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História
As
vítimas do outro lado
Livro
com imagens da morte
causada pelos ataques dos
aliados na Alemanha causa polêmica
Fotos Jörg Friedrich
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| Mortos
e feridos: bombardeios ingleses e americanos mataram cerca de
600 000 civis durante a II Guerra |
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O historiador
alemão Jörg Friedrich provocou uma grande polêmica
no ano passado com a publicação de O Incêndio
A Alemanha sob Bombardeio, livro em que narrava o sofrimento
dos alemães sob o fogo aéreo aliado na II Guerra Mundial.
Sua nova obra, Brandstätten (Lugares em Chamas), volta
ao mesmo assunto. Desta vez, são texto e fotos chocantes
de civis alemães mortos ou feridos em 240 páginas.
As imagens mostram corpos de mulheres e crianças carbonizadas
pelo efeito das bombas incendiárias, soldados alemães
empilhando mortos e integrantes da juventude nazista recolhendo
cadáveres de bebês nas ruas de Colônia. Somente
nos últimos meses da guerra, cerca de 130.000
civis alemães foram mortos. A média chegou a ser de
1.000 pessoas por dia. O livro de fotos
não deixa de ser uma continuação do anterior.
Em O Incêndio A Alemanha sob Bombardeio, Friedrich
descreveu os bombardeios com base em depoimentos dos sobreviventes
e questionou se a decisão do primeiro-ministro inglês
da época, Winston Churchill, de destruir cidades alemãs
sem alvos militares não deveria ser considerada um crime
de guerra. O livro vendeu mais de 186.000
cópias e transformou-se num best-seller na Alemanha.
As
fotos de Brandstätten mostram o sofrimento dos civis
perdedores da II Guerra. Friedrich é um pesquisador respeitado,
que já escreveu sobre os crimes do Exército nazista
na Rússia e sobre o julgamento de ex-comandantes de Hitler.
Para ele, a guerra dos aliados contra a Alemanha foi justa, o injusto
foram os meios. O historiador não concorda com a tese, amplamente
aceita até os dias de hoje, de que a destruição
de diversas cidades alemãs foi conseqüência inevitável
dos crimes cometidos por Hitler. "Mostrar o sofrimento dos civis
alemães é um ato contra a guerra e, ao mesmo tempo,
uma revisão da história. Ela não visa a negar
a responsabilidade dos nazistas nem a diminuir o horror do massacre
dos judeus", diz Friedrich.
A
reação da imprensa alemã foi feroz. O diário
Sueddeutsche Zeitung recomendou que o livro fosse jogado
no lixo e acusou Friedrich de dar contornos estéticos a um
evento histórico horrível. Outro jornal, o Die
Zeit, publicou um artigo dizendo que o historiador alemão
estava tentando fazer um paralelo não explícito entre
as vítimas alemãs e os judeus mortos em campos de
concentração e classificou a teoria de Friedrich como
uma "hipótese problemática nos dias atuais". A destruição
das cidades alemãs foi executada pelos comandantes das forças
inglesas e americanas como uma estratégia para reduzir o
apoio da população civil alemã a Hitler. Em
cinco anos, os ataques aliados destruíram quase totalmente
Dresden. Outras cidades tiveram de 70% a 80% de suas casas e prédios
destruídos.
Os
ataques aéreos alemães antes e durante a II Guerra
estão bem documentados. Na Guerra Civil Espanhola, entre
1936 e 1939, os alemães, que apoiavam o golpista Francisco
Franco, dizimaram a cidade de Guernica, na região do País
Basco. A desculpa para o ataque aéreo, o primeiro contra
uma população civil indefesa, era a existência
de uma ponte que estaria sendo usada pelo inimigo. Depois de horas
de bombardeio, uma das únicas construções que
restaram de pé na cidade que inspirou Picasso a pintar os
horrores da guerra era justamente a tal ponte. As cidades inglesas
e soviéticas também sentiram o poder da Força
Aérea nazista. Em agosto de 1942, 1 200 aviões alemães
mataram 40 000 pessoas em Stalingrado. Em Londres, museus relembram
os ataques no meio da noite. Para Friedrich, quanto mais se mostrar
o sofrimento provocado pelas guerras, seja de que lado for, mais
crescerá entre as pessoas o apreço pela paz.
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