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Diogo
Mainardi
Diplomacia
da rapadura
"O
Brasil não precisa
de política externa,
precisa só de preços baixos. Deveríamos
transformar nossas embaixadas em frigoríficos
para frango congelado e suco de laranja"
Vamos
vender rapadura aos árabes. Foi o saldo da viagem de Lula
ao Oriente Médio. O contrato para o fornecimento de rapadura
depende da construção de uma refinaria de açúcar
na Síria, por parte de usineiros de Ribeirão Preto.
Não entendi se o empreendimento irá contar com dinheiro
do BNDES. Entendi apenas que o Brasil não receberá
investimentos dos árabes, serão os árabes a
receber investimentos dos brasileiros. Para um mascate internacional,
como Lula definiu a si mesmo, o resultado não é muito
animador: 150 milhões de dólares aplicados num país
que está na bica de sofrer um boicote econômico.
Os
usineiros de Ribeirão Preto que irão construir a refinaria
na Síria são antigos aliados do PT. Eles financiaram
as campanhas eleitorais de Antonio Palocci. O prefeito petista de
Piracicaba, José Machado, também foi financiado por
usineiros da região. José Machado era sócio
do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel numa empresa de
consultoria que intermediava licitações em prefeituras
do PT. Outros sócios da empresa eram Miriam Belchior, atual
secretária de Lula, e Sérgio Gomes, suspeito de ser
o mandante do assassinato de Celso Daniel. Luiz Gu-shiken também
tinha uma empresa de consultoria, contratada pelo PT para traçar
o projeto da reforma da Previdência. Quando virou ministro,
Gushiken tratou de nomear os diretores dos fundos de pensão
das estatais. O setor, um dos mais ricos da economia, está
inteiramente nas mãos dele. Os petistas podem não
saber cuidar dos interesses da nação, mas sem dúvida
sabem cuidar de seus próprios interesses.
Tudo
indica que Lula pretende inserir o Brasil no falido movimento dos
países não-alinhados. Ele repete sem parar os bordões
do movimento sobre o multilateralismo e a cooperação
Sul-Sul. Os cinco países árabes que ele visitou são
não-alinhados, assim como Bolívia, Peru e Venezuela,
que receberam dinheiro público brasileiro ao longo do ano.
O maior engano do PT é acreditar que mais peso político
significa mais poder de barganha no comércio internacional.
O Brasil não precisa de política externa, precisa
só de preços baixos. Deveríamos transformar
nossas embaixadas em frigoríficos para frango congelado e
suco de laranja. Deveríamos também abrir mão
da cadeira no Conselho de Segurança na ONU, e ficar em silêncio
por algum tempo. Iraque? Israel? Palestina? Cuba? Colômbia?
Problema deles. Não temos nada a ver com isso. Os brasileiros,
sempre que deparam com um mendigo, viram a cara e fingem que não
estão vendo. É o jeito certo de agir diante dos grandes
conflitos mundiais.
Na
semana passada falei sobre a dificuldade de encontrar escola para
meu filho deficiente. Recebi montes de cartas. Fui parado na rua.
Me telefonaram. Muitos pais sofreram a mesma discriminação.
O Brasil está cheio de gente boçal. Mas também
está cheio de gente dedicada e corajosa, que se mexe, que
protesta, que acolhe. Relataram-me uma infinidade de experiências
bem-sucedidas em escolas espalhadas pelo país, de Maringá
a Maceió. Foi bom saber. Não somos um caso perdido.
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