Edição 1833 . 17 de dezembro de 2003

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Educação
A média foi só 3,6

Os dados do Provão mostram
que na média, os recém-formados
erram dois terços das questões


Monica Weinberg

 
Ernesto Rodrigues/AE
Alunos no teste de 2003: nenhuma faculdade tirou 10

O conteúdo do Provão é decidido por um grupo de especialistas selecionados pelo Ministério da Educação (MEC). A orientação que recebem do governo é confeccionar um teste específico para cada carreira, de forma a avaliar o nível de compreensão dos estudantes sobre os assuntos essenciais de sua área de conhecimento. A prova elaborada é razoavelmente complexa. Apenas os alunos de padrão elevado conseguem tirar 10. Espera-se que os medianos obtenham notas entre 5 e 6, ou seja, que acertem pelo menos metade das questões. A última rodada do Provão foi realizada há alguns meses e analisou o desempenho de 435.000 alunos entre os formandos de junho e dezembro de 2003. O quadro geral das notas, que se encontra em fase final de tabulação e deverá ser divulgado nos próximos dias, é desanimador. A média dos 5.800 cursos avaliados não passou de sofríveis 3,6 numa escala de 0 a 10. Ou seja, o estudante acertou algo como um terço da prova, o que é muito pouco. Se um aluno tirasse nota parecida no ensino médio, acabaria reprovado.

Como nem todos os estudantes fazem a prova com a devida seriedade – alguns até a entregam em branco –, seria natural esperar uma média geral não muito alta. Outro fator que puxa a avaliação para baixo é a proliferação das faculdades. Nos últimos cinco anos, dobrou o total de estabelecimentos de ensino superior. Passou de 1.100 para 2.000. Nos últimos dez anos, o contingente universitário saltou de 1,5 milhão para 3,5 milhões. Num processo conhecido, as notas tendem a ser mais baixas quando a base de cálculo é elevada. Mas nada justifica o resultado obtido. De todas as áreas avaliadas, a que obteve o melhor desempenho foi odontologia, e mesmo assim não passou de uma nota mediana: 5,6. Vieram em seguida fonoaudiologia, veterinária, enfermagem e medicina. Na radiografia preparada pelo ministério, cerca de 35% das carreiras examinadas se situaram entre 2 e 3. A última colocada foi letras (2).

O levantamento do MEC indica que o nível médio do jovem recém-formado deixa a desejar, já que os estudantes demonstraram dificuldade para resolver questões consideradas vitais ao exercício da carreira que escolheram. A publicação dos resultados poderá estimular uma reflexão mais profunda sobre o que está acontecendo na academia. É preciso saber se os alunos não conseguem aprender ou se os professores não conseguem ensinar – ou as duas coisas. A divulgação do Provão compreende duas partes básicas. Uma é essa, que analisa as notas de cada carreira numa escala de 0 a 10. A outra contém as avaliações individualizadas dos cursos e não utiliza números, mas conceitos de "E" a "A". Por decisão das autoridades, uma faculdade pode ser nota "A" mesmo que seus alunos acertem 40% ou 50% da prova. Ninguém fica sabendo disso e os reitores propagandeiam o feito obtido. O novo governo eliminou as cinco letras e criou um modelo com três conceitos, que passa a vigorar a partir do ano que vem. São eles: bem avaliado, intermediário e não satisfatório. A realidade continuará encoberta.

 
 
 
 
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