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Duros como água
Chega ao Brasil a última
arma do arsenal feminino
para aumentar os seios
Aida Veiga
Fotos André Rolim
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Acqua Bra: uma bolsinha
com água e óleo
garante o volume
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De nada adianta remar contra a maré: bustos grandes
estão novamente em alta. Quem tem, que faça
bom proveito. Quem não tem, pode apelar para a última
novidade nesse território. Depois de meses de sucesso
no Japão, na Europa e nos Estados Unidos, está
chegando ao Brasil um recurso mais barato e menos perigoso
que a cirurgia de implante de silicone. É o Acqua Bra
também chamado de Water Bra , um sutiã
que traz uma bolsinha de água e óleo como enchimento.
Pesando pouco, a bolsa é maleável e confortável,
representando um avanço e tanto. No passado, reinou
o espartilho, que, por meio de cordões bem apertados,
forçava os seios para cima. Diagnóstico: altamente
desconfortável e prejudicial à absorção
de oxigênio pelas usuárias. Depois, vieram sutiãs
de vários tipos, incluindo aqueles bicudos que deixavam
a blusa com duas pontas como se a garota estivesse exibindo
no peito o Everest e seu vizinho Annapurna. Poucos anos atrás,
surgiram sutiãs desenhados por amantes da arquitetura.
Tinham estrutura de metal que lembrava fundações
de prédio, capazes de manter empinado qualquer arranha-céu.
Agora, chega à praça brasileira através
da Valisère e da Duloren esse sutiã simples
com um travesseirinho de água e óleo para dar
mais volume e firmeza aos seios. "Engana muito bem", comenta
Denise Areal, estilista da Duloren. "Enquanto a mulher não
tirar a roupa, vai parecer que tem um peitão à
la Pamela Anderson."
Pode não ser uma solução definitiva,
mas é mais um instrumento numa galeria infindável
de armas femininas contra os flácidos e pequenos. Os
seios, como se sabe, mexem com as mais profundas inseguranças
do sexo que os tem. As mulheres nunca estão satisfeitas
com o material que lhes forneceu a natureza. Querem sempre
mais. Ou menos. Ou então querem mais para cima. Se
bem-sucedida, uma prótese de silicone pode durar anos.
Quem fez, pelo menos por enquanto, não reclama. A atriz
Vera Fisher já fez. Demi Moore, a americana que tirou
a roupa no filme Striptease, também se submeteu
à faca e, como se viu, o cirurgião não
poderia ter executado melhor trabalho. Entre as jovens e belas
da TV, a feiticeira Joana Prado fez duas, e Xuxa e Malu Mader
andam pensando em experimentar também. "A brasileira
assumiu a moda mundial de ter peito grande, aquele que chama
a atenção", opina Farid Hakme, presidente da
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que acaba
de escrever uma tese sobre o aumento das mamas. "Ela viu tanta
mulher ser elogiada por causa dos seios avantajados que resolveu
dar um jeito nos seus também." O número de cirurgias,
que era de 5.000 em 1995, deve
chegar a 40.000 neste ano. Interessante
é notar que há pouquíssimo tempo essa
mesma mulher poderia estar correndo aos consultórios
em busca de lipoaspirações. Nos anos 80, 70%
das vaidosas entravam na faca para cortar centímetros;
hoje, 60% delas querem é colocar próteses.
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Alça de silicone:
invisível até nos
tomara-que-caia |
O sobe-e-desce na preferência a respeito de seios
é um fenômeno deste século. Antes, vigorava
de maneira mais ou menos generalizada a excelência da
combinação clássica de cintura fina com
peitos fartos. Mas cintura muito fina mesmo, uma circunferência
tão exígua que é difícil imaginar
possível hoje em dia, mesmo em modelos esqueléticas.
Apertava-se a vítima ao meio até o limite da
resistência. O sutiã livrou-a do tormento ao
ser inventado, em 1914 um equipamento tão revolucionário
quanto a máquina de picar cebola. Chorava-se, quase
sempre, antes dos dois. O sutiã, de certa maneira,
tornou-se o verdadeiro sustentáculo do cinema glamouroso
dos anos 50 em Hollywood. Corta! Então, chegaram os
anos 60, época em que, como símbolo da repressão
sofrida pela mulher, os sutiãs começaram a ser
queimados em praça pública por hordas de mulheres
enraivecidas com o espaço ridículo que a sociedade
lhes concedia.
O movimento feminista por pouco não decreta o fim
da peça. Por muitos anos, mulheres menos formais usariam
a camisa sobre a pele, sem sutiã. Essa ousadia estética
tanto arrasta para baixo como reduz na dimensão, tornando-se
portanto uma abertura conveniente para poucas eleitas. Assim,
está-se outra vez, já há vários
anos, no reinado do sutiã. Para concorrer com a indústria
da plástica, a da lingerie anda investindo em tudo
que aumenta o bojo, delineia o decote, eleva e aproxima os
seios. O primeiro dessa safra foi o Wonderbra, que usa o velho
sistema de suportes, costuras e enchimento. O Acqua Bra aumenta
o seio tanto quanto seu antecessor, mas com a vantagem de
parecer mais natural porque o saquinho com o líquido
se amolda ao busto. Outra novidade nas prateleiras é
a alça de silicone. Transparente, permite que a mulher
use e esconda o sutiã mesmo nas camisetas de alcinha
e vestidos tomara-que-caia. Não é de espantar.
Nesse terreno, vale tudo que proporcione à mulher aquilo
que ela quer.
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