Edição 1939 . 18 de janeiro de 2006

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A vida suplanta a arte

Jeff Christensen/AP
Q'Orianka: inca, atriz e costureira


Com uma história dessas, Q'Orianka Kilcher, 15 anos, a Pocahontas do filme O Novo Mundo, só podia acabar no cinema. Seus bisavós emigraram da Suíça para o Alasca. Sua avó fez o caminho inverso e foi morar na Alemanha. Numa visita à família, conheceu um alpinista, ficou duas semanas com ele e voltou para casa grávida de Saskia – que passava férias no Alasca trabalhando em barcos de pesca para financiar viagens mochileiras. Numa delas, aos Andes, Saskia conheceu um peruano e com ele teve dois filhos (nascidos na Alemanha), a própria Q'Orianka ("águia dourada", em quéchua) e Kainoa. Separada, pegou os filhos e foi para Los Angeles, onde a garotinha ganhava uns trocados cantando na rua até ser descoberta para o papel. Indicada para prêmios de revelação, ela diz que desenha e costura todos os seus vestidos. O melhor do filme? "Colin Farrell (seu par romântico), um amor. Foi meu primeiro beijo." O pior? "Meu rosto em close na tela. Precisei esconder as espinhas."

 

Vem aí o filho de Brangelina

Fãs, tremei. Revistas de celebridades, preparai-vos. Defensoras da Jennifer Aniston, roei as unhas de raiva. Com apenas três palavrinhas, Angelina Jolie confirmou o boato que há algumas semanas provoca alterações sísmicas no mundo dos famosos. "Sim, estou grávida", disse ela, barrigão cada vez mais indesmentível, à pergunta óbvia de Henri Dominique, ativista da Yéle Haiti, uma ONG de ajuda aos haitianos para a qual ambos trabalham. O pai, evidentemente, é Brad Pitt, o que faz prever um dos cruzamentos genéticos mais espetaculares da história da humanidade. O casal – apelidado de Brangelina –, mais os filhos adotivos Maddox e Zahara, está na República Dominicana, onde ela filma The Good Shepard, dirigida por Robert DeNiro. O nascimento deve ser em meados do ano. Até lá, Maddox e Zahara já devem ter Jolie-Pitt no sobrenome – um edital nesse sentido foi publicado, como manda a lei, num jornalzinho pouco conhecido de Los Angeles. Agora, só falta casar.

 

Vem aí um tsunami ruivo

Leonardo Miranda
Maria Paula, versão stripper: cinturinha e cabelão

É assim, de cabelo ruivo na altura da cintura, olhos verdes graças a lentes de contato e de volta à cinturinha pré-gravidez (59 quilos, 20 a menos do que quando teve Maria Luiza, 1 ano e meio), que Maria Paula vai aparecer no próximo filme do Casseta & Planeta, Seus Problemas Acabaram, com estréia marcada para o fim do ano. Lentes e regime, o.k., mas alongar as madeixas demorou um dia inteiro e lhe tem tirado o sono. "Os apliques fazem uma pressão inacreditável na cabeça. Além disso, as toalhas e os lençóis lá de casa estão todos manchados de vermelho", brinca Maria Paula, 35 anos, que no filme será Priscila Tsunami, uma stripper muito sexy.

 

O governator quebrou a cara

Ric Francis/AP
Schwarzenegger: livre da multa


Como se não bastassem os problemas políticos e a queda na popularidade, foi de boca inchada que o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, compareceu a uma entrevista sobre orçamento. Motivo: caiu da moto quando passeava com o filho Patrick, de 12 anos, e levou quinze pontos no lábio superior. Agravante: não tinha carteira de motorista de motocicleta. "Simplesmente nunca me lembrei de tirar", disse, compungido e rindo torto. De multa, o governator está livre: como a moto tinha um sidecar acoplado e para veículos de três rodas basta uma licença para dirigir carros, a polícia deu um jeitinho. Que coisa, não? Imaginem um país onde isso é possível...

 

De papel passado


Arquivo Pessoal
Gillioli e Carswell: agora, aliança legalizada

Paulistano, formado em turismo, descontente com a política e a falta de oportunidades no Brasil, Álvaro Ros Gillioli fez as malas há dez anos, foi para Londres, virou atendente de uma empresa aérea e não voltou mais. Na semana passada, aos 40 anos, tornou-se o primeiro brasileiro a aproveitar a legislação que oficializa a união homossexual ao se casar num cartório com Paul Carswell, 48, funcionário público com quem vive há três anos e que conheceu numa sala de bate-papo na internet.

POR QUE VOCÊS RESOLVERAM SE CASAR? O papel não era importante, mas a lei trouxe respeito aos gays. As pessoas podem não concordar, mas vão ter de engolir. Além disso, agora somos donos de um patrimônio juntos. Sinto-me mais seguro.

VOCÊS JÁ SOFRERAM PRECONCEITO, NA INGLATERRA OU NO BRASIL? Não. Mas não acho que nossas atitudes em público indiquem que somos um casal gay. Tem gente que gosta de se mostrar. Nós somos discretos.

O CASAMENTO COM UM INGLÊS LHE GARANTE CIDADANIA? Sim, se eu precisasse. Nesse aspecto, é como qualquer outro casamento. Mas minha mãe é espanhola e tenho cidadania européia.

VOCÊS VÃO COMEMORAR NO BRASIL TAMBÉM? Queremos fazer uma festa em agosto. Vamos chamar um monge budista para dar a bênção.

CASAMENTO DÁ UM STRESS DANADO, CERTO? Fiquei tão nervoso que minha resistência baixou e peguei uma gripe.

Editado por Lizia Bydlowski. Colaboraram Laura Ming e Roberta Salomone

 
 
 
 
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