Carta ao Leitor
A corrida das notícias
Lula Marques/Folha Imagem  |
Quase capas A
reportagem sobre o poder do Google, a que explica o desejo de consumir e a que
trata das ações do governo para amenizar a crise poderiam também
ter sido escolhidas |
Para
uma revista semanal, a dificuldade de seus editores em escolher o assunto que
merece ser capa é um indicador de vigor editorial. Também é
ótimo sinal quando uma capa escolhida no começo ou no meio da semana
cede lugar a um fato espetacular que acaba se impondo e ocupando o espaço
mais nobre da revista. Nesta semana, os editores de VEJA viram-se nessa condição.
Eles tiveram de abrir caminho para a capa a um assunto depois de outro, na saudável
alternância que, no fundo, é o alimento para a alma do jornalismo,
atividade cujo maior inimigo é a normalidade.
Quando
a semana começou, a reportagem sobre o poder global do Google parecia candidata
imbatível para a capa. Na quarta-feira, a decisiva cartada do governo contra
a crise, materializada por um plano que, de maneira inédita, cortou gastos
oficiais e diminuiu impostos, ganhou o privilégio de ser capa. Essa dianteira
seria perdida na manhã de quinta-feira por uma revelação
chocante, a morte com suspeita de overdose do ex-marido de Susana Vieira, uma
das mais queridas e talentosas atrizes brasileiras. Susana tem tido na vida real
dissabores amorosos que nem os mais inventivos autores de novela parecem ter sido
capazes de criar. Esses raros momentos em que a vida supera a arte são
os mais reveladores das fraquezas e complexidades da condição humana
e é disso que trata a capa de VEJA.
Ter
perdido a capa não diminui a qualidade das reportagens preteridas. A que
revela o crescente domínio do Google na internet merece um destaque especial.
Para produzi-la, a jornalista Paula Neiva leu oito livros, entrevistou 23 físicos,
engenheiros, publicitários, economistas e executivos familiarizados com
o Google no Brasil, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Seu relato, que se inicia
na página 150, mostra como o que começou
há dez anos sendo apenas um site de buscas se tornou a maior multinacional
do mundo digital, com a possibilidade e a vontade de armazenar todo o conhecimento
humano e ser a porta de entrada da internet para bilhões de terráqueos.