 porta-canivetes suíços para serem usados pelos seguranças de Lula e do vice José Alencar. A propósito, como a temporada é de compras, a Presidência da República está encomendando ainda flores nobres, tropicais e do campo para adornar as salas do poder. Vai gastar 47.600 reais.


O eixo particular do Samuel

Gregory Bull/AP
Thierry Charlier/AP
Wilson Dias/ABR
Chávez, Kirchner e Samuel: orientações esdrúxulas do secretário-geral do Itamaraty
As extravagâncias de Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Itamaraty, são folclóricas. Algumas delas, porém, ultrapassam o folclore e prejudicam o país. A última do Samuel: ele orientou todos os cinco subsecretários-gerais e os chefes de departamento que forem ao exterior a dar uma parada estratégica em Buenos Aires ou Caracas. Na ida e na volta. Ou seja, se algum subsecretário-geral for aos Estados Unidos terá de ir também a uma das duas capitais sul-americanas. Motivo: "adensar as relações" com Venezuela e Argentina. Será que é a isso que chamam de política externa independente? Não será independente de Hugo Chávez e de Néstor Kirchner, certamente.

 

ELEIÇÕES 2006

Mares Guia quer ser vice
Além de Ciro Gomes, outro ministro tem se insinuado na disputa pela vaga de vice de Lula na eleição de outubro – Walfrido Mares Guia.

 

VALERIODUTO

Ligações perigosas 1
Os novos controladores da Brasil Telecom Participações, que continuam investigando a antiga gestão, encontraram uma agenda no computador usado pelo ex-presidente da companhia Humberto Braz – que, na verdade, agia como um superlobista de Daniel Dantas dentro do governo. Na agenda, que vai de meados de 2003 a meados de 2004, constam quatro conversas dele com o publicitário-lobista Marcos Valério e outras seis com o ex-presidente do Banco Popular, o tenebroso Ivan Guimarães.

Ligações perigosas 2
Aliás, num desses encontros, no dia 22 de julho de 2004, estão agendadas conversas de Braz com Valério e, em seguida, com um certo "Glênio". Suspeita-se que seja o ex-procurador da Fazenda Nacional Glênio Guedes, de quem a CPI descobriu depósitos em conta feitos pelo valerioduto de 1,15 milhão de reais. Braz foi demitido por justa causa pelos novos controladores da Brasil Telecom e hoje trabalha no Opportunity com Daniel Dantas.

 

ECONOMIA

Bom de conversa
O megaespeculador Naji Nahas está representando Daniel Dantas em algumas conversas com dirigentes de fundos de pensão de estatais.

Sinais trocados
A Ford mundial divulgará o seu balanço de 2005 no dia 23. Nos Estados Unidos, os resultados foram ruins. Já na América do Sul (onde o Brasil representa 70% do faturamento), a Ford apresentará seu melhor desempenho desde que aqui se instalou, em 1919.

Mudanças na Perdigão
Deve ser tornada pública nos próximos dias a reestruturação societária da Perdigão. Está sendo preparada a pulverização do bloco de controle acionário, que hoje é formado pela Previ e por outros fundos de pensão. Em resumo, a operação levará a uma troca de todas as classes de ações por uma única – ON com direitos iguais de voto. A Perdigão ficará, assim, mais parecida com as corporações ao estilo americano.

A Schin quer a Kaiser
A Schincariol entrou na briga pela compra da Kaiser. Embora a mexicana Femsa seja mais do que favorita para fechar o negócio, os controladores da Schin já tiveram reuniões com a Molson (dona da Kaiser).

Ingresso a 25 000 euros
São dez os empresários e executivos brasileiros que participarão dos debates do Fórum Econômico Mundial, em Davos, no fim do mês. É certamente uma honra para eles estar junto à nata do capitalismo mundial. Mas não é uma honra que saia de graça: custa 25.000 euros por cabeça.

Debandada na Goldman
Depois de contratar recentemente o ex-presidente da Goldman Sachs para chefiar sua operação de banco de investimentos no Brasil, o Citigroup acaba de adquirir o passe de vários outros executivos da mesma instituição. Os nomes serão conhecidos nos próximos dias.

 

FUTEBOL

Seleção fashion
No dia 13 de fevereiro, a Nike apresentará a nova camisa da seleção. Por exigência da CBF, foi criado um modelo exclusivo para os brasileiros – é a primeira vez que isso acontece. A Nike faz mistério absoluto sobre a nova camisa, mas, em resumo, ela terá o seguinte jeitão: a cor será, evidentemente, a amarela, só que num tom mais próximo ao usado nos anos 70. A gola, olímpica, com um colarinho de camisa pólo. Embaixo, no canto esquerdo, estará escrito "seleção brasileira" em azul (a mesma cor da gola e dos números). Quem viu diz que lembra os modelos de trinta anos atrás, com toques de modernidade.

 

MÚSICA

A nova número 1
A Sony-BMG fechou 2005 como a maior gravadora brasileira, com 25% do mercado. Ultrapassou a Universal, dona de 24% de participação e que por dez anos liderou o ranking.


As agruras de Roberto

Alaor Filho/AE
O ex-campeão: seu disco anual vende cada vez menos

O CD do ex-campeoníssimo Roberto Carlos (lançado no finalzinho de 2004) foi o sétimo disco mais vendido de 2005 – cerca de 250 000 cópias. É menos da metade do que vendeu o de Ana Carolina, a número 1 da lista. Ou 10% do que o cantor alcançava nos tempos de vacas gordas. A culpa por tal desempenho pode ser dividida entre a pirataria e os discos sem inventividade que Roberto lançou nas últimas duas décadas.

 


Foto Vicente Yu/AP


 
 
 
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