|
|
Livros
A
nova casa do Aurélio
O
dicionário mais popular
do Brasil muda de editora

Marcelo Marthe
Sergio Cardoso
 |
| Marina:
luvas estimadas de 1,5 milhão de dólares |
Dicionário mais popular do país, o Aurélio
está mudando de casa. Desde seu lançamento, em 1975,
a obra era publicada pela editora carioca Nova Fronteira. Na semana
passada, os herdeiros de Aurélio Buarque de Holanda, seu
criador, cederam os direitos de publicação pelos próximos
sete anos ao grupo educacional Positivo, de Curitiba. Estima-se
que na transação o Positivo tenha desembolsado 1,5
milhão de dólares, apenas a título de luvas.
Se confirmada essa quantia, trata-se do maior negócio já
feito no mercado editorial brasileiro. A saída da Nova Fronteira
era um fato anunciado: o contrato entre as partes estava vencido
desde julho e a viúva de Aurélio, Marina Baird, não
escondia sua disposição de encerrar a parceria. "A
relação se desgastou", diz Carlos Augusto Lacerda,
da Nova Fronteira. Também contribuiu para o fim do casamento
a queda de vendas do dicionário nas livrarias. Sua versão
completa, que nos áureos tempos vendia acima de 80.000
exemplares por ano, em 2003 deverá ficar num patamar bem
menor sobretudo pelo surgimento de um concorrente de peso,
o Houaiss. O acerto com o grupo paranaense pegou o mercado
de surpresa. Era dado como certo que a Saraiva, uma das editoras
mais tradicionais do país, seria a nova casa do Aurélio.
Criado no início dos anos 70 como um cursinho pré-vestibular,
o Positivo hoje é um conglomerado que fatura meio bilhão
de reais por ano. Mantém uma universidade e uma rede nacional
de colégios que atende 600.000
alunos. O grupo atua na área de informática, possui
uma das maiores gráficas do país e uma editora. Com
a compra do Aurélio, pretende fortalecer sua presença
nesse último setor. "Até fevereiro, lançaremos
nosso primeiro produto do Aurélio: o minidicionário
escolar com novo visual", diz Giem Guimarães, executivo do
grupo que conduziu as negociações.
|