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Educação
A média foi só 3,6
Os dados do Provão mostram
que na média, os recém-formados
erram dois terços das questões

Monica
Weinberg
Ernesto Rodrigues/AE
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| Alunos
no teste de 2003: nenhuma faculdade tirou 10 |
O
conteúdo do Provão é decidido por um grupo
de especialistas selecionados pelo Ministério da Educação
(MEC). A orientação que recebem do governo é
confeccionar um teste específico para cada carreira, de forma
a avaliar o nível de compreensão dos estudantes sobre
os assuntos essenciais de sua área de conhecimento. A prova
elaborada é razoavelmente complexa. Apenas os alunos de padrão
elevado conseguem tirar 10. Espera-se que os medianos obtenham notas
entre 5 e 6, ou seja, que acertem pelo menos metade das questões.
A última rodada do Provão foi realizada há
alguns meses e analisou o desempenho de 435.000 alunos entre os
formandos de junho e dezembro de 2003. O quadro geral das notas,
que se encontra em fase final de tabulação e deverá
ser divulgado nos próximos dias, é desanimador. A
média dos 5.800 cursos avaliados não passou de sofríveis
3,6 numa escala de 0 a 10. Ou seja, o estudante acertou algo como
um terço da prova, o que é muito pouco. Se um aluno
tirasse nota parecida no ensino médio, acabaria reprovado.
Como nem todos os estudantes fazem a prova com a devida seriedade
alguns até a entregam em branco , seria natural
esperar uma média geral não muito alta. Outro fator
que puxa a avaliação para baixo é a proliferação
das faculdades. Nos últimos cinco anos, dobrou o total de
estabelecimentos de ensino superior. Passou de 1.100 para 2.000.
Nos últimos dez anos, o contingente universitário
saltou de 1,5 milhão para 3,5 milhões. Num processo
conhecido, as notas tendem a ser mais baixas quando a base de cálculo
é elevada. Mas nada justifica o resultado obtido. De todas
as áreas avaliadas, a que obteve o melhor desempenho foi
odontologia, e mesmo assim não passou de uma nota mediana:
5,6. Vieram em seguida fonoaudiologia, veterinária, enfermagem
e medicina. Na radiografia preparada pelo ministério, cerca
de 35% das carreiras examinadas se situaram entre 2 e 3. A última
colocada foi letras (2).
O
levantamento do MEC indica que o nível médio do jovem
recém-formado deixa a desejar, já que os estudantes
demonstraram dificuldade para resolver questões consideradas
vitais ao exercício da carreira que escolheram. A publicação
dos resultados poderá estimular uma reflexão mais
profunda sobre o que está acontecendo na academia. É
preciso saber se os alunos não conseguem aprender ou se os
professores não conseguem ensinar ou as duas coisas.
A divulgação do Provão compreende duas partes
básicas. Uma é essa, que analisa as notas de cada
carreira numa escala de 0 a 10. A outra contém as avaliações
individualizadas dos cursos e não utiliza números,
mas conceitos de "E" a "A". Por decisão das autoridades,
uma faculdade pode ser nota "A" mesmo que seus alunos acertem 40%
ou 50% da prova. Ninguém fica sabendo disso e os reitores
propagandeiam o feito obtido. O novo governo eliminou as cinco letras
e criou um modelo com três conceitos, que passa a vigorar
a partir do ano que vem. São eles: bem avaliado, intermediário
e não satisfatório. A realidade continuará
encoberta.
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