Edição 1 624 -17/11/1999

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Verdadeiro luxo

Grandes joalherias partem para a produção
de jóias artesanais e exclusivas – ou quase

Fotos divulgação

Colar com 141 diamantes e pendente: feito a mão

Madame não quer só jóias caras. Quer também que elas sejam exclusivas – ou, pelo menos, de séries muito limitadas. Para atender a essa demanda lá do topo da pirâmide social, as grandes joalherias estão exibindo em suas vitrines peças trabalhadas artesanalmente. Ou seja, feitas por aquele sujeito que antes só podia mostrar seu talento individual no segmento alternativo ou artístico – o ourives. Ele pode passar dias esculpindo uma única jóia e, ao contrário dos penduricalhos produzidos em quantidade industrial, nunca confecciona um exemplar igual ao outro. "A procura por peças exclusivas vem aumentando", constata Débora Sauer, diretora de uma joalheria que criou catorze tipos de anéis e pendentes feitos a mão. Para garantir que suas clientes endinheiradas não passem pelo indizível vexame de cruzar com uma amiga (ou inimiga) usando uma peça igual, a empresa fabricou não mais do que oito cópias de cada modelo. Sorry, periferia.

Modelo de ouro e citrino:
trabalho de quarenta dias

"A mulher quer resgatar a idéia da jóia como um artigo único e de luxo", teoriza Miriam Kimelblat, vice-presidente de uma joalheria que exibe gargantilhas e pulseiras tricotadas manualmente com fios de ouro e salpicadas com pepitas e rubis. "Um ver-da-dei-ro lllluuuxo", diria o apresentador de televisão Atayde Patreze. Além de satisfazer as necessidades das bacanas, as peças artesanais funcionam como estratégia para atrair os compradores menos abastados. São eles que, adquirindo um pingentinho aqui e outro ali, garantem a sobrevivência do negócio de jóias no país. Na ponta do lápis, o marketing conta mais do que o dinheiro obtido com a venda dessas jóias carésimas. Por exemplo: para desenvolver um colar de ouro e pedras de citrino amarelo que custa 16.000 reais, uma joalheria desloca um ourives de sua linha de produção por quarenta dias. Nesse espaço de tempo, ele poderia estar fabricando 1.000 alianças de ouro ao preço de 400 reais cada uma. "Uma peça diferente na vitrine serve como chamariz, enche a loja", comenta Roberto Stern. No momento, a joalheria de Stern está confeccionando dois colares do modelo chamado Fireworks, com 141 diamantes, e outros quatro do Indiado, com tubos de brilhantes. O precinho de cada um desses mimos? Alguma coisa na faixa dos 50.000 reais. Quem pode pode.

 

Pulseira tricotada e colar com tubos
de brilhantes: chiquérrimos e carésimos