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Edição 2091

17 de dezembro de 2008
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A corrida das notícias

Lula Marques/Folha Imagem

Quase capas
A reportagem sobre o poder do Google, a que explica o desejo de consumir e a que trata das ações do governo para amenizar a crise poderiam também ter sido escolhidas

Para uma revista semanal, a dificuldade de seus editores em escolher o assunto que merece ser capa é um indicador de vigor editorial. Também é ótimo sinal quando uma capa escolhida no começo ou no meio da semana cede lugar a um fato espetacular que acaba se impondo e ocupando o espaço mais nobre da revista. Nesta semana, os editores de VEJA viram-se nessa condição. Eles tiveram de abrir caminho para a capa a um assunto depois de outro, na saudável alternância que, no fundo, é o alimento para a alma do jornalismo, atividade cujo maior inimigo é a normalidade.

Quando a semana começou, a reportagem sobre o poder global do Google parecia candidata imbatível para a capa. Na quarta-feira, a decisiva cartada do governo contra a crise, materializada por um plano que, de maneira inédita, cortou gastos oficiais e diminuiu impostos, ganhou o privilégio de ser capa. Essa dianteira seria perdida na manhã de quinta-feira por uma revelação chocante, a morte com suspeita de overdose do ex-marido de Susana Vieira, uma das mais queridas e talentosas atrizes brasileiras. Susana tem tido na vida real dissabores amorosos que nem os mais inventivos autores de novela parecem ter sido capazes de criar. Esses raros momentos em que a vida supera a arte são os mais reveladores das fraquezas e complexidades da condição humana – e é disso que trata a capa de VEJA.

Ter perdido a capa não diminui a qualidade das reportagens preteridas. A que revela o crescente domínio do Google na internet merece um destaque especial. Para produzi-la, a jornalista Paula Neiva leu oito livros, entrevistou 23 físicos, engenheiros, publicitários, economistas e executivos familiarizados com o Google no Brasil, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Seu relato, que se inicia na página 150, mostra como o que começou há dez anos sendo apenas um site de buscas se tornou a maior multinacional do mundo digital, com a possibilidade e a vontade de armazenar todo o conhecimento humano e ser a porta de entrada da internet para bilhões de terráqueos.



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