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| Foto: Liane Neves |
| Programa Folharada, da Bandeirantes: estúdio decorado com folhas de maconha |
Uma pesquisa feita com estudantes de escolas públicas em dez capitais brasileiras, e divulgada na semana passada, surpreendeu os gaúchos. Ela mostra que os estudantes de Porto Alegre são os que mais consomem drogas no país. Um em cada três adolescentes da capital gaúcha já experimentou pelo menos uma vez algum tipo de droga. No Brasil inteiro a média é de um para quatro. A conta não inclui cigarro ou bebidas alcoólicas. Os estudantes de Porto Alegre lideram o consumo de maconha. "O índice é impressionante, maior do que imaginávamos", diz Helena Maria Barros, uma das responsáveis pelo levantamento.
A
pesquisa, encomendada pelo Centro Brasileiro de
Informações sobre Drogas Psicotrópicas, Cebrid, ouviu
15.000 estudantes nas dez maiores capitais brasileiras e
limita-se a mostrar os números de uso de drogas, sem
analisar as causas. Alguns especialistas, no entanto,
apontam como hipótese mais provável para o alto consumo
em Porto Alegre o maior poder aquisitivo da população.
Mais da metade dos estudantes gaúchos que declararam já
ter experimentado drogas pertence às classes A e B.
"Quanto maior o poder aquisitivo, maior a
possibilidade de consumir drogas, que, afinal, custam
dinheiro", afirma o psiquiatra Sérgio de Paula
Ramos, chefe do serviço de Dependência Química do
Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre. "Se a
pesquisa fosse realizada nas escolas particulares, onde
os estudantes são mais ricos, provavelmente os
resultados seriam bem mais alarmantes."
Programa na
TV
Cenas de jovens consumindo e defendendo a legalização
da maconha
droga cujo efeito é
motivo de controvérsia entre médicos e especialistas
são cada vez mais comuns nas grandes cidades
brasileiras. O tema aparece em letras de música,
adesivos de carros e camisetas. Nada se compara, porém,
ao que acontece em Porto Alegre. Ao entardecer, grupos de
estudantes se reúnem para fumar maconha às margens do
Rio Guaíba e nos parques dos bairros de classe média.
Na televisão local há até um programa que se dedica ao
assunto. Chama-se Folharada e vai ao ar de segunda
a sexta, no começo da tarde, na afiliada gaúcha da Rede
Bandeirantes. O estúdio é decorado com reproduções de
folhas de maconha. "Fuma-se maconha em tudo quanto
é lugar em Porto Alegre", diz a apresentadora do
programa, Kátia Sumam, 40 anos. "É uma mudança de
costume. A própria polícia anda relaxando ao se dar
conta de que há coisas mais importantes a fazer do que
prender um garoto que leva um baseado no bolso."
Apesar de alguns dados preocupantes, a pesquisa tem de ser lida com cuidado. O Brasil ainda possui um dos menores índices de consumo de drogas entre jovens. Pesquisas similares feitas na Inglaterra e nos Estados Unidos mostram que mais da metade dos adolescentes experimenta drogas antes de completar 19 anos. "O fato de haver 25% de estudantes brasileiros que já experimentaram alguma droga indica que 75% nunca consumiram nenhuma. Não deixa de ser um bom sinal", diz Helena. Outra ressalva a ser feita é a diferença entre experimentar e ficar dependente. Apenas 3,3% dos estudantes brasileiros declararam fazer uso freqüente de alguma droga.
Com reportagem de Alexandre Oltramari
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