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Teste no Saara
Jipão projetado no Ceará concorre
com
importados e vai competir no deserto
Ricardo Villela, de Fortaleza
Divulgação
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Troller: para vencer
as dunas cearenses
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Quando for dada a largada para a próxima edição
do rali Paris Dacar Cairo, em janeiro, haverá
uma novidade brasileira no Deserto do Saara. Pela primeira
vez, um carro nacional vai disputar a prova mais importante
do rali mundial. Durante mais de duas semanas, quatro jipes
cearenses, da marca Troller, percorrerão 10.000
quilômetros de dunas competindo com máquinas
consagradas como Mitsubishi e Toyota. A participação
de um carro brasileiro numa prova dessa envergadura é
surpreendente. A Troller é a única montadora
nacional com produção regular. Fora ela, há
apenas fabriquetas de buggy em Estados do Nordeste. Na década
de 80, havia mais de vinte empresas nacionais produzindo carros.
Era o tempo em que pilotar um Miura ou um Puma garantia status.
Com a liberação das importações,
a partir de 1990, os carros esportivos estrangeiros tomaram
o mercado e as fábricas artesanais foram fechando uma
a uma.
A história da fábrica cearense é muito
diferente da de suas precursoras. Foi fundada num mercado
aberto para disputar espaço com os carrões importados.
Boa parte de suas peças vem de fora do país.
A caixa de câmbio é a mesma que equipa o Ford
Mustang. Os eixos são utilizados também pela
Cherokee. O motor Volkswagen do Santana foi escolhido por
sua resistência e facilidade de manutenção.
Como se vê, chamá-lo de brasileiro da gema é
apenas uma liberdade poética. A definição
correta: o jipe da Troller, mesmo com peças importadas,
não é produto de nenhuma das multinacionais
em atividade no Brasil. Até agora, a empresa já
vendeu quase 500 unidades. Em sua sede, no município
de Horizonte, a 40 quilômetros de Fortaleza, 242 funcionários
fabricam setenta unidades por mês. Por enquanto, o único
modelo é o T-4, um jipe robusto, com tração
nas quatro rodas e direção hidráulica
que custa cerca de 30.000 reais
e é capaz de escalar dunas de areia como quem sobe
uma rampa de garagem. Em janeiro, chegará ao mercado
o T-5. Maior e mais confortável para concorrer com
os modelos sofisticados que tiveram seus preços disparados
por causa da alta do dólar. O modelo que vai competir
no Deserto do Saara é um T-5 incrementado.
A
Troller surgiu da paixão por jipes de Rogério
Farias, um administrador de empresas que ganhava a vida fabricando
buggy. Seu objetivo era construir um carro forte o suficiente
para vencer as dunas das praias cearenses. Entre 1994 e 1996,
ele queimou 1 milhão de reais para projetar e construir
seu jipe. Fabricou cinqüenta unidades na marra, com apenas
quinze funcionários. "Eu era o projetista, o soldador,
o pintor, o vendedor e o torneiro mecânico", lembra
Farias. O esforço valeu a pena. Em 1997, os protótipos
chamaram a atenção do empresário Mário
Araripe, dono de indústrias têxteis no Ceará.
Araripe colocou mais 9 milhões de reais no negócio,
contratou uma equipe de engenheiros para aprimorar o projeto
e implementou a linha de produção. Espera recuperar
o investimento em menos de três anos. "Nosso jipe é
cabra-macho. É forte, não quebra e encara qualquer
obstáculo", diz Araripe. A prova de fogo está
marcada para o Deserto do Saara.
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