Edição 1833 . 17 de dezembro de 2003

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A nova casa do Aurélio

O dicionário mais popular
do Brasil muda de editora


Marcelo Marthe


Sergio Cardoso
Marina: luvas estimadas de 1,5 milhão de dólares


Dicionário mais popular do país, o Aurélio está mudando de casa. Desde seu lançamento, em 1975, a obra era publicada pela editora carioca Nova Fronteira. Na semana passada, os herdeiros de Aurélio Buarque de Holanda, seu criador, cederam os direitos de publicação pelos próximos sete anos ao grupo educacional Positivo, de Curitiba. Estima-se que na transação o Positivo tenha desembolsado 1,5 milhão de dólares, apenas a título de luvas. Se confirmada essa quantia, trata-se do maior negócio já feito no mercado editorial brasileiro. A saída da Nova Fronteira era um fato anunciado: o contrato entre as partes estava vencido desde julho e a viúva de Aurélio, Marina Baird, não escondia sua disposição de encerrar a parceria. "A relação se desgastou", diz Carlos Augusto Lacerda, da Nova Fronteira. Também contribuiu para o fim do casamento a queda de vendas do dicionário nas livrarias. Sua versão completa, que nos áureos tempos vendia acima de 80.000 exemplares por ano, em 2003 deverá ficar num patamar bem menor – sobretudo pelo surgimento de um concorrente de peso, o Houaiss. O acerto com o grupo paranaense pegou o mercado de surpresa. Era dado como certo que a Saraiva, uma das editoras mais tradicionais do país, seria a nova casa do Aurélio. Criado no início dos anos 70 como um cursinho pré-vestibular, o Positivo hoje é um conglomerado que fatura meio bilhão de reais por ano. Mantém uma universidade e uma rede nacional de colégios que atende 600.000 alunos. O grupo atua na área de informática, possui uma das maiores gráficas do país e uma editora. Com a compra do Aurélio, pretende fortalecer sua presença nesse último setor. "Até fevereiro, lançaremos nosso primeiro produto do Aurélio: o minidicionário escolar com novo visual", diz Giem Guimarães, executivo do grupo que conduziu as negociações.

 
 
 
 
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