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Especial
O
segundo vestibular
Os
desafios de entrar num mercado de
trabalho em que a concorrência para o
primeiro emprego é bem maior do que
aquela enfrentada para ingressar na faculdade

Monica
Weinberg e Sandra Brasil
Pedro Rubens
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OS
ESCOLHIDOS
Da esq. para a dir., Ricardo Gambirasio, Vitor Balão,
Márcia Kuchiki, Maria Camila Dias e Vitor Bovo, alguns
dos escolhidos para o programa de trainees do Citibank em uma
disputa que teve mais de 30 000 candidatos |
Neste
ano, meio milhão de jovens irão se diplomar nas universidades
brasileiras. É a maior safra de recém-formados já
produzida no país. Corresponde a vinte vezes o número
de graduados egressos da faculdade anualmente nos anos 1960, tempo
em que um diploma de nível superior poderia alçar
alguém à diretoria da firma. Para desilusão
de uma parte desse contingente, não haverá emprego
para todos. Segundo estimativa do professor José Pastore,
especialista em questões relativas a trabalho, pouco menos
da metade desses jovens vai obter uma vaga de qualidade. Os demais
terão de se virar, a exemplo do que acontece com aqueles
que vêm sendo demitidos nos últimos tempos. Não
são poucos os que viram um parente ser convidado a aderir
a um programa de demissão voluntária ou ser terceirizado.
As estatísticas mostram que o mercado formal, aquele de carteira
assinada, vem se contraindo em rápida velocidade, num processo
que ninguém sabe exatamente quando e como termina (veja
reportagem). Em termos proporcionais, ainda que por
razões diversas, o mundo só conheceu fase em que tantas
pessoas estiveram sem emprego na década de 1930, na Grande
Depressão. Como resultado, a briga pelas boas vagas disponíveis
se transformou num segundo vestibular, ainda mais competitivo que
o primeiro. Só não entram na guerra os que planejam
trabalhar por conta própria.
O
governo, um tradicional empregador, não tem contratado como
fazia antes. E a disputa por vagas nos concursos públicos
tem sido das mais acirradas. Numa recente rodada de testes para
seleção de pessoal, o Banco do Brasil contabilizou
concorrência quatro vezes maior que a do vestibular para as
faculdades de medicina. Para o último concurso aberto pelo
Ministério da Justiça para a contratação
de policiais rodoviários federais, a previsão é
de meio milhão de inscritos. Há alguns meses, os jornais
publicaram fotografias daquela que se tornou um símbolo da
caça ao emprego público: uma fila interminável
formada no Sambódromo, no Rio de Janeiro, onde milhares de
pessoas queriam se inscrever num concurso da prefeitura para varredor
de rua.
Claudio Rossi
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A
VIDA POR CONTA PRÓPRIA
A tradutora Mariela Palácios, que procura móveis
para montar seu escritório em casa. Um de cada dez brasileiros
trabalha assim |
Para
os que preferem começar a vida numa empresa privada de primeira
linha, a realidade é igualmente desafiadora. As grandes companhias,
considerando apenas as que mantêm em folha de pagamento mais
de 1.000 funcionários, dão
emprego a 7 milhões de pessoas. O contingente corresponde
a menos de 10% da força de trabalho. Segundo uma estimativa
do mercado, as maiores empresas do Brasil abrem apenas 1.000
vagas para trainees por ano. Em média, uma para cada 500
formados. Trata-se de uma batalha de arrepiar. No teste de seleção
do ano passado para computação na Universidade de
São Paulo, das mais concorridas do vestibular, havia 232
candidatos por vaga. Na empresa de cosméticos Natura, a disputa
no concurso de trainees deste ano foi dez vezes maior.
Antes
de entrar na batalha do primeiro emprego é bom conhecer o
perfil dos vencedores, ou seja, daqueles que acabam passando nos
testes para a contratação de novatos nas empresas
ou nos concursos públicos envolvendo pessoas com curso superior.
Eles se assemelham ao engenheiro Vitor Bovo, 25 anos, de São
Paulo, aprovado no concurso de trainees do Citibank no ano passado.
Eis algumas de suas características que chamaram a atenção
dos recrutadores. No capítulo "educação formal",
Bovo formou-se num centro de excelência, a Universidade de
São Paulo. Isso conta pontos no departamento de recursos
humanos das grandes empresas. Filho de um empresário e de
uma professora universitária, Bovo foi criado num lar mais
intelectualizado do que a média nacional. E isso também
é bom. Admite que lia menos livros do que sua mãe
gostaria, mas compensava mantendo-se atualizado com jornais e revistas.
Nunca foi reprovado e sempre teve como objetivo conseguir notas
suficientemente altas para passar de ano já no terceiro bimestre,
sem depender do resultado das provas finais. No capítulo
"idiomas", Bovo fala inglês fluentemente, quase um imperativo
hoje em dia. Aos 17 anos, os pais o mandaram para um intercâmbio
nos Estados Unidos. Durante um ano, viveu com uma família
na pequena cidade de Ellsworth, que tem pouco mais de 6.000
habitantes, localizada a 300 quilômetros ao norte de Boston.
Além do inglês, tem boas noções de duas
outras línguas: alemão e espanhol. No capítulo
"interesses variados", conta que nunca deixou de se divertir. "Até
alguns anos atrás eu era DJ", diz. Contratado pelo Citibank,
Bovo recebe um salário de 3 340 reais. Calcula-se que a chance
de vencer o programa de trainee como ele venceu e depois ser contratado
como ele foi seja de uma em 5 000.
Divulgação
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PARA
AJUDAR NO CURRÍCULO
Jovens contratados para trabalho temporário como monitores
no Club Méditerranée, na Bahia: experiências
pessoais valorizam o currículo |
Quando
se diz que Bovo é um exemplo de adversário, não
significa que represente a média dos que disputam as boas
vagas em oferta. Nada disso. Bovo está muito acima da média
dos candidatos. Ele representa, sim, o perfil dos vitoriosos. Quem
planeja conquistar um trabalho por meio de concurso convém
ser como ele pelo menos. Os especialistas em recrutamento
de pessoal recomendam aos estudantes que se mirem nos bons exemplos.
"Se você quer ser um leão, aja como um deles. Solte
rugidos e cace", aconselha o consultor de recursos humanos Simon
Franco, de São Paulo, especialista na contratação
de executivos. No ano passado, o Ministério da Educação
preparou um trabalho sobre os bons universitários, com base
em dados do Provão. Não por coincidência, possuem
o perfil dos que levam vantagem nos concursos. O estudo revelou
que os bons alunos lêem pelo menos seis livros por ano, além
dos exigidos em sala de aula. A maioria dos que tiraram nota baixa
no Provão havia lido menos de um livro por ano, sem contar
os indicados em sala de aula. Os melhores estudantes dominam o inglês
e usam a internet para se manter atualizados. Enquanto os maus alunos
se informam preferencialmente através da televisão,
os melhores recorrem a jornais e revistas. Os bons estudantes também
dedicam maior atenção à lição
de casa do que seus colegas. É complicado definir qual o
tempo mínimo diário necessário para que os
alunos revejam o que aprenderam em sala de aula. Os especialistas
acreditam que os jovens deveriam se esforçar para estudar
até uma hora e meia todos os dias, de segunda a sexta.
Além
da desproporção numérica entre a concorrência
para entrar na faculdade e aquela exigida dos que planejam disputar
um emprego, há outros aspectos ligados à seleção
que merecem ser observados. Uma marca dos processos seletivos das
universidades é a impessoalidade. Os candidatos a uma vaga
na faculdade são chamados a exibir unicamente seus conhecimentos
formais, e sempre por escrito. Pelo menos no Brasil. A personalidade
não entra no julgamento final. Até porque o futuro
universitário terá como missão precípua
absorver conhecimento. Não faz diferença se ele é
tímido, agressivo, temperamental. Nada disso importa muito.
Deve apenas possuir a formação necessária para
compreender o que lhe será ensinado em sala de aula. Já
para as pessoas que ingressam no mercado de trabalho, a personalidade
conta muitos pontos.
Germano Luders
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Raul Junior
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NA
DISPUTA POR TALENTOS
Antonio Maciel Neto, da Ford, Geraldo Carbone, do BankBoston,
Jorge Gerdau, da Gerdau, e Roberto Setúbal, do Itaú:
os melhores candidatos saem de apenas 1% das faculdades |
Bia Parreiras
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Germano Luders
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Para
aqueles que trabalham por conta própria a conduta muitas
vezes é a diferença entre conquistar e perder um cliente.
Quem descuidar das regras de bom atendimento poderá ser engolido
pelos concorrentes. Os especialistas em recrutamento apontam para
a presunção como um defeito que acaba matando o novo
empresário. Outros defeitos citados são a insegurança
e a teimosia. Os números mostram que boa parte das empresas
fecha as portas por falta de capital, por não ter clientes,
pelo excesso de carga tributária, por culpa dos maus pagadores
ou mesmo da forte concorrência. Descuidos comportamentais
estão entre as principais razões para o fechamento
das microempresas. Abre-se no Brasil quase meio milhão de
empresas todos os anos. De acordo com dados do Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, perto de 250.000
quebram antes de chegar ao segundo ano de vida. E apenas 30% ultrapassam
a marca dos cinco anos.
No
caso da luta pelo emprego obtido mediante concurso, a maneira de
se comportar é muitas vezes aferida em sessões de
dinâmica de grupo e em entrevistas longas, individuais, do
tipo olho no olho. Em muitos casos, o temperamento pode funcionar
como desempate. Os empregadores procuram pessoas versáteis,
que saibam se comunicar, que consigam trabalhar em equipe e que
tenham habilidade para liderar. Nos departamentos de recursos humanos,
usa-se um jargão para definir esse profissional. Ele deve
ter "atitude proativa". No ambiente profissional, o jovem não
ficará escutando um professor. Ele precisa arregaçar
as mangas e fazer as coisas funcionar diante de um comando seu.
Na faculdade não há pressão. Os prazos são
flexíveis e os projetos não têm valor financeiro.
No mundo do trabalho, tempo é dinheiro, e desperdiçá-lo
pode representar um prejuízo enorme.
O
processo de preparação dos mais jovens para o mercado
de trabalho começa no dia em que o nome do candidato aparece
na lista de aprovados do vestibular. Caso tenha entrado numa faculdade
de primeira linha, suas chances de se encaixar depois de formado
aumentam muito. Muitas empresas iniciam o processo de seleção
de pessoal pela leitura da linha do currículo onde o candidato
grafou o nome da faculdade pela qual se diplomou. As estatísticas
de recrutamento das grandes companhias mostram que a maioria dos
trainees é recrutada em apenas 1% das faculdades. Outro levantamento
feito pela Companhia de Talentos, especializada em recrutamento
de jovens, com base nas contratações para cargos na
área de administração, revela que as maiores
empresas buscam seus empregados em apenas vinte dos 1.400
cursos de administração de empresas. "A escolha da
faculdade pode determinar o futuro que o jovem vai ter. É
fundamental estudar numa universidade conceituada", diz Carlos Henrique
de Brito Cruz, reitor da Universidade Estadual de Campinas, uma
das mais respeitadas do Brasil. Isso não quer dizer que só
vão se colocar os egressos dos cursos renomados. Mas ninguém
pode desconhecer as dificuldades adicionais enfrentadas por quem
se formou numa faculdade de terceira linha.
O
superintendente de recursos humanos do Banco Santos, Fernando Cunha,
relata o desafio que enfrentou na semana passada. Ele precisava
escolher trainees de um grupo de 32 recém-formados selecionados
entre 6.400 inscritos. "Ficaríamos
bem servidos com qualquer um deles. Mas, como só tínhamos
vinte vagas, tivemos de desempatar." Nos exames de seleção,
todos passaram por provas de conhecimento geral e idiomas, dinâmicas
de grupo e apresentações. Nessa fase, segundo Cunha,
entram em cena critérios subjetivos. A chance pode ser dada
em razão da empatia, pela postura física ou identidade
do candidato com a cultura do banco. A seriedade com que são
realizados os processos de seleção se ampara no fato
de que, quando oferece uma vaga, a empresa está procurando
seus futuros dirigentes. "Criamos na entrevista final um ambiente
agressivo, difícil. Colocamos sete vice-presidentes espremendo
um jovem recém-formado. Recriamos o ambiente que ele vai
encontrar na vida real. Nós também não podemos
errar", diz Salvador Evangelista, vice-presidente de recursos humanos
da empresa de cartões de crédito American Express.
A
procura por um emprego numa empresa grande é resultado de
uma cultura que passa de pai para filho há algum tempo e
que, na opinião do consultor americano Tom Peters, um dos
mais festejados gurus da administração, vai ter de
mudar (veja entrevista).
"A idéia de trabalhar numa grande empresa era, certamente,
lugar-comum nos Estados Unidos durante sessenta, setenta ou oitenta
anos. Hoje, essa idéia se perdeu", diz o consultor. De acordo
com seus dados, 50% dos americanos eram trabalhadores independentes
em 1900. Em 1977, apenas 7% dos americanos ainda trabalhavam por
conta própria. Atualmente, a força que não
atua como empregado subiu para 16%. "Acho que o período de
1900 a 1975 deverá ser visto como uma anomalia", afirma Peters,
para quem o futuro passa pela volta da prestação de
serviço sem vínculo empregatício e pela retomada
de bons empregos em empresas de pequeno porte. No Brasil, os dados
confirmam a mudança. O total de pessoas trabalhando na informalidade
ultrapassou o contingente de empregados com carteira assinada. E
mais: a renda dos que atuam por conta própria já é
maior que a dos empregados. No começo, muita gente trabalha
de forma independente por necessidade. Depois, identifica algumas
vantagens embutidas na decisão, entre as quais a flexibilidade
de horário. "O emprego formal não é a única
maneira de ganhar a vida nem será a mais abundante daqui
para a frente", afirma Tom Peters.
É
preciso evitar generalizações quando se fala dos universitários
que procuram emprego. Nem todos os profissionais vão tentar
uma chance na grande empresa, nem todos estão em busca de
uma carreira linear, aparentemente mais protegida dos altos e baixos.
Muitos se interessam por viver no mundo do empreendedorismo, onde
os estudos mostram que a renda mensal pode variar entre 25% e 50%
de um mês para o outro para mais ou para menos. Em
levantamento feito há algum tempo a respeito do perfil empreendedor
de alguns países, o Brasil apareceu em primeiro lugar, à
frente dos Estados Unidos. Um em cada oito brasileiros adultos acaba
montando um negócio próprio. Entre os americanos,
a proporção é de um para dez. Os médicos
e os dentistas às vezes dão plantão em empresas
ou repartições públicas, mas o grosso do mercado
deles continuará sendo por muitos anos uma mistura de emprego
com a clínica particular. Os advogados também vivem
uma realidade especial. Muitos participam dos processos de seleção
e até desejariam trabalhar numa empresa. Mas os levantamentos
feitos pela Ordem dos Advogados do Brasil mostram que a grande maioria
sonha mesmo é em ter o próprio escritório.
Há
cursos universitários que oferecem a vida autônoma
como saída natural, como no caso dos que estudam computação.
Num país como o Brasil, existe um mercado inesgotável
a ser desbravado, onde se vende um computador a cada três
segundos. A oferta de produtos é superior à capacidade
das pessoas de absorver tecnologia. Outras carreiras também
dão aos recém-formados o direito de lutar pelo futuro
sem entrar numa fila de recrutamento. É o caso da arquitetura
ou da psicologia. Os novos arquitetos e psicólogos devem
ter em vista que o trabalho por conta própria pode ser uma
boa solução, embora as duas profissões vivam
um momento delicado. Na crise, quando o orçamento aperta,
muita gente adia o projeto de consertar a casa e a cabeça.
Algumas
carreiras universitárias estão tendo sua clientela
alterada, como a matemática, que até outro dia era
valorizada basicamente no meio acadêmico. Agora, chama a atenção
do mercado. O matemático se especializa em criar hipóteses
e estudá-las por meio de equações. Isso interessa
a bancos, empresas de informática, institutos de análises
de mercado e empresas de meteorologia. Outra carreira em mudança
é a biologia. Graças à indústria farmacêutica
e de biotecnologia, os biólogos se envolvem na coordenação
de investimentos anuais da ordem de quase 10 bilhões de dólares
em novos remédios, sementes e defensivos agrícolas.
As demais carreiras de perfil acadêmico continuam circunscritas
preferencialmente ao ambiente universitário. No caso de letras,
a maioria dos formados permanece dando aulas em escolas e universidades.
História e pedagogia vivem realidade semelhante. A restrição
não deve desanimar o novo profissional, pois o número
de instituições de ensino superior no Brasil dobrou
nos últimos cinco anos. Passou de 1.100
para 2.000. Os bons professores sempre
terão lugar para trabalhar.
Ingressam
nas empresas por meio de concurso profissionais de várias
áreas, como químicos, biólogos, economistas,
médicos, enfermeiros, geógrafos, publicitários.
Duas profissões, no entanto, acabam ocupando uma boa parte
das vagas disponíveis nas grandes e médias empresas:
administração de empresas e engenharia. O administrador
sai da faculdade com uma visão genérica do funcionamento
de uma companhia. Há algum tempo, tal característica
era criticada, pois o mercado procurava especialistas. Atualmente,
os recrutadores mudaram de opinião. "É fundamental
uma formação abrangente", diz José Amaro, diretor
na área de recursos humanos da Brasil Telecom, empresa com
6.000 empregados que opera mais de 10
milhões de linhas telefônicas e cobre um terço
do território nacional. O curso de engenharia viveu um momento
único quando a indústria automobilística se
instalou no Brasil e o crescimento acelerado da economia permitiu
investimentos pesados em obras públicas. Nunca mais os engenheiros
encontraram um mercado tão receptivo. Pouco a pouco, no entanto,
a mente racional e matemática do engenheiro, bem como sua
habilidade para entender e se adaptar às novidades tecnológicas,
tem aberto a esse profissional as mais diversas oportunidades de
trabalho, muitas vezes fora de seu campo específico.
O
consultor Simon Franco costuma recorrer a uma comparação
litorânea ao explicar o atual momento. "Arrumar um bom emprego
hoje em dia é como procurar um lugar na praia durante a temporada",
afirma Franco. "Todos os espaços parecem ocupados." Para
quem não está disposto a enfrentar uma disputa feroz
por um lugar ao sol, Franco tem uma sugestão: procure espaço
numa praia mais distante. No começo dos anos 90, mais da
metade dos empregos industriais se concentrava nas capitais. Atualmente,
pouco mais de 40% permanecem nas metrópoles. O número
de empregos abertos no interior de São Paulo supera com folga
o total de vagas fechadas na capital paulista. Vinte anos atrás,
as melhores oportunidades de trabalho se resumiam aos Estados de
São Paulo e Rio. Hoje, pode-se procurar trabalho em pelo
menos dez Estados. Um levantamento comparativo mostrou que nos primeiros
cinco anos da década de 90 a Bahia gerou mais postos de trabalho
que São Paulo, graças em parte à indústria
do turismo. Em Campina Grande, no interior da Paraíba, há
um pólo de informática onde já operam mais
de sessenta empresas. Em Blumenau, no Estado de Santa Catarina,
há outro pólo parecido com mais de 500 firmas. Como
se vê, o Brasil ainda é um país em construção.
Quem tiver disposição para se deslocar poderá
se surpreender positivamente.
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