Edição 1 624 -17/11/1999

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Lançado o maior navio de cruzeiros do mundo
Mulheres decidem o que a família compra
Jipão cearense vai competir no rali Paris – Dacar
Chrysler pode lançar no Brasil o carro-conceito Java
O que leva o rico a investir em cavalos de corrida
A dura vida nas carvoarias
O som que rola na maior cadeia do país

Jóias artesanais
A mania dos rankings
Mundo moderno reduz tempo de sono
Escassez faz água virar mercadoria
Os sutiãs que aumentam os seios

OAB quer limitar vagas de direito
O pastor Caio Fábio
Arranha-céu ecológico em Times Square
O Russian Tea Room reabre suntuoso e cafona
Nosso melhor autor de telenovelas
Ricos e famosos com tudo em cima para o réveillon 2000
As mulheres se despenteiam
Droga brasileira para o coração ganha aval nos EUA
O risco de pane em aviões no Brasil
Uma chuva de meteoros para todo mundo ver

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Roberto Campos
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Notas internacionais
Cotações
Hipertexto
Gente
Datas

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


Teste no Saara

Jipão projetado no Ceará concorre com
importados e vai competir no deserto

Ricardo Villela, de Fortaleza

 
Divulgação

Troller: para vencer
as dunas cearenses

Quando for dada a largada para a próxima edição do rali Paris– Dacar– Cairo, em janeiro, haverá uma novidade brasileira no Deserto do Saara. Pela primeira vez, um carro nacional vai disputar a prova mais importante do rali mundial. Durante mais de duas semanas, quatro jipes cearenses, da marca Troller, percorrerão 10.000 quilômetros de dunas competindo com máquinas consagradas como Mitsubishi e Toyota. A participação de um carro brasileiro numa prova dessa envergadura é surpreendente. A Troller é a única montadora nacional com produção regular. Fora ela, há apenas fabriquetas de buggy em Estados do Nordeste. Na década de 80, havia mais de vinte empresas nacionais produzindo carros. Era o tempo em que pilotar um Miura ou um Puma garantia status. Com a liberação das importações, a partir de 1990, os carros esportivos estrangeiros tomaram o mercado e as fábricas artesanais foram fechando uma a uma.

A história da fábrica cearense é muito diferente da de suas precursoras. Foi fundada num mercado aberto para disputar espaço com os carrões importados. Boa parte de suas peças vem de fora do país. A caixa de câmbio é a mesma que equipa o Ford Mustang. Os eixos são utilizados também pela Cherokee. O motor Volkswagen do Santana foi escolhido por sua resistência e facilidade de manutenção. Como se vê, chamá-lo de brasileiro da gema é apenas uma liberdade poética. A definição correta: o jipe da Troller, mesmo com peças importadas, não é produto de nenhuma das multinacionais em atividade no Brasil. Até agora, a empresa já vendeu quase 500 unidades. Em sua sede, no município de Horizonte, a 40 quilômetros de Fortaleza, 242 funcionários fabricam setenta unidades por mês. Por enquanto, o único modelo é o T-4, um jipe robusto, com tração nas quatro rodas e direção hidráulica que custa cerca de 30.000 reais e é capaz de escalar dunas de areia como quem sobe uma rampa de garagem. Em janeiro, chegará ao mercado o T-5. Maior e mais confortável para concorrer com os modelos sofisticados que tiveram seus preços disparados por causa da alta do dólar. O modelo que vai competir no Deserto do Saara é um T-5 incrementado.

A Troller surgiu da paixão por jipes de Rogério Farias, um administrador de empresas que ganhava a vida fabricando buggy. Seu objetivo era construir um carro forte o suficiente para vencer as dunas das praias cearenses. Entre 1994 e 1996, ele queimou 1 milhão de reais para projetar e construir seu jipe. Fabricou cinqüenta unidades na marra, com apenas quinze funcionários. "Eu era o projetista, o soldador, o pintor, o vendedor e o torneiro mecânico", lembra Farias. O esforço valeu a pena. Em 1997, os protótipos chamaram a atenção do empresário Mário Araripe, dono de indústrias têxteis no Ceará. Araripe colocou mais 9 milhões de reais no negócio, contratou uma equipe de engenheiros para aprimorar o projeto e implementou a linha de produção. Espera recuperar o investimento em menos de três anos. "Nosso jipe é cabra-macho. É forte, não quebra e encara qualquer obstáculo", diz Araripe. A prova de fogo está marcada para o Deserto do Saara.