|
GUIA
As ciladas do intercâmbio
Os estudantes brasileiros que fazem
intercâmbio
no exterior e estima-se que eles sejam 85000
só neste ano ligam para os pais como nenhum
outro, estranham os horários impostos pelas
famílias estrangeiras e costumam engordar.

Monica Weinberg
Lailson
Santos
 |
| O estudante Rui Monteiro da
Silva, 18 anos, passou um ano na cidade de Franklin Furnace,
em Ohio: entre outras coisas, aperfeiçoou o inglês
e foi promovido a capitão da equipe de atletismo
da escola. "Fiquei popular e fiz mais amigos" |
Essas são algumas das conclusões a que chegou
uma pesquisa que ouviu
1 000 jovens de volta ao Brasil.
O trabalho constatou ainda que muitos dos estudantes tomam
inicialmente um susto ao se ver numa cidade típica
do interior. O fato é que, no final, quase 100% deles
dizem ter "adorado" a experiência. Especialistas ouvidos
por VEJA se basearam no relato desses jovens para dar sugestões
concretas sobre como enfrentar algumas das dificuldades mais
comuns. Eles focaram em dois tipos de intercâmbio mais
procurados no Brasil. O primeiro é o curso de línguas,
que dura em média um mês. O segundo tipo é
aquele em que o jovem fica hospedado numa casa de família
e cursa um ano do ensino médio no exterior. Eis a radiografia
completa dos problemas e as estratégias para
superá-los.
1
PREFERI ESTUDAR HISTÓRIA AMERICANA A GEOGRAFIA.
NA VOLTA AO BRASIL, ACABEI REPROVADO NA ESCOLA
Por que é comum: em
países da Europa e nos Estados Unidos, os estudantes
do ensino médio têm bem mais liberdade para escolher
as matérias que vão cursar na escola do que
no Brasil. Eles podem, por exemplo, estudar apenas um ano
de geografia e não três, como é
obrigatório nas escolas brasileiras
Comentário dos
especialistas: nunca deixar de incluir matérias
do currículo básico exigido pelo Ministério
da Educação (MEC), sem as quais não há
como ser aprovado na volta ao Brasil. São elas história,
geografia, matemática, inglês, ciências
e educação física
2 O ESTUDANTE DETESTOU
A FAMÍLIA QUE O RECEBEU E QUER TROCAR DE CASA
Por
que é comum: a
maior fonte de angústia dos brasileiros que fazem intercâmbio
nos Estados Unidos e na Europa são as novas regras
a que são submetidos no exterior. Segundo a pesquisa,
os horários inflexíveis incomodam mais do que
qualquer outra coisa. Festas, por exemplo, não podem
terminar depois das 22 horas
Comentário
dos especialistas: o programa não permite trocar
de casa. Neste caso, resta adaptar-se ou voltar para
casa
Selmy
Yassuda
 |
A analista de sistemas
Sylvia Loureiro, 32 anos, ficou um mês em Barcelona:
ela optou por passar meio período na escola. "Só
assim conheci espanhóis e pude praticar o que aprendi"
|
3 PASSEI
UM MÊS NA ESPANHA ESTUDANDO A LÍNGUA E NÃO
SAÍ DA SALA DE AULA
Por que é comum:
em geral as pessoas pensam que num curso intensivo têm
mais chance de aprender o novo idioma
Comentário
dos especialistas: a experiência mais completa neste
caso é a que permite aos estudantes aplicar o que aprenderam
no dia-a-dia e para isso eles não devem ficar
restritos à escola. O sistema de melhor resultado,
portanto, é o de quatro horas diárias de aula
4 SONHAVA
COM NOVA YORK, MAS PAREI NUMA CIDADE DE 600 HABITANTES NO
ARKANSAS
Por que é comum: as
agências no Brasil não têm nenhuma participação
na escolha das famílias que recebem os brasileiros
nos Estados Unidos elas próprias só são
avisadas do destino do intercâmbio dias antes da viagem.
Quem comanda o processo são associações
americanas especializadas em cadastrar famílias dispostas
a alojar os estrangeiros.
Elas restringem esse trabalho às cidades do interior
porque é justamente nelas que as escolas públicas
americanas têm vagas ociosas e, portanto, podem
receber estudantes de fora
Comentário dos
especialistas: numa das modalidades, é possível
não só escolher a cidade, mas também
o tipo de casa, o tamanho da família e a escola na
qual se vai estudar (nesse caso, particular). Custa cerca
de
60 000 reais três vezes mais do que a média
dos intercâmbios
5
NÃO FIZ AMIGOS AMERICANOS
Por que é comum:
o levantamento com brasileiros que fizeram intercâmbio
nos Estados Unidos e em países da Europa mostra que
eles costumam fechar-se em círculos formados exclusivamente
por estrangeiros
Comentário
dos especialistas: há matérias opcionais
nas escolas desses países que facilitam a interação
com mais gente, entre as quais as de esporte e música
6 A
CONTA DE TELEFONE DOS MEUS PAIS NO BRASIL FICOU EM 6000 REAIS
NUM MÊS
Por que é
comum: a pesquisa mostra que metade dos brasileiros que
fazem intercâmbio no exterior liga pelo menos uma vez
por dia para o Brasil.
O objetivo é "atualizar os pais"
Comentário dos especialistas: blogs sobre a
viagem apaziguam a ansiedade de compartilhar as novidades
e evitam prejuízos financeiros
Economizar
desde cedo
É o que
os especialistas indicam para quem quer enviar os filhos adolescentes
para uma temporada no exterior. Eis as duas modalidades de
intercâmbio mais procuradas no Brasil:
PARA
ESTUDAR UM NOVO IDIOMA
Duração:
um mês
Quando é indicado: a partir de 17 anos
Onde ficar: em casas de família ou nos alojamentos
das próprias escolas de línguas
Resultado esperado:
progressos num mês equivalentes aos obtidos com um ano
de estudo no Brasil
Preço*: 6000 reais
Quanto é preciso economizar
por mês**: 13 reais
PARA CURSAR O
ENSINO MÉDIO
Duração:
um ano
Quando é indicado: de 15 a 17 anos
Onde ficar: em casas de
família
Resultado esperado: pessoas
que partem com nível intermediário voltam fluentes
na língua estrangeira
Preço*: 20000 reais
Quanto é preciso economizar
por mês**: 43 reais
**
Os preços expressam a média do mercado e incluem
estada e passagem aérea
** Com o dinheiro aplicado num fundo de renda fixa desde o
primeiro ano de vida da criança
|