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  Edição 1 624 -17/11/1999

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Livros

Os Escolhidos, de Jonathan Kellerman (tradução de Ivo Costa de Oliveira; Mandarim; 394 páginas; 36,50 reais) – Quem é fã de thrillers e ainda não conhece o americano Jonathan Kellerman pode investir sem medo neste romance, o quinto do autor a ser lançado no Brasil. Um dos grandes vendedores de livros da atualidade, Kellerman tem o dom de tecer enredos arquitetados com engenho. Neste caso, o assassinato de uma menina de 15 anos, filha de um diplomata israelense, é o ponto de partida para uma investigação complicada. Como nos livros anteriores de Kellerman, os heróis são Alex Delaware, um psicólogo-detetive, e Milo Sturgis, um policial gay. Verdade seja dita, o forte de Kellerman não está na criação de personagens – eles são mais boas idéias do que figuras caracterizadas com esmero. Mas isso em nada prejudica o divertimento.

Amsterdam, de Ian McEwan (tradução de Paulo Reis; Rocco; 181 páginas; 19,50 reais) – Conhecido pelas perversões e crueldades que retrata em seus romances e contos, Ian McEwan maneirou um pouco em Amsterdam. Não espere, entretanto, encontrar uma história rosada. Ao apresentar aos leitores Vernon, um jornalista inescrupuloso, e Clive, um músico famoso e egoísta, McEwan destila humor negro. Os protagonistas aparecem pela primeira vez na saída de um velório. A falecida foi amante de ambos e, ali, refletindo sobre a morte, eles fazem um pacto de proteção mútua. Em breve, a lealdade será posta à prova e o resultado – bem, digamos apenas que não é dos melhores. Misto de sátira social, fábula de moralidade e estudo sobre a psicologia masculina, Amsterdam ganhou o prestigioso prêmio Booker, em 1998, e confirmou McEwan como um dos expoentes da geração de escritores ingleses hoje na casa dos 50 anos, ao lado de Martin Amis e Julian Barnes.

 

Televisão

Ciclo Otto Preminger (Telecine 5, de segunda a sábado, às 22 horas) – O cineasta austríaco Otto Preminger, diretor de obras-primas como Laura e Anatomia de um Crime, tem a fase inicial de sua carreira revisitada. Tido como um dos mais exigentes diretores de Hollywood, capaz de pedir que seus atores trocassem sopapos de verdade para acentuar o realismo das cenas, Preminger tinha domínio absoluto do film noir, aquele gênero de suspense povoado por mulheres fatais e muito popular nos anos 40. Um bom exemplo está em Passos na Noite, de 1950, a primeira e melhor das seis fitas que serão exibidas nesse ciclo. Ele narra a história de um policial truculento que tenta ocultar sua culpa por um assassinato acidental. Na quarta-feira será a vez da comédia Czarina, com Eva Gabor. Nenhum dos filmes do pacote está disponível em vídeo no Brasil.

 

Discos

The Best of Bond...James Bond, Vários intérpretes (EMI) – Há tempos que o espião James Bond perdeu em popularidade para heróis mais audaciosos e violentos. As canções-tema de seus filmes, no entanto, resistem bravamente ao tempo, porque sempre foram assinadas por bons artistas. Além disso, elas refletem os ritmos da moda em cada época. Essa tática provocou pelo menos uma situação curiosa. Em 007 contra Goldfinger, de 1964, Bond dizia que era impossível ouvir os Beatles sem tampar os ouvidos. Nove anos depois, o ex-beatle Paul McCartney compôs e interpretou o rock Live and Let Die, um dos temas mais famosos da série. Canções como Nobody Does it Better, cantada por Carly Simon, e The Man with the Golden Gun, a cargo da escocesa Lulu, merecem ser ouvidas em qualquer época. A presença de Shirley Bassey também vale o investimento. Ela interpreta o clássico dos anos 60 Goldfinger.

 

The Unauthorized Biography of Reinhold Messner, Ben Folds Five (Sony Music) – O Ben Folds Five é uma grata surpresa em meio ao festival de guitarras e gritos que caracterizam o rock americano deste final de século. Surgido em 1994, no Estado de Carolina do Norte, o trio prefere investir em belas melodias a engrossar o coro de rebeldes sem causa de sua geração, um estilo que o líder Ben Folds definiu como "punk rock para filhinhos da mamãe". Entre os admiradores do grupo está o maestro Burt Bacharach, outro artista que conhece como poucos a arte de criar canções assobiáveis. Reinhold Messner é o primeiro trabalho do grupo a ser lançado no Brasil. O CD tem músicas saborosas, com bons arranjos de metais e orquestra. A presença maciça do piano chega a evocar o Supertramp, banda que dominou as paradas pop nas décadas de 70 e 80, e até mesmo Elton John.