Edição 1833 . 17 de dezembro de 2003

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DISCOS


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Underworld: além do bate-estaca  

1992-2002, Underworld (Sum) – São raras as bandas que podem se orgulhar de ter composto o hino de uma geração. O Underworld certamente está nesse grupo seleto. Born Slippy, faixa que o trio lançou em 1995, entrou na trilha do filme Trainspotting – Sem Limites e tornou-se uma canção-símbolo da comunidade clubber. Essa coletânea mostra que o trio formado pelo DJ Darren Emerson e pelos instrumentistas Karl Hyde e Rick Smith tem muito mais a oferecer do que faixas para as pistas de dança. O Underworld vai muito além do bate-estaca e se deixa influenciar por gêneros musicais mais viajantes, como o dub e o trance.


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Alicia Keys: musa do soul  

The Diary of Alicia Keys, Alicia Keys (BMG) – Alicia Keys está para a soul music assim como Norah Jones está para o jazz. As duas são consideradas um sopro de renovação em seus respectivos gêneros. O disco de estréia de Alicia, Songs in A Minor (2001), vendeu mais de 10 milhões de cópias e rendeu-lhe comparações com Aretha Franklin. Exageros à parte, a garota está mesmo acima da média: é uma bela pianista, uma boa compositora e seus trinados são muito agradáveis. O novo CD reconfirma esses talentos. Em The Diary of Alicia Keys, a artista desfia ousadas confissões (mas não a ponto de abalar a moral da família americana). Slow Down e Heartburn,que tem um pé no funk dos anos 70, são os destaques.


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  Al Green: de novo picante

I Cant't Stop, Al Green (EMI) – Em 1974, quando Al Green era um dos maiores nomes da soul music dos Estados Unidos, ele foi vítima de um atentado bizarro. Uma ex-namorada jogou mingau fervente nas costas, braços e estômago do cantor, matando-se logo em seguida. Green interpretou a tragédia como um aviso de Deus de que estaria indo longe demais na esbórnia. Ele virou pastor protestante, gravando hinos de louvor que estão entre os mais sacolejantes da história da música gospel. Mas em I Can't Stop Green dá mostras de que ainda sabe abordar assuntos mais picantes. As doze faixas do disco vão do blues ao funk racha-assoalho, e o falsete de Green brilha nas faixas I've Been Waiting on You e Play to Win.

 

DVD

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O Filho: culpa e perdão


O Filho
(Le Fils, Bélgica/França, 2002. Warner) – Olivier (Olivier Gourmet), um carpinteiro que ensina seu ofício a garotos recém-saídos do reformatório, recusa um novo aprendiz chamado Francis (Morgan Marinne), depois o espiona em algumas ocasiões, e então decide aceitá-lo em sua oficina. Olivier sabe quem Francis é: o rapaz que matou seu filho pequeno, durante um assalto, anos antes. Francis, porém, não sabe quem seu mestre é – além de uma providencial figura paterna. O filme dirigido pelos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne é árduo como os seus temas da culpa e do perdão. E, embora a alegoria religiosa fique evidente na profissão do protagonista, não há aqui nenhum sentimentalismo ou artifício. O exame dos Dardenne é honesto, escrupuloso e meticuloso, como a atuação de Gourmet.

 

LIVROS

Damas de Copas, de Cecília Costa (Record; 270 páginas; 28 reais) – Editora do caderno de literatura do jornal O Globo, a carioca Cecília Costa debutou como escritora em 2000, com uma obra de não-ficção: uma biografia de seu tio, o jornalista e poeta Odylo Costa, filho. Agora, envereda pela ficção com esse denso romance intimista. Damas de Copas é protagonizado por quatro mulheres na faixa dos 30 anos, que coabitam um sobrado no Rio de Janeiro dos anos 80. Marta, a narradora, discorre sobre o relacionamento entre elas, abordando seu passado e seus amores. A linguagem poética de Damas de Copas disseca a alma feminina.


Oscar Cabral
Garcia-Roza: crime na Zona Sul  

Perseguido, de Luiz Alfredo Garcia-Roza (Companhia das Letras; 202 páginas; 28,50 reais) – Respeitado estudioso da psicanálise, o carioca Garcia-Roza vem se dividindo desde os anos 90 entre suas preocupações acadêmicas e uma atividade bem diversa: a de autor de romances policiais. Já escreveu quatro histórias do gênero, bem acolhidas pelo público e pela crítica. Espinosa, o herói de seus livros, é um delegado calejado, que recebeu esse nome em razão da admiração do escritor pelo filósofo holandês Baruch Spinoza (1632-1677). Nesse novo trabalho, o personagem monta mais um quebra-cabeça criminal na Zona Sul do Rio de Janeiro. Um psiquiatra sente-se perseguido por um paciente, que ronda sua casa e família. Um dia, no entanto, o paciente desaparece. Eis o ponto de partida para uma trama surpreendente.

Prata da casa

Os 50 Melhores Artigos, de Stephen Kanitz (Campus; 196 páginas; 35 reais) – Colaborador da seção Ponto de vista de VEJA desde 1998, Stephen Kanitz reúne nesse volume o supra-sumo de sua produção como articulista. Mestre em administração de empresas pela Harvard Business School, Kanitz é um especialista em abordar temas complexos numa linguagem direta. Os cinqüenta textos do livro são divididos por temas. Vários tratam de ética e cidadania, outros falam sobre família ou economia. Com a experiência de quem já publicou mais de 400 escritos do gênero, Kanitz abre o livro com um artigo inédito em que oferece ao leitor sua receita de como escrever bem. Ele revela que reescreve cada um de seus textos em média quarenta vezes, pesando palavra por palavra.


Impacto Quadrinhos
Arc, o Marciano (A Girafa; 254 páginas; 35 reais) – O alienígena "tresolhudo" Arc foi protagonista de uma coluna de sucesso publicada em VEJA de abril de 1999 até agosto passado. Esse lançamento reúne os melhores momentos do personagem. Marciano em visita à Terra com a missão de verificar se vale a pena investir por aqui, Arc faz perguntas tão inocentes quanto desconcertantes sobre o comportamento humano. A coluna – do jornalista identificado apenas pelo pseudônimo "Teagá", em outra das brincadeiras ensejadas pelo personagem – abordou temas como a ameaça do apagão, a eleição presidencial de 2002, a reforma da Previdência e a guerra no Iraque.

Galeria de imagens
 




Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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