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Carta ao leitor
Um pântano a ser drenado
Ed Ferreira/AE
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| O ministro Carlos Velloso, do TSE: pacote
de medidas para apertar o controle sobre o financiamento das
campanhas eleitorais |
Está cada vez mais claro que, na teia de corrupção
petista, o publicitário Duda Mendonça não era
uma figura periférica, mas tão central quanto Marcos
Valério. Ele vendeu ao PT um pacote de marketing eleitoral
que incluía esquemas de lavagem de dinheiro de caixa dois
e o fechamento de contratos futuros com empresas estatais no governo
Lula. Duda é uma planta que nasceu no pântano das deficiências
do sistema eleitoral brasileiro. A boa notícia é que
esse pântano está para ser drenado. Na semana passada,
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Carlos
Velloso, anunciou um pacote de medidas que, espera-se, ajudará
no controle do financiamento das campanhas e, conseqüentemente,
na erradicação de pragas como Duda e seus cúmplices.
A partir das eleições
deste ano, a Receita Federal terá acesso à prestação
de contas dos candidatos e dos partidos políticos e fará
a fiscalização das movimentações financeiras.
Além disso, o TSE deverá proibir que as doações
aos candidatos sejam feitas em dinheiro vivo e obrigar que a contabilidade
das campanhas seja divulgada na página oficial da Justiça
Eleitoral a cada quinze dias e não mais ao fim das
eleições, como ocorria até agora. Outro dado
importante é que, de acordo com as regras a ser aprovadas
pelo tribunal, os candidatos passarão a ser responsabilizados
legalmente pelas suas prestações de contas. Atualmente,
só os tesoureiros respondem por isso. Se esta última
medida estivesse em vigor em 2002, Lula não poderia dizer
que não sabia de nada e que a culpa toda é de Delúbio
Soares. Por último, tramita na Câmara dos Deputados
em Brasília um projeto de lei, já aprovado pelo Senado,
cuja proposta central é reduzir os custos das campanhas.
Se passar no Congresso, resultará na diminuição
do tempo da propaganda na televisão e no fim de showmícios
e da farra da distribuição de brindes. Se tudo der
certo, o jogo democrático brasileiro ficará bem mais
limpo.
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