Edição 1 624 -17/11/1999

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Show cósmico

Cientistas esperam chuva de meteoros nesta semana

Astrônomos de todo o mundo estão com telescópios apontados em direção à constelação de Leão à espera do que promete ser uma das maiores tempestades de meteoros deste século, na madrugada desta quinta-feira. Nesse dia, a Terra vai interceptar a órbita do cometa Tempel-Tuttle. Quando isso ocorre, está sujeita a receber uma chuva de partículas do tamanho de ervilhas, que se desprendem do núcleo do cometa. São os chamados meteoros Leonídeos, que penetram na atmosfera a 250.000 quilômetros por hora e explodem a 100 quilômetros do chão. Se o espetáculo tiver a grandiosidade esperada, os brasileiros poderão apreciá-lo a olho nu, apesar de os melhores pontos de observação serem a Europa, o Oriente Médio e a África.

Pesquisadores do mundo todo estão torcendo para que se repita o show de luzes cadentes que encantou o mundo em 1966. No ano passado, acreditava-se que o espetáculo se repetiria, mas a tempestade resumiu-se a uns poucos fragmentos. Foi bonito, mas não chegou nem aos pés do ocorrido há três décadas, quando os meteoros despencaram do céu ao ritmo de quarenta por segundo. Não representam nenhum risco para quem está na superfície, mas ninguém sabe o que pode acontecer com os satélites que estão em órbita. O que leva os astrônomos a acreditar que os Leonídeos provocarão uma tempestade cósmica é que em 1998 ocorreu o periélio do cometa. Nessa ocasião, ele chegou ao ponto mais próximo do Sol. Estima-se que a queda de meteoros é mais intensa um ano depois desse fenômeno. "Não se verá uma chuva assim nos próximos 100 anos", garante Bill Cooke, cientista da Nasa. Vale lembrar que os Leonídeos são imprevisíveis. Nas passagens de 1899 e 1932, quem ficou olhando para o céu só perdeu tempo.