Edição 1 624 -17/11/1999

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Duros como água

Chega ao Brasil a última
arma do arsenal feminino
para aumentar os seios

Aida Veiga

 
Fotos André Rolim

Acqua Bra: uma bolsinha
com água e óleo
garante o volume

De nada adianta remar contra a maré: bustos grandes estão novamente em alta. Quem tem, que faça bom proveito. Quem não tem, pode apelar para a última novidade nesse território. Depois de meses de sucesso no Japão, na Europa e nos Estados Unidos, está chegando ao Brasil um recurso mais barato e menos perigoso que a cirurgia de implante de silicone. É o Acqua Bra – também chamado de Water Bra – , um sutiã que traz uma bolsinha de água e óleo como enchimento. Pesando pouco, a bolsa é maleável e confortável, representando um avanço e tanto. No passado, reinou o espartilho, que, por meio de cordões bem apertados, forçava os seios para cima. Diagnóstico: altamente desconfortável e prejudicial à absorção de oxigênio pelas usuárias. Depois, vieram sutiãs de vários tipos, incluindo aqueles bicudos que deixavam a blusa com duas pontas como se a garota estivesse exibindo no peito o Everest e seu vizinho Annapurna. Poucos anos atrás, surgiram sutiãs desenhados por amantes da arquitetura. Tinham estrutura de metal que lembrava fundações de prédio, capazes de manter empinado qualquer arranha-céu. Agora, chega à praça brasileira através da Valisère e da Duloren esse sutiã simples com um travesseirinho de água e óleo para dar mais volume e firmeza aos seios. "Engana muito bem", comenta Denise Areal, estilista da Duloren. "Enquanto a mulher não tirar a roupa, vai parecer que tem um peitão à la Pamela Anderson."

Pode não ser uma solução definitiva, mas é mais um instrumento numa galeria infindável de armas femininas contra os flácidos e pequenos. Os seios, como se sabe, mexem com as mais profundas inseguranças do sexo que os tem. As mulheres nunca estão satisfeitas com o material que lhes forneceu a natureza. Querem sempre mais. Ou menos. Ou então querem mais para cima. Se bem-sucedida, uma prótese de silicone pode durar anos. Quem fez, pelo menos por enquanto, não reclama. A atriz Vera Fisher já fez. Demi Moore, a americana que tirou a roupa no filme Striptease, também se submeteu à faca – e, como se viu, o cirurgião não poderia ter executado melhor trabalho. Entre as jovens e belas da TV, a feiticeira Joana Prado fez duas, e Xuxa e Malu Mader andam pensando em experimentar também. "A brasileira assumiu a moda mundial de ter peito grande, aquele que chama a atenção", opina Farid Hakme, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que acaba de escrever uma tese sobre o aumento das mamas. "Ela viu tanta mulher ser elogiada por causa dos seios avantajados que resolveu dar um jeito nos seus também." O número de cirurgias, que era de 5.000 em 1995, deve chegar a 40.000 neste ano. Interessante é notar que há pouquíssimo tempo essa mesma mulher poderia estar correndo aos consultórios em busca de lipoaspirações. Nos anos 80, 70% das vaidosas entravam na faca para cortar centímetros; hoje, 60% delas querem é colocar próteses.
Alça de silicone:
invisível até nos
tomara-que-caia

O sobe-e-desce na preferência a respeito de seios é um fenômeno deste século. Antes, vigorava de maneira mais ou menos generalizada a excelência da combinação clássica de cintura fina com peitos fartos. Mas cintura muito fina mesmo, uma circunferência tão exígua que é difícil imaginar possível hoje em dia, mesmo em modelos esqueléticas. Apertava-se a vítima ao meio até o limite da resistência. O sutiã livrou-a do tormento ao ser inventado, em 1914 – um equipamento tão revolucionário quanto a máquina de picar cebola. Chorava-se, quase sempre, antes dos dois. O sutiã, de certa maneira, tornou-se o verdadeiro sustentáculo do cinema glamouroso dos anos 50 em Hollywood. Corta! Então, chegaram os anos 60, época em que, como símbolo da repressão sofrida pela mulher, os sutiãs começaram a ser queimados em praça pública por hordas de mulheres enraivecidas com o espaço ridículo que a sociedade lhes concedia.

O movimento feminista por pouco não decreta o fim da peça. Por muitos anos, mulheres menos formais usariam a camisa sobre a pele, sem sutiã. Essa ousadia estética tanto arrasta para baixo como reduz na dimensão, tornando-se portanto uma abertura conveniente para poucas eleitas. Assim, está-se outra vez, já há vários anos, no reinado do sutiã. Para concorrer com a indústria da plástica, a da lingerie anda investindo em tudo que aumenta o bojo, delineia o decote, eleva e aproxima os seios. O primeiro dessa safra foi o Wonderbra, que usa o velho sistema de suportes, costuras e enchimento. O Acqua Bra aumenta o seio tanto quanto seu antecessor, mas com a vantagem de parecer mais natural porque o saquinho com o líquido se amolda ao busto. Outra novidade nas prateleiras é a alça de silicone. Transparente, permite que a mulher use e esconda o sutiã mesmo nas camisetas de alcinha e vestidos tomara-que-caia. Não é de espantar. Nesse terreno, vale tudo que proporcione à mulher aquilo que ela quer.