Quando receberam
os resultados de uma pesquisa feita pelo Ibope na semana passada,
os produtores de Tropa de Elite encontraram ali um
número animador: 35% dos entrevistados declararam que
pretendem assistir ao filme no cinema o que equivaleria
a algo como acachapantes 22 milhões de indivíduos.
Outro número contido na pesquisa, porém, é
ainda mais assombroso. Estima-se que mais de 11 milhões
de pessoas já tenham visto o filme, embora ele tenha
estreado há dias apenas. Como? Em cópias ou
downloads piratas, claro. "Na primeira batida policial, foram
apreendidos milhares de DVDs. No dia seguinte, os camelôs
voltaram às ruas alardeando 'o filme que a polícia
quer proibir'. Venderam o dobro", conta o diretor José
Padilha, que diz ter levado "um banho de criatividade" do
comércio ilegal. O qual, a esta altura, já fez
de Tropa de Elite um sucesso também nas ruas
de Moçambique, Angola e Portugal.
É impossível
calcular as perdas que o estouro de Tropa de Elite
na pirataria representa, em bilheteria, em impostos e em concorrência
desleal com os comerciantes que pagam suas taxas. Padilha
acha que essa febre provocada por seu filme contém
algumas mensagens: existe uma enorme demanda por filmes nacionais
que saibam do que e como falar ao público; e os exibidores
e distribuidores estão perdendo boas oportunidades
de atender a essa demanda e faturar com ela, baixando preços
de ingressos e DVDs para ganhar em escala. Enfim, por meios
estritamente legais. Pirataria é crime organizado,
tanto quanto o tráfico de drogas. Na melhor das hipóteses,
já começa por envolver corrupção
e conspiração criminosa. "Não vou dar
nome aos bois (o nome, no caso, seria o do ministro Gilberto
Gil), mas há pessoas sugerindo por aí que
a pirataria é uma forma democrática de disseminação
da cultura. Isso é loucura. Não se pode ter
posição dúbia quanto a isso: a única
cultura que a pirataria dissemina é a da contravenção",
diz Padilha. E vale lembrar que, também como no caso
das drogas, é o usuário recreativo (aqui, na
acepção da palavra) que sustenta essa organização
criminosa, com seus 5 reais aqui, 5 reais ali.