Edição 1939 . 18 de janeiro de 2006

Índice
Millôr
Stephen Kanitz
Tales Alvarenga
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
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Gente
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Cartas


"No Brasil, os games e os filmes moldam a mente dos jovens para o mundo da tecnologia. Mas os currículos escolares clamam por adequações à nova realidade."
José Wagner Cabral de Azevedo
Tambaú, SP

Videogame e TV

A reportagem "Imersos na tecnologia – e mais espertos" (11 de janeiro) é o espelho do que aconteceu com meu filho. Quando ele tinha 11 anos, eu o presenteei com um PC, um à época poderoso 386. Ele aprendeu a jogar xadrez em programas de computador e foi campeão de vários torneios escolares, regionais e estadual. Hoje ele joga Warcraft, na internet. Quando fez vestibular, aos 17 anos, foi aprovado nas universidades federais de Viçosa e Belo Horizonte. Formou-se em ciência da computação e agora, aos 22, é mestrando na UFMG, onde concluiu a graduação em 2004. Com certeza, o computador, e tudo o que ele possibilita, foi decisivo para seu desenvolvimento e para a escolha da carreira.
José Vitoriano da Cunha Filho
Ipatinga, MG

Não é apenas a inteligência que precisa ser formada, mas também os sentimentos e a moral. Os pais devem dedicar especial atenção à dica dada na reportagem: deixar os filhos usar esses recursos na medida certa. O controle sobre os pensamentos e os estímulos passados aos filhos pelo mundo da tecnologia e o tempo para convivências reais (não apenas virtuais) são dois aspectos importantes para conhecer essa medida. Utilizá-la é imprescindível para a consolidação de amizades, da vontade de realizar, da valentia em substituição ao medo e de muitos outros valores que os jovens carregarão em sua bagagem.
Diogo Siqueira Lemos
Belo Horizonte, MG

O neurocientista Gerald Edelman adverte para a grande interferência das tecnologias na formação da criança. É necessário que haja orientação de pais e professores para a escolha de programas adequados e acompanhamento das ações das crianças diante dos mais variados jogos ou do uso de qualquer tecnologia, para um bom aproveitamento dos atuais recursos disponíveis.
Marina Morais Felipe
Goiânia, GO

Acredito que os jogos eletrônicos desenvolvam algumas capacidades motoras e de raciocínio; porém, passar muitas horas na frente da TV ou da tela do computador traz, além de problemas ergonômicos, problemas de sociabilidade. Acho que essa geração perde o convívio familiar e de amigos, que acredito ser a origem de grande parte dos valores que a acompanharão para o resto da vida.
Diego Osorio
Recife, PE

De acordo com uma pesquisa publicada em 2005 pela Entertainment Software Association (ESA), a média de idade dos jogadores é de 30 anos, o que derruba aquela idéia de que "isso é coisa de criança". Aliás, 20% dos jogadores têm mais de 50 anos! Aquela visão do adolescente gordinho na frente do videogame também não pode ser tomada como verdade, uma vez que a mesma pesquisa diz que no total os jogadores gastam cerca de 23,4 horas por semana fazendo exercícios, lendo, participando de atividades religiosas e culturais, em contraposição às 6,8 horas que passam jogando. Ainda em relação a esses dados, 79% dizem praticar esportes por volta de vinte horas por mês e 93% dizem ler jornais, livros ou revistas regularmente.
André Gomes de Noronha Reis
Editor do site N-Planet
Rio de Janeiro, RJ

Sugestiva a fotografia da capa. A expressão do garoto retrata o tipo de espertinhos que estamos criando: arrogantes, individualistas, feras da tecnologia, mas totalmente incapazes de relacionamentos não virtuais. Felizes as crianças que ainda não estão robotizadas.
Hilda A. Santos Dias
Santos, SP

Fica uma lição para a educação formal de nossas crianças e jovens, ainda focada eminentemente nos conteúdos. Utilizar sem apelo comercial e de forma adequada videogames e TV como ferramentas para o exercício do raciocínio certamente contribui para a formação de verdadeiros cidadãos, com gerações mais criativas e mais bem preparadas para o mundo globalizado.
Josias Farias Neto
Fortaleza, CE

Condicionada a achar que o tempo de uso de jogos eletrônicos era um desperdício e roubava o tempo de outras atividades supostamente mais proveitosas, enorme foi a minha surpresa ao ler a reportagem de capa de VEJA. Fiquei mais tranqüila e até mesmo satisfeita.
Tatiana Chamon Seligmann Ledo
Belém, PA

Se os pais de hoje (e até mesmo os avós) passam boa parte do tempo livre ligados ao mundo cibernético, não seria diferente com as crianças e os adolescentes, que já nascem ao "som e cor" do admirável mundo novo. Enquanto a inteligência da nova geração se aprimora e se desenvolve diante das telas dos computadores, os orgulhosos pais da prodigiosa prole só não podem esquecer o bê-á-bá de todos os tempos, que é a presença do "amor real". É ele, ou a falta dele, que definirá os bons e os maus adultos de amanhã, pois ainda não foi inventado nenhum programa que substitua essa necessidade, aparentemente simples, mas de valor incalculável.
Mirna Machado
Atibaia, SP

 

Jorge Bornhausen

Foi brilhante a entrevista do senador Jorge Bornhausen a VEJA ("Lula não se elege", Amarelas, 11 de janeiro), retrato do que tem sido sua atuação e a de seu partido à frente da oposição ao governo federal. Talvez nunca tenhamos tido uma oposição tão austera e inteligente. O trabalho realizado pelo PFL, PSDB, PDT e PPS tem sido eficiente no combate aos desmandos do governo federal e, especialmente, para a derrubada da imagem de "acima de qualquer suspeita" do PT e do presidente Lula. Sinceramente, não acredito que o PT e o Lula possam novamente enganar o povo brasileiro e vejo o senador Bornhausen como um excelente candidato à Presidência da República.
Daniel Teske Corrêa
Florianópolis, SC

Ao criticar o governo atual, o entrevistado se esquece de se referir ao seu comportamento no governo Collor, a subserviência aos governos militares.
Zilton Alves de Souza Filho
Jacobina, BA

O senador Jorge Bornhausen mostrou a maturidade de quem tem quarenta anos de vida pública. Acertou em cheio quando comentou a atuação do presidente Lula, caracterizando-o como "incompetente", pois faltou a Sua Excelência "experiência administrativa" e o "conhecimento" devido "para enfrentar a injustiça social" reinante no Brasil.
Lourembergue Alves
Presidente do Instituto de Ciência Política e Jurídica do Estado de Mato Grosso

Por e-mail

Se tivéssemos mais pessoas corajosas e ponderadas como o senador Bornhausen, que anteviu que este governo não daria certo, provavelmente o quadro político nacional seria diferente.
José Eustáquio Cançado
Brasília, DF

Muito pungentes as palavras do nosso senador, agora convertido às causas da denúncia de corrupção. Mas, a exemplo do que ele mesmo afirma, se Lula e Palocci sabiam do que ocorria no governo, que dizer dele próprio na entourage collorida? Ou ele, então apoiador e ministro, não sabia de toda a lama do esquema Collor-PC Farias?
Luis F. Ferreira
Florianópolis, SC

Político corajoso e inteligente, que conhece muito bem nosso querido Brasil, o senador teve a ousadia e a responsabilidade de ser oposição ao atual governo federal, no auge da popularidade do Lula. Só um grande líder e mestre para assumir esse papel com a determinação de quem sabe o que diz.
José Lúcio Borini
Rio do Sul, SC

Bornhausen não diz que ficou no governo por oito anos e não resolveu os mesmos problemas que ele acha que Lula tinha de resolver.
Onesimo Lacerda de Moraes
Vitória, ES

A entrevista com o senador Jorge Bornhausen poderia se estender por mais e mais páginas, tal é a leveza e a clareza de suas colocações. Com opiniões firmes e sensatas e posicionamento coerente, ele é, sem dúvida, um dos grandes nomes da história política do Brasil.
Hilmar Rubens Hertel
Schroeder, SC

 

Revitalização do centro de SP

Parabéns à prefeitura de São Paulo por ter chegado à conclusão de que a solução é derrubar os prédios da área da Cracolândia ("A solução é derrubar", 11 de janeiro). Parabéns à lucidez da senhora Camila Antunes sobre os demagogos que dizem atuar na área da população de rua. Alerto para novas frentes de degradação ambiental e humana: Rua Augusta, Avenida Paulista, Rua Rego Freitas, Rua Amaral Gurgel, Largo do Arouche e Avenida Vieira de Carvalho. Por que deixar acontecer para depois derrubar? Necessitamos de proteção urgente na região, a Cracolândia está migrando.
João Batista Adduci
São Paulo, SP

Moro nos Campos Elíseos há 26 anos, e o meu dia-a-dia se passa no centro. Com grande pesar vi, e senti na pele, a degradação de toda a região (centro, Bom Retiro, Santa Cecília etc.) e com muita satisfação acompanho o movimento de sua revitalização, com outros moradores, e participo ativamente dele. É necessário ter coragem e determinação para promover mudanças, pois não se agrada a todos e, nesse caso específico, não se agrada a quem lucra e se promove à custa da degradação e da decadência, tanto humana quanto do ambiente. Pergunto ao padre Lancellotti e aos jovens que posam a seu lado, membros de uma entidade chamada Fraternidade Toca de Assis, que têm sua moradia e seu sustento garantidos por ONGs: "A quem vocês querem enganar?".
Dinah Darcy Herzig Piotrowski
São Paulo, SP

Aleluia! Finalmente alguém demonstrou coragem para enfrentar publicamente o padre Lancellotti e sua "fatwa". O que o aiatolá do "Povo de Rua" deseja é que a miséria permaneça intocada. Desde que ela permaneça bem longe de sua casa. Espaço público é público. Não admite privatização. Mesmo quando a "privatização" é patrocinada por padres, bispos ou cardeais ("O pecado da demagogia", 11 de janeiro).
Carol Wilke
Buenos Aires, Argentina

Lavei a minha alma. Sou católico, mas não sou bobo nem ingênuo. É impossível acreditar em alguém que coloca grade na porta da igreja e cerca elétrica nos muros. Não bastasse termos de suportar políticos mentirosos e corruptos, ainda temos de acreditar em aproveitadores que, sob a batina, fazem política social em benefício sabe Deus de quem?
José Francisco Saporito
Curitiba, PR

VEJA teve a coragem de dizer aquilo que muitos paulistanos, principalmente moradores da área central, gostariam de dizer ao padre Júlio Lancellotti e a muitos outros demagogos que utilizam a questão dos moradores de rua e a mendicância como instrumento para sua promoção pessoal e política.
Paulino Murillo Filho
São Paulo, SP

A matéria é tendenciosa e me sugere pedir direito de resposta na Justiça. Que pena que VEJA não retratou a riqueza da matéria produzida, o que mais enriqueceria o debate, e mais uma vez optou por desqualificar o interlocutor em vez de ouvi-lo.
Padre Júlio Lancellotti
São Paulo, SP

Venho, em nome da Arquidiocese de São Paulo, esclarecer alguns equívocos. O padre Júlio Lancellotti é incardinado na Arquidiocese de São Paulo, vigário episcopal responsável pelo Povo da Rua, trabalhador incansável na pastoral, recebendo todo o apoio por parte dos bispos. A matéria, com o título "O pecado da demagogia", afirma que a "Pastoral da Rua é uma organização política ligada ao PT". Não é verdade. Ela é uma das inúmeras pastorais sociais da Igreja Católica, preocupada, sim, com a situação das pessoas sem moradia e feridas em sua dignidade. O poder público reconhece essa colaboração. VEJA ironiza a segurança feita com grades e cercas elétricas até nas igrejas. De fato, sonhamos todos com o dia em que tais medidas não sejam necessárias nem nas igrejas, nem nos prédios públicos, nem nas residências. O trabalho social e religioso com os pobres é exatamente para que esse sonho se torne realidade. É preciso derrubar obstáculos, muros e cercas, sobretudo os que dividem as pessoas, contrapondo-as entre si, e os que a sociedade cria para afastar os pobres.
Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo
São Paulo, SP

Nota da redação: VEJA foi se queixar ao bispo – mas ao de Roma, que deve ter outra opinião a respeito das peraltices políticas do padre Júlio Lancellotti.

 

Farmanguinhos

Gostaria de cumprimentar VEJA pela reportagem "Um acordo sem pé nem cabeça" (11 de janeiro). Contudo, os profissionais ligados à indústria farmacêutica foram infelizes ao afirmar que "os laboratórios oficiais estão em frangalhos... e Farmanguinhos, o maior deles, nem sequer tem dinheiro para consertar algumas de suas máquinas". Os caros colegas desconhecem a potência que Farmanguinhos se tornou nos últimos anos, com aquisição de uma nova planta de 105 000 metros quadrados em Jacarepaguá e com investimentos de mais de 30 milhões de reais em equipamentos de origem alemã, inglesa e italiana de última geração.
Jorge Lima de Magalhães
Farmanguinhos/Fiocruz
Rio de Janeiro, RJ

 

Duda Mendonça

Diferentemente do que afirma VEJA na reportagem "A nova conta secreta de Duda" (11 de janeiro), o presidente Lula não teve encontro com o publicitário Duda Mendonça no dia 10 de outubro de 2005, tampouco tratou sobre contratos publicitários com ele. Cabe registrar que a revista em nenhum momento procurou a Secretaria de Imprensa nem o porta-voz da Presidência da República para checar a veracidade da informação.
André Singer
Secretário de Imprensa e porta-voz da Presidência da República
Brasília, DF

A matéria aponta a coordenadora-geral do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), doutora Wannine Lima, como "acusada pela PF" de proteger o senhor Duda Mendonça. Diante disso, temos a esclarecer que o Ministério Público Federal e o DRCI decidiram que as remessas das provas obtidas nos Estados Unidos deveriam seguir os trâmites previstos no tratado de cooperação firmado entre os dois países. Essas não são posições individuais, mas institucionais, e não visam a impedir repasse de informações ou proteger quem quer que seja. Ao contrário, objetivam garantir a continuidade da cooperação internacional e a validade das provas. O relatório da Polícia Federal expõe diferenças de posições jurídicas já superadas. Entretanto, não acusa o Ministério Público nem a doutora Wannine Lima de proteger o investigado. A coordenadora-geral atuou em estrita conformidade com as orientações do diretor do DRCI e do procurador-geral da República, autoridade responsável pelo caso no Supremo Tribunal Federal, conforme decisão do ministro Joaquim Barbosa. As provas solicitadas foram enviadas conforme os trâmites do tratado e chegaram ao Brasil em menos de três semanas, tendo sido imediatamente colocadas à disposição do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, órgãos requisitantes.
Antenor Madruga
Diretor do DRCI
Brasília, DF

 

Duda Mendonça

Duda Mendonça esclareceu na Polícia Federal e na CPI dos Correios sua movimentação bancária no exterior. Depois, recolheu mais de 4,3 milhões de reais aos cofres públicos, relativos aos impostos devidos. Com isso, regularizou sua situação fiscal. Quanto ao bloqueio de outra conta bancária também no exterior, noticiada por VEJA, os valores depositados na conta da Düsseldorf foram incorporados ao seu patrimônio e utilizados, não sendo do seu conhecimento os procedimentos bancários específicos adotados para essas operações financeiras. Não procede a insinuação de que Duda vem sendo protegido pelo governo brasileiro. Tampouco está promovendo uma "luta nos bastidores" contra o governo, buscando manter as contas de sua agência. O contrato com a Petrobras foi renovado exclusivamente em virtude de seu inegável mérito profissional, resultado de muitos e muitos anos de trabalho. A movimentação financeira de 377 milhões de reais refere-se ao faturamento integral de sua agência no período de dois anos e corresponde ao valor total das campanhas publicitárias desenvolvidas para seus clientes, na sua maioria privados, com diversificados pagamentos a terceiros. Apenas cerca de 15% desse valor concerne efetivamente aos honorários da agência.
Tales Castelo Branco
Advogado de Duda Mendonça
São Paulo, SP
Leia reportagem

 

Mensalão

A psicose petista talvez devesse ser tratada com uma boa terapia de grupo. Que tal uma terapia com o grupo da CPI dos Correios? Afinal, nada melhor que esse grupo para tirar as fantasias existentes nas cabecinhas patológicas dos petistas ("Não li e não gostei", 11 de janeiro).
Apoena Lobato
Curitiba, PR

 

Pacotão eleitoreiro

A excelente reportagem "O pacote que é uma vergonha" (11 de janeiro), do jornalista Otávio Cabral, deixa muito claro que o candidato Lula só está interessado em uma campanha cinematográfica e milionária, sem preocupação com seu alto custo nem com os interesses prioritários da sociedade brasileira.
Antonio Alves Batista
Recife, PE

 

CPI

Em nenhum momento mencionei que iria apresentar relatório paralelo à CPMI dos Correios. Afirmei ao entrevistador que existe a possibilidade regimental de apresentação de relatório, de voto em separado ou de emendas por qualquer membro da comissão. Disse ainda que, caso não haja participação dos membros por meio de debates na elaboração e na deliberação do relatório apresentado, é possível que ocorra apresentação de um relatório substitutivo, que também necessita do voto da maioria dos membros da comissão para ser aprovado. Fiz, portanto, esclarecimentos de ordem estritamente regimental ("Não li e não gostei", 11 de janeiro).
Carlos Abicalil
Deputado federal (PT-MT)
Brasília, DF

 

Fernando Morais

Se VEJA atesta a estranhíssima solidariedade do biógrafo Fernando Morais com gente que deveria estar na cadeia, também repudio as leviandades que ele escreve sobre outras pessoas – a quem nem conhece. Em seu livro Na Toca dos Leões, Morais despeja uma série de inverdades sobre mim, sem checar a veracidade das informações que publicou. Simplesmente escreveu, por acreditar que sua mentira renderia um bom parágrafo para sua duvidosa obra sobre a W/Brasil. Procurado, esquivou-se a falar comigo. E foi enfático em entrevistas ao afirmar que não mudaria uma vírgula do que publicara, valendo-se da grande exposição com o episódio Ronaldo Caiado – também denunciado por VEJA ("O desculpador-geral da República", Perfil, 11 de janeiro).
Antonie Nyenhuis
São Paulo, SP

 

Augusto Cury

O "mestre da imodéstia" Augusto Cury também é mestre na invenção de teorias estapafúrdias e sem validade científica. Seu livro Inteligência Multifocal contém não apenas invenções pseudocientíficas como também inverdades factuais. Ao eximir-se de utilizar bibliografia e referências, o autor se coloca em posição tão avançada quanto os primeiros pensadores de 2.000 anos atrás. Sua literatura de auto-ajuda apela para aquilo que sempre faz sucesso com o grande público: noções de fácil digestão, não importando se válidas ou aplicáveis na prática (em geral, não são). É o eterno cultivar de mantras idealistas, que desconsidera o imenso avanço real que tem sido feito pela neurociência cognitiva nas últimas décadas. O oportuno artigo consegue apontar para várias dessas incongruências ("Um mestre da imodéstia", 11 de janeiro).
Sergio Navega
São Paulo, SP

Como educadora há 41 anos, venho atestar a valiosa contribuição da inteligência multifocal na formação de nossos alunos (de 2 a 10 anos), na orientação de seus pais e familiares e também na atuação de nossos professores. Utilizamos a IMF dentro da escola desde 2003 e pudemos comprovar o decréscimo da agressividade, ladeado do aumento da auto-estima e da formação de pensadores mais felizes e sobretudo com seus valores humanos incentivados.
Heloisa Bufáiçal Brandão
Diretora da escola Cantinho da Emília
Goiânia, GO

 

Orkut

Que absurdo! Além de termos de estudar feito camelos para conseguir um emprego que na maioria das vezes não cobre os custos mensais que temos com a faculdade, ainda somos espionados em nossa privacidade. Não temos o direito de expor nossas opiniões nem mesmo em um site de relacionamentos ("A vitrine do candidato", 11 de janeiro)!
Antônio Costa

Porto Alegre, RS

Há cerca de um ano, soube que tinha um perfil no Orkut, divulguei que era meu mesmo e, desde então, consulto a página e me divirto cada vez mais. Por esse motivo, ao ler a reportagem "A vitrine do candidato", considerando a convivência diária que tenho com universitários talentosos dos cursos de engenharia, posso afirmar que, se alguma empresa decidir contratar bons profissionais nessa área, com base em informações da citada comunidade, terá muito a perder.
Professor-doutor Antonio Carlos Rigitano
Chefe do departamento de engenharia civil da Faculdade de Engenharia de Bauru – Unesp
Bauru, SP

 

Remédios

Gostaríamos de esclarecer algumas informações a respeito da reportagem "Um acordo sem pé nem cabeça" (11 de janeiro), sobre a negociação amplamente divulgada em outubro entre o Ministério da Saúde e o Laboratório Abbott. O acordo assinado com o fabricante do medicamento Kaletra culminou na redução de 46% no preço em relação ao valor atual, o que trará ao país uma economia de 339,5 milhões de dólares. Com o acordo firmado em novembro, pagaremos a partir de março 63 centavos de dólar por cápsula, contra 1,60 dólar que o país pagava pelo Kaletra, em março de 2002. O Ministério da Saúde desconhece a projeção de que haverá queda de 70% no preço do Kaletra nos próximos anos. Caso aconteça essa redução, o acordo assinado fará o Ministério da Saúde economizar ainda mais, já que prevê a renegociação e o fornecimento do medicamento pelo preço mínimo praticado na América Latina. O Brasil não se comprometeu a comprar o Meltrex quando for lançado no mercado. Isso só vai ocorrer caso sejam comprovadas pelo Grupo de Consenso Terapêutico do Programa DST/Aids as suas vantagens em relação ao Kaletra. Também não nos obrigamos a continuar a comprar o Kaletra até 2011. Esses produtos poderão ser facilmente substituídos por outros medicamentos mais novos que surjam no mercado e que tenham a eficácia comprovada. O que foi negociado é que o custo da terapia diária do Meltrex (quatro comprimidos) em relação ao Kaletra (seis cápsulas) sofrerá incremento de apenas 10% caso venha a ingressar no coquetel antiaids distribuído gratuitamente aos pacientes. É equivocada a afirmação de que o Laboratório Abbott "já vende o Kaletra a 23 centavos de dólar". Esse é o valor simbólico para ajuda humanitária a países africanos – o acordo assinado garante ao Brasil o menor preço do mundo pelo Kaletra.
Fernando Telles

Assessor de Comunicação Social
Ministério da Saúde
Brasília, DF

Em referência à matéria "Um acordo sem pé nem cabeça", a Abbott gostaria de esclarecer: 1) A caracterização do Kaletra como sendo ultrapassado por outros medicamentos não é verdadeira. 2) A nova fórmula do Kaletra (comprimidos) representa um importante avanço para a terapia anti-retroviral. Diferentemente do Kaletra em cápsulas de gelatina mole, que os pacientes no Brasil tomam atualmente, a nova formulação permite que os pacientes reduzam de seis para quatro o número de pílulas diárias. Com a nova formulação, não há necessidade de manter o medicamento sob refrigeração. 3) Em outubro último, a nova fórmula do Kaletra (comprimidos) foi aprovada pelo FDA. Para ser comercializado no Brasil, precisa da aprovação da Anvisa. 4) O Brasil recebe o Kaletra pelo preço mais baixo do mundo, à exceção dos programas humanitários para a África e países menos desenvolvidos, conforme designação da Organização Mundial de Saúde.
Santiago Luque
Gerente-geral Abbott Laboratórios do Brasil
São Paulo, SP

 

CORREÇÕES: A soja é uma leguminosa, e não um cereal ("A peleja da economia contra a ecologia", 28 de dezembro de 2005). Na reportagem "A solução é derrubar" (11 de janeiro), o crédito da foto aérea que ilustra a página 89 é Space Imaging. Imagem do satélite Ikonos, cedida por EngeSat Imagens de Satélites. Na reportagem "O preço justo" (Guia, 11 de janeiro), o nome correto do consultor é José Luís Giorgi Pagliari, e não Pagliaria. Na reportagem "Um mergulho no passado" (11 de janeiro), o número de embarcações naufragadas mapeadas na costa brasileira é de 2.000, como aparece no quadro "Mapa submarino", e não de 22.000, como consta no texto.

 

OLHA O BISSO!


A leitora Helena Savassa Gonzales, de Londrina, no Paraná, tem um bebê de 1 ano e 8 meses que ficou "doido" quando viu as fotos dos filhos do colunista Diogo Mainardi brincando com o Lula de pelúcia, no artigo "Uma anta na minha mira" (28 de dezembro de 2005). "Meu filho apontava o boneco e dizia: 'Bisso! Bisso!'. Quase morri de rir", conta Helena, interessada, assim como outros leitores, em adquirir um exemplar. O Lulinha de brinquedo é uma criação do artista plástico Raul Mourão e pode ser visto na exposição Lula de Pelúcia, em cartaz na galeria Lurixs Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro, onde está presente em diversas instalações. O boneco tem tiragem de 100 exemplares numerados, que estão disponíveis para venda. Maiores informações sobre o Lulinha de pelúcia no site www.lurixs.com.

 
 
 
 
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